"Você foi uma frase interrompida...
Um verso sem rimas, o maior pesadelo do autor dessa escrita. "
De fato.

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"Você foi uma frase interrompida...
Um verso sem rimas, o maior pesadelo do autor dessa escrita. "
De fato.

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E aqui estou eu novamente,
perdida na contramão,
buscando uma justificativa
para tamanha falta de emoção.
Eu confesso, não vou negar:
sei que ainda resta algo.
Mas quanto mais tento nomear,
mais me perco nesse embargo.
É tristeza?
Não, tristeza afunda.
É raiva?
Também não.
A raiva é quente, é imunda,
e isso aqui é frio demais para ser paixão.
Saudade?
Talvez não seja.
A saudade costuma doer.
Mas o que sinto é uma sombra
que se recusa a morrer.
Talvez melancolia.
Talvez punição.
Talvez apenas o eco podre
de uma antiga decisão.
Porque fui eu quem correu.
Fui eu quem escolheu partir.
Fui eu quem afundou a lâmina
e decidiu não assistir.
Eu te deixei sangrando,
sem remorso, sem perdão.
E agora o que me assombra
não é você —
é a minha própria ausência de aflição.
Eu deveria chorar?
Deveria sofrer?
Deveria sentir o peso
de ter visto tudo morrer?
Mas não.
E talvez seja isso
que me cause repulsa e confusão:
não a ferida que deixei em você,
mas a falta de ferida em meu coração.
Que espécie de pessoa retorna
a uma história encerrada,
não por amor, nem por saudade,
mas por uma culpa malformada?
Que espécie de covarde revisita
aquilo que escolheu destruir,
procurando algum sentimento
que a faça, enfim, sentir?
Não sei.
Só sei que, noite após noite,
contra toda explicação,
o passado bate à minha porta
feito uma maldição.
E eu o recebo em silêncio,
sem coragem de expulsar.
Porque talvez eu tema descobrir
que nunca houve nada para lamentar.
“você me confundia
e eu chamava isso de amor.”
_ soutexo
-Tem sido um tormento gritante
traduzir o que sinto e colocar por escrito.
Parece que, quanto mais o tempo passa,
mais indecifrável fica meu coração.
É tão cansativo decifrar cada emoção
que faltou me deixar à beira da exaustão.
O que me falta entender
para deixar essa situação morrer?
O que me falta traduzir
para enfim partir?
O que falta?
Chorei todas as lágrimas.
Gritei até perder a voz.
Machuquei cada pedaço do meu ser.
Virei-me do avesso,
de trás para frente,
na tentativa de me entender.
O que me falta?
A situação não está clara?
Do grego ao latim,
não sei mais o que acontece em mim.
É difícil me entender,
mais difícil é ceder.
Passei tanto tempo tentando compreender,
que esqueci como era simplesmente viver.

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Fui eu quem partiu e, mesmo assim, continuo lembrando, passando tudo em câmera lenta.
Nessa Cross
Esse ciclo me cansa
Tenho tanto a dizer, mas escolho esconder
Porque no fim do caminho é sempre você
Mal toco no lápis, já sei a direção
Você no papel e eu caída no chão
Outro verso perverso, velha repetição
Escancarando em silêncio meu coração
Às vezes me pergunto, perdida na contramão
Se isso é amor ou pura indignação
Perdi tempo demais nesse jogo vazio
De afeto escasso e coração por um fio
Era um problema seguido de discussão
Esperança quebrada, seguida de decepção
Não sei se te quero ou se quero fugir
Se odeio teu nome ou desejo ouvir
Porque quase sempre eu não sinto emoção
Mas basta lembrar e transborda o vulcão
Um amontoado de culpa, saudade e tensão
Fazendo do peito eterna colisão
Quero escrever, mas escrever é te ver
Cada verso revela o que tento esconder
Mais do teu rosto, menos do meu ser
Mais do que perdi do que quis viver
Luto pra não tornar tudo sobre você
Pra não te dar morada em cada amanhecer
Mas quando percebo, já foi — sem aviso, sem freio
Você tomou o poema, o silêncio e o meio
Igual esse texto — cansado e impreciso
Que nasceu refúgio e morreu compromisso
Agora escrever já não traz mais alívio
É só visitar teu fantasma em exílio.
“E se eu nunca te superar?”
Vou tatuar teu toque em minha pele,
mesmo sabendo que isso me fere.
Talvez eu arranque pedaço por pedaço,
até sobrar vazio, cansaço e aço.
Mas e se eu nunca te esquecer?
E se meu peito nascer só pra doer?
Seremos dois corpos em decomposição,
alimentando saudade e destruição.
Você sente falta do calor que perdeu,
e eu apodreço nos restos do que foi teu.
Que maldição foi essa que eu aceitei?
Que inferno bonito foi esse onde entrei?
Estou tão vazia, tão fria, tão torta,
que faço do ódio minha única porta.
Escrevo chorando, tentando expulsar
esse grito maldito querendo ficar.
São vozes, perguntas, tormentas sem fim,
facas entrando e girando em mim.
E entre todas que tentam ficar,
sempre retorna:
“E se eu nunca te superar?”
Só o som desse “e se” me destrói,
abre ferida, corrói e corrói.
Saia da minha pele, desapareça,
antes que minha mente enlouqueça.
Me deixe sentir outro cheiro no ar,
sem procurar você em cada lugar.
Me deixe ouvir uma voz diferente,
sem confundir seu eco na mente.
Me deixe voltar pro começo de mim,
antes que meu mundo desabe no fim.
Mas não volte.
Não ouse bater.
Porque se eu não conseguir te esquecer,
vou afundar nos ruídos da solidão,
arrancar você do meu coração.
E nesse incêndio, sem salvação,
eu mato você
ou o resto de mim
na escuridão.
E mesmo depois de anos,
a gente ainda insiste —
existe,
persiste
no erro que nunca desiste.
Duas pessoas estranhas,
ligadas por um passado doente,
presente ausente,
mal resolvido, recorrente.
Memórias abafadas,
mastigadas pela pressa,
duas almas vazias
fazendo drama do que não resta.
Eu não te trago pro agora —
não sei explicar
como quem eu era morreu
naquela hora:
meia-noite, linha estourada,
tua voz calculada,
mentira ensaiada,
história mal contada.
E eu?
Desandada.
Bebo demais,
me desfazo em sinais,
deixo pedaços meus
em esquinas banais.
Corpo em excesso,
alma em atraso,
te esqueço no esforço,
te lembro no acaso.
Teu gosto ainda fica —
ironia maldita,
teu toque ainda arde,
mesmo quando evita.
Ferrada.
Sem cura, sem volta, sem nada.
E o tal do perdão?
Eu finjo que dou,
depois te devolvo o não —
na mesma proporção.
Tem dia que eu apago,
tem dia que eu estrago,
tem dia que teu nome
ainda escapa no trago.
E o pior nem é isso —
é teu tom indeciso,
teu jeito impreciso,
teu quase compromisso.
Você nunca diz,
mas também nunca desfaz —
e eu sei que é comigo
que você ainda quer mais.
Mas não vem.
Não faz.
Nunca fez.
Nunca faz.
Amor e ódio
Estou de novo falando de amor,
não por querer — mas por falta de algo melhor pra esconder a dor.
Te penso sem esforço, quase automático,
como um hábito ruim que ainda não foi cortado.
Eu digo que não — que você não me marcou,
mas basta um detalhe mínimo e tudo volta ao dia em que você me deixou.
Curioso como você ainda ocupa espaço
em coisas pequenas que eu nem faço.
Não te procuro.
Não te chamo.
Não volto atrás.
Mas ainda existe esse silêncio estranho
onde, por algum motivo, você me traz paz.
Não é saudade — eu nem chamaria assim,
é só algo mal resolvido que ficou preso em mim.
Um eco baixo, constante, contido,
um quase-nada… mas nunca esquecido.
Que ironia suja, que gosto amargo:
te amo com ódio, te odeio e te guardo.
Praguejo teu nome, dia e noite, sem dó,
só pra sussurrar ele quando o quarto fica só.
Te puxo no silêncio, na falta, no vício,
naquilo que sobrou depois do teu sumiço.
Sinto sua falta — e você sempre soube disso.
E no fundo, no fundo mais baixo de mim…
sabe que eu não merecia isso.

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Finais...
Eu ainda espero por algo,
algo que diga: acabou.
Algo além desse vazio largo,
desse resto de nós que você deixou.
Algo que não seja esse silêncio doente,
esse nada grudado em mim,
esse eco frio e persistente
de um amor que não teve fim.
Eu espero — e isso me irrita.
Sigo vivendo, finjo normal,
mas tem essa espera maldita
que me prende no mesmo final.
Um desejo ridículo, confesso,
de te ver bater na minha porta,
de ouvir da tua boca um tropeço,
qualquer palavra… até a mais torta.
Nem que fosse pra discutir,
pra estragar de vez o que sobrou,
mas pelo menos existir
um fim que você nunca me entregou.
Você não volta. Não chama. Não vem.
Nem se incomoda com o que ficou.
E o pior de tudo, também,
é saber que isso nunca te tocou.
É um luto estranho, mal resolvido,
não te perdi — mas perdi o chão.
Fui um quase mal resolvido,
um erro sem explicação?
Me incomoda não te incomodar.
Me revolta você não ligar.
Fui tão pouco pra você ignorar,
que nem um fim soube me dar?
Nem um adeus decente, nada.
Nem um resto de consideração.
Fui só uma página arrancada
sem direito a conclusão.
E eu sigo — vivendo, fingindo,
tentando calar essa voz,
ou esse sentimento vai sumindo…
ou termina de destruir o que restou de nós.
Porque no fundo eu sei:
ou isso em mim se desfaz…
ou eu apodreço na espera
de um fim
que você nunca foi capaz.
Adeus e essas coisas
E de repente, eu parei de ligar.
De repente, parei de sentir… parei de amar.
Parei de ir atrás, de insistir, de tentar —
silenciei meu peito, forcei o sorriso,
segui a vida sem me dar o direito
de pensar em tudo isso.
Eu e você…
um “quase” tão impreciso.
Eu até admito: sinto sua falta.
Esperei, sim, você voltar.
Mas no fundo eu sempre soube
que ao meu lado você não ia ficar.
Até quis te perdoar, tentar de novo…
mas pra quê me torturar
e continuar nesse jogo?
Então parei de sentir — ou fingi desistir.
Quem sabe um dia minhas emoções voltem…
ou talvez eu me torne você
e passe a partir corações por aí.
Onde eu não existia...
Então era ela—
o motivo exato do teu riso,
o brilho leve, quase indeciso,
a cura pronta pro teu abismo.
Então era ela.
E eu… o que fui?
Um quase amor mal resolvido?
Um intervalo no teu perigo,
um corpo usado, nunca escolhido?
Fui eu o reflexo dela em você?
Um espelho limpo, fácil de moldar,
onde tua saudade podia encostar
sem precisar se responsabilizar?
Me diz—quem fui nessa relação?
Porque no fim sobrou pra mim
o peso inteiro da tua indecisão,
o corte seco da tua omissão.
E ainda assim… eu me culpei.
Vê que ironia cruel:
você partiu, mas fui eu quem sangrei,
você mentiu, mas fui eu quem calei.
Me diz—
por que eu imploro por explicação
se foi você quem segurou meu coração
só pra testar o tamanho da destruição?
Então responde, se ainda houver razão:
isso que a gente viveu foi ilusão
ou só mais uma versão
bonita demais
pra esconder tua contradição?
Dia da Mulher
Hoje não é apenas um dia.
É memória gravada na pele do tempo.
É o eco das vozes
das que vieram antes de nós,
mulheres de mãos calejadas
e olhos cheios de horizonte.
Somos filhas do fogo.
No calor da dor fomos moldadas,
na chama da luta fomos forjadas,
e das cinzas erguemos nossos nomes
como quem levanta uma bandeira ao vento.
Em nosso sangue caminham
nossas avós,
nossas mães,
nossas filhas que ainda virão.
Somos raízes profundas
rasgando a terra da história
para nascer de novo
e de novo
e de novo.
Porque ser mulher
é carregar vida nos braços
e tempestade no peito.
É cair como brasa na noite
e ainda assim
arder em luz.
Somos corpo, memória e caminho.
Somos luta que respira.
Somos fé que não se curva.
Isso é mulher:
vida que insiste,
fogo que renasce,
história que nunca se apaga.

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Gélido
Ando sentindo tanto frio.
Chego perto do fogo — e me queimo —
mas o frio continua.
É gélido, eterno,
possivelmente mortal.
Meus dentes se chocam,
minha mente se perde,
meus olhos se turvam
como vidro coberto de neve.
Talvez seja meu fim.
Minha pele, antes quente,
agora é tão fria
que deixa escapar um leve tom azulado.
Minha carne, sem nutrientes,
procura em desespero
um resto de calor
entre meus próprios ossos.
Meu peito afunda, devagar,
enquanto esse frio me consome
por dentro.
E pouco a pouco
ele me leva embora
de mim.