É estranho pensar que já não te conheço mais.
Sei seu nome. Sei o jeito que você dorme. Seu gosto para comida. Sua música favorita.
Mas agora somos estranhos.
Fico me perguntando o que você fez com a minha primeira carta.
Se a queimou. Se a rasgou. Se ela ficou esquecida no fundo de alguma gaveta, amarelando, enquanto a tinta desaparecia devagar, como nós.
Na vida que planejamos ter. Nos lugares que prometemos conhecer. Nas pessoas que jurávamos apresentar um ao outro. Nas mentiras que adorávamos contar.
— "Isso aqui é para sempre."
Às vezes quero que você fique bem. Às vezes te odeio tanto. E, em outras dessas vezes, eu simplesmente não penso em você.
Já se passaram cinco anos desde a primeira carta.
Ainda te escrevo sempre que dói.
Anoto seu nome e seu endereço, colo selos, mas nunca envio.
Fico esperando o tempo passar mais rápido e levar tudo isso embora.
Visitei seu perfil ontem à noite.
Faço isso quando quero te esquecer.
É assim que tento te esquecer, ressuscitando você por alguns minutos.
Seus olhos, seu sorriso, continuam os mesmos
Eu não sou mais eu. E você não é mais você.
Sei seu nome e seu sobrenome.
Mas já não te reconheço mais.