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Morte, por favor, venha até mim...
o peso das escolhas que a gente precisa fazer
tem noites em que a cabeça vira um labirinto e o peito aperta de um jeito que fica até difÃcil respirar fundo. hoje é uma dessas noites. estou sentindo uma mistura pesada de tristeza e confusão, daquelas que fazem a gente questionar cada passo, cada palavra dita e cada limite colocado.
os últimos dias já vinham meio desajustados por aqui, o corpo e a mente tentando se recalibrar no meio do turbilhão de fora e de dentro. e aà vem a vida e exige uma postura, exige um corte, exige que a gente escolha a si mesmo, mesmo sabendo que escolher a si mesmo às vezes dói para caramba.
não sei, de verdade, se tomei a decisão certa. a dúvida fica flutuando, martelando na cabeça se as coisas poderiam ter sido diferentes, se eu interpretei certo, se a brecha que eu queria que existisse ainda estava lá. mas a verdade é que já está feito. o botão foi apertado, o ciclo foi fechado.
agora não dá mais para olhar para trás procurando arrependimentos. o que me resta é respirar fundo, acolher essa oscilação e arcar com as consequências de ter tentado me proteger. é um processo doloroso e solitário, mas é o que tem para hoje. amanhã é outro dia para tentar colocar os pés no chão de novo.
é exaustivo o momento exato em que a fantasia desaba e a realidade bate no peito com o peso de uma tonelada. hoje foi um daqueles dias cinzentos e chuvosos em que a ficha finalmente caiu. olhei para a tela e percebi que, enquanto eu passo os dias tentando decifrar sinais, construindo um "nós dois" que só existe na minha cabeça, a outra pessoa está apenas vivendo. em outra órbita, em outro ritmo, acumulando histórias e me usando como o confessionário perfeito para as suas aventuras.
dói demais admitir o quanto eu me enganei. a verdade é que eu estava disposto a ignorar os abismos entre as nossas vivências e as nossas idades só para sustentar a ilusão de que, talvez, o próximo capÃtulo seria sobre mim. a gente se molda, a gente aceita migalhas, a gente se convence de que "agora vai" só para ter um gostinho de estar perto de quem a gente deseja. a gente se diminui para caber na moldura do outro.
mas cansei de ser a plateia deslumbrada de um filme que eu não dirijo e onde eu nem sequer faço parte do elenco. cansei de abrir o peito esperando um afeto e receber um relato de terceira mão sobre como a vida dele é movimentada e cheia de opções.
é uma mistura sufocante de tristeza com um alÃvio esquisito. dói colocar um ponto final na expectativa, dói aceitar que esse foi o romance mais próximo que eu cheguei de experimentar e que, no fundo, ele nunca foi real. mas dói ainda mais continuar aceitando o papel de telespectador da felicidade alheia.
hoje eu escolhi saber o meu lugar. recolhi o meu sentimento, dei um passo para trás com a cabeça erguida e fechei a porta. a chuva está caindo lá fora e aqui dentro ainda está bagunçado, mas pela primeira vez em muito tempo, eu não vou tentar me convencer de uma mentira bonita para fugir de uma verdade que liberta. vai passar. sempre passa.
Não sei exatamente em que ponto a vida começou a dar errado. Talvez ela nem tenha dado errado de forma clara. Talvez só tenha ido ficando pesada aos poucos, silenciosa, até virar esse cansaço que não passa.
Nunca tive um relacionamento amoroso. Nunca fui escolhido nesse lugar. Sempre fui o amigo, o que acompanha, o que escuta, o que entende. Enquanto as pessoas ao meu redor namoravam, terminavam, reatavam e seguiam, eu ficava ali, presente, mas fora da cena principal. Isso machuca, mas não é o centro de tudo, apesar de parecer.
O problema maior é a sensação de estar parado enquanto o mundo anda. A vida virou um cálculo constante. Não só de dinheiro, mas de força. Cada decisão exige energia que eu nem sempre tenho. Viajar, sair, permanecer fora de casa, tudo vira um risco. Não por drama, mas porque o corpo e a mente nem sempre acompanham a vontade.
Alguns dias eu acordo acreditando que algo vai mudar. Que hoje vai ser diferente. Que alguma porta vai abrir. No fim do dia, o que sobra é a frustração de perceber que nada realmente saiu do lugar. Isso vai criando uma descrença lenta, quase educada, mas muito cruel.
Existe também a comparação. Sempre ela. Pessoas com tanto reclamando do excesso, enquanto outros aprendem a conviver com a falta. Falta de estabilidade, de segurança, de perspectiva. Falta de ser visto como alguém que pode construir algo bonito a dois. Falta de acreditar que o futuro reserva mais do que sobrevivência.
Não escrevo isso para pedir pena. Nem para ser salvo. Escrevo porque guardar tudo isso dentro tem me adoecido. Porque existe uma exaustão que não aparece no corpo, mas pesa como se aparecesse.
Talvez eu esteja estagnado. Talvez eu esteja apenas cansado demais para avançar agora. Não sei. O que sei é que continuar fingindo que está tudo bem exige mais força do que eu tenho.
Esse texto não traz solução. Não traz lição. É só um registro honesto de alguém que está tentando entender em que momento deixou de viver e passou apenas a aguentar.
E, por enquanto, é isso que eu consigo dizer.

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Eu tentei.
Do jeito que eu sabia, do jeito que eu podia, com as ferramentas que eu tinha naquele momento.
Tentei estar presente sem invadir,
cuidar sem sufocar,
me afastar quando parecia necessário,
e ficar quando o silêncio pedia companhia.
Segurei vontades, engoli planos,
transformei desejo em incentivo,
e chamei de maturidade aquilo que, muitas vezes, era só medo de perder.
Fiz força para que a gente não se afastasse.
Mesmo quando só eu puxava a conversa.
Mesmo quando só eu estava disponÃvel.
Mesmo quando percebi que a reciprocidade vinha em ondas curtas
e o meu afeto era maré cheia.
Não é sobre culpa.
Nem sobre vilões.
É sobre desencontro.
Há momentos em que insistir não é amor,
é autoabandono.
E eu demorei para perceber.
Tenho minhas próprias dores,
meus problemas pessoais,
minhas particularidades que ninguém vê.
Faço parte de um mundo coletivo que cobra força constante,
mesmo quando o corpo e a mente pedem pausa.
Então eu pausei.
Me recolhi.
Desliguei ruÃdos externos para tentar ouvir o que ainda pulsa aqui dentro.
Não sei se isso é um fim definitivo.
Mas é um limite.
E, pela primeira vez em muito tempo,
esse limite é comigo.
Há dias em que o corpo acorda cansado
como se tivesse vivido muitas vidas sem descanso.
O céu pode até clarear,
mas por dentro ainda chove.
Carrego uma saudade que não tem nome.
Talvez de um amor que ainda não aconteceu,
talvez de uma versão minha
que acreditava que o encontro viria no tempo certo.
Às vezes dói não por perder,
mas por ainda não ter vivido.
Dói imaginar um afeto imperfeito
que nunca chegou a ser imperfeito
porque nunca existiu.
Mesmo assim, sigo.
Com passos lentos,
com o coração apertado,
mas sigo.
Porque existir também é isso:
respirar em dias nublados,
sentir sem entender,
e continuar —
não por força,
mas por esperança silenciosa
de que um dia o peito reconheça
um lugar onde descansar.
O gosto amargo do que passa
Tem dias em que um detalhe bobo acende um peso desnecessário. Não é acontecimento grande, nem ruptura. É só uma sensação que chega sem pedir licença. Eu esperava menos impacto, esperava ser mais imune, principalmente com essa pessoa. Não agora. Não desse jeito. Mas o corpo sente antes da razão organizar.
Existe algo estranho nessa mistura de expectativa silenciosa e realidade indiferente. É como se uma mÃnima cena tivesse o poder de lembrar que certas distâncias não mudam, por mais que a gente finja que sim. E isso traz uma impotência discreta, quase escondida, mas presente. Uma sensação de que eu não deveria estar afetado, e ainda assim estou.
Não é amor proibido, não é drama barato. É apenas o desconforto de perceber que algumas emoções escapam do controle, mesmo quando eu já sabia de tudo. É irritante sentir assim, porque não faz sentido nenhum. Mas acontece. E admitir isso, mesmo que só pra mim, já pesa o suficiente.
No fim, fica só o registro interno de que sentir às vezes é uma merda, especialmente quando a gente queria estar num lugar emocional bem diferente. E está tudo certo. Amanhã isso já é outra coisa. Mas hoje tem esse gosto amargo discreto que eu engulo calado.
Antraz

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Morte, por favor, venha até mim...
!!
Me expor para quem confio tem um jeito diferente… é mais verdadeiro
Eu para eu.

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A desilusão, às vezes, não vem de alguém que nos machucou, mas das histórias que a gente criou sozinho. Eu percebo agora que não fui claro, que me escondi atrás do medo de estar errado, de interpretar sinais que talvez nem existissem. Evitei dizer o que sentia pra não encarar uma realidade que eu temia estar distorcendo com meus próprios pensamentos — pensamentos que criam cenários, expectativas, até pequenas esperanças.
Mas isso não é sobre o outro. É sobre mim. Sobre o quanto minha mente tenta me proteger criando alternativas, me poupando de dores reais com dores imaginárias. E o mais irônico é que, no fim, isso não evita a dor — só a adia. Me peguei decepcionado, não com você, mas com minha forma de lidar com o que eu sentia. De novo, eu esperava mais do que existia, e silenciosamente me cobrava por esperar.
Agora, tudo tá mais claro. E mesmo que a clareza venha com uma pontada no peito, ela também traz alÃvio. Porque me liberta da confusão e me dá a chance de viver o que é real, com mais leveza e menos ruÃdo interno.
Tem uma parte de mim que sempre quer dizer mais, mas quase nunca sabe se pode. Às vezes me sinto tão cheio de coisas que nem sei por onde começo — frustrações, desejos, medos, vontade de viver algo bonito com alguém… e uma luta constante pra me sentir suficiente, até pra mim mesmo.
Tô num momento confuso. Vivo de bicos, tentando me encontrar sem me perder. Não quero aceitar qualquer coisa só pra sobreviver — queria uma vida com mais dignidade, onde eu pudesse me oferecer inteiro, com presença e cuidado. Acho que por isso me trava tanto a ideia de entrar num relacionamento agora… porque não quero ser só amor e promessas, queria também ter estrutura. E, ao mesmo tempo, queria me permitir sentir.
Nunca me vi como alguém desejado pra uma história de verdade. Só fui reconhecido como corpo, nunca como parceiro. Isso cansa. Me fez desacreditar por um tempo. Mas tem dias que a vontade de construir algo sincero grita. Que eu olho pra alguém e penso: ‘aqui podia ser um lugar seguro’. E mesmo com tudo isso aqui dentro, escolhi calar, porque gosto demais da nossa amizade. Ela é linda, me faz bem, e meu maior medo é parecer que tô tentando forçar algo ou invadir um espaço que não é meu.
Então, se eu me calar às vezes, não é desinteresse. É só cuidado demais com algo que já é importante pra mim.