❝ so annoying when ppl are like “ur always laughin” “u laugh at everything” “its not that funny”... like OK sorry i’m a happy person, why u bitter? newton darling. "newt". 17 yo. second son of wendy darling.
Dar de cara com um garoto irritante não era o que o príncipe esperava quando desceu para o café da manhã. E a fala de Newton entregava que não deveria estar ali e, conhecendo a peste como Adebayo conhecia, sentiu-se ligeiramente preocupado com o que o outro fazia em sua casa. ‘ Coé, moleque! ’ Proferiu em um misto de repreensão e cumprimento que apenas um homem hétero é capaz de impor em suas falas. ‘ O que cê tá fazendo aqui, garoto? Perdeu o rumo? Tu não é da Aderem? ’ Perguntou-o estreitando os olhos para a presença alheia em sua casa. Embora Zane não tivesse moral alguma para falar de intrusos já que Melena dormia mais na Ralien do que na Imre, o príncipe ainda estava reticente ao ver sua casa invadida daquela forma.
- coé, zane! - ele respondeu com um sorriso amarelo, fingindo não notar o tom de repreensão empregado na fala alheia. - pois é, eu sou da aderem. - começou com uma afirmação que fosse verídica para ver se o resto também saía convencível, mas, verdade seja dita, newton era praticamente incapaz de mentir de tão horrorosa que era sua capacidade de contar inverdades. era bem provável que zane percebesse que estava mentindo, fosse o tique em sua sobrancelha e a perna balançando, ou o tom de voz inconstante. - ... eu vou levar isso ‘pra lavar o qili me pediu pois ele está de ressaca. - falou em um único fôlego, talvez tivesse cuspido as palavras rápido demais, mas ainda torcia para que tivesse soado convincente o suficiente, não queria ter de dar explicações. quem sabe mais um sorriso amarelo não ajudava a convencer?
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“o que o qili quer no meu quarto no meio da madrugada?” newt pensou ao ver autumn voltar ao cômodo acompanhada do rapaz. quer dizer, a garota ele não achava estranho ver, afinal, eram colegas de quarto, mas o qili não era tipo... da ralien? estava quietinho em sua cama após ter sido enxotado da festa, dando uma olhada nas coisas que havia roubado da mesa de comida, e não esperava ver ninguém tão cedo. analisando-os, foi fácil perceber que estavam completamente alterados. - pelo visto trazer honra ‘pra china pode esperar, né? - lembrava de sussurrar para si mesmo conforme a ficha caía. queria, na verdade, que nunca tivesse caído, mas talvez fosse melhor fazer a dedução por conta própria do que ouvir dos lábios deles o que planejavam fazer. sendo assim, reuniu suas coisas de volta dentro da bolsa carteiro, e estava pronto para dormir na sala comunal da aderem, quando ouviu o filho de mulan falar um trôpego “dorme lá no meu quarto, guri! pode pegar o cobertor fofinho”. sem questionar muito, o rapaz simplesmente obedeceu, afinal, dormir numa das camas confortáveis e macias da ralien parecia bem mais atrativo do que uma das poltronas da sala comunal.
e foi assim que newt terminou se esgueirando para fora da ralien pela manhã, carregando sua bolsa carteiro, que estava bem mais vazia do que na noite anterior, e dois cobertores fofinhos, que ele tentava inutilmente esconder de alguma forma. com sorte, conseguiria os levar para seu quarto antes de ser pego por um professor ou outro aluno da ralien. seus planos, é claro, sempre tinham um percentual altíssimo de acabar em merda, então, era óbvio que ele ia acabar esbarrando em alguém. - você não me viu aqui! você nem me conhece! - ele disse imediatamente ao se virar para a pessoa, nem se importando em identificar o individuo de antemão, pronto para sair correndo. aqueles cobertores eram seus agora.
Jane não devia estar surpresa. Seu irmão era bom em duas coisas: quebrar regras e se meter onde não fora chamado. Mesmo que lhe faltasse apenas um ano para a maioridade, é claro que Newton não conteria a curiosidade e teimosia diante de um irresistível evento proibido. Ainda assim, isso não impediu o choque — e ira — da mais velha quando avistara o garoto discretamente enfiar comidas do festival dentro de sua bolsa, esperando que ninguém percebesse que um aprendiz de dezessete anos estava perambulando por uma festa regada a vinho alucinógeno. O sangue em suas veias esquentou e ela abriu a boca para falar: “Newton, seu-” Mas o irmão interrompeu-a antes de sair correndo. Para o grande azar de Newton Darling, sua irmã escolhera sandálias rasteiras para usar naquela noite, já que, sendo o Calanmai uma celebração na floresta, temia que saltos — que nunca gostara de usar, por sinal — afundassem na grama e tornassem andar e dançar uma grande dor de cabeça. Ela agradeceu a si mesma por ter feito esta escolha, e no momento em que o mais novo disparou, Jane o seguiu. Para a grande sorte de Jane Darling, seu irmão constantemente subestimava sua boa condição física.
“Newton Darling, você volte aqui agora!” Esbravejou, fazendo seu caminho entre aprendizes bêbados e desorientados, e os poucos sóbrios que assistiam à cena pareciam confusos. Não demorou para alcançar o irmão, no entanto, e segurou-o pela gola da camisa, puxando-o para trás antes que ele pudesse voltar a correr. Ofegante e irritada, virou o garoto para encará-la e disse: “O que cê pensa que tá fazendo, hein?” Seu olhar foi do rosto culpado de Newt até a bolsa que ele carregava, e com um apontar do queixo para ela, Jane demandou: “Anda, abre.”Não o impediria de levar alguns aperitivos de volta para o dormitório, mas, conhecendo-o, deduzia que o irmão estivesse atrás do famoso vinho feérico, e a última coisa que ela desejava era ter que lidar com um Newt pirado em droga de fada. Ele já era suficientemente agitado quando sóbrio. “C’mon, Newt, can’t I get a fucking break?¹ Você sabe que não devia estar aqui.”
como sempre, o cálculo do rapaz com relação às próprias chances havia sido precipitado. ou não. a realidade é que o garoto tinha plena consciência de sua falta de sorte e de sua capacidade, ou falta dela, de se safar das perseguições de sua irmã. contudo, como de costume, ele não estava nem aí e, no fundo, tinha certa esperança de que escaparia mesmo que por pouco. é claro que, mais uma vez, havia dado com os burros n’água. jane o pegara relativamente rápido mesmo depois que ele se embrenhou no meio dos bêbados e drogados, a fim de atrasá-la. um indicativo definitivo de que ela não estava usando salto. que droga. será que uma vez na vida ele não ia conseguir fugir de jane com seus artigos emprestados?? - ack! - deixou o som esganiçado escapar quando a gola de sua camiseta, ao ser puxada, apertou sua garganta. incapaz de lutar contra o aperto da irmã em sua camisa sem acabar se enforcando, deu-se por vencido e se deixou puxar para encará-la. - ee-eu estou investindo no meu futuro! - disparou, segurando sua bolsa carteiro com ambas as mãos. - imagina só se eu tiver everapple pra vender depois que a festa acabar?! eu posso ganhar dinheiro suficiente ‘pra fazer um negócio só meu, huh?! - disse, orgulhoso de seu pensamento, embora tivesse acabado de inventar tudo aquilo. para sua irmã mais velha seria fácil ver que era enrolação, já que newt era um péssimo mentiroso e devia exibir cerca de cinquenta tiques diferentes quando mentia. o darling não estava exatamente interessado em enrolar a irmã no momento, todavia, havia aprendido por experiência que, às vezes, é melhor não admitir de cara suas más intenções. com um pouquinho de lábia quem sabe não conseguia acalmar sua irmã antes de levar um esporro colossal? - sua mão ‘tá podre por acaso? se quiser ver o que tem aqui abre você. - abraçou a bolsa com mais força quando ouviu o pedido para que a abrisse, ele estava mesmo atrás do vinho dos sonhos, como a garota deduzira, mas não havia tido tempo suficiente para escolher o que ia colocar na bolsa, então nem ele sabia o que tinha enfiado ali dentro. - ‘tis yer break already!² - gesticulou em direção à festa, deixando bem claro sua insatisfação por não poder participar. - deixa eu me divertir um pouco!
regras e limites nunca foram suficientes para manter newton parado por muito tempo, ele era o tipo de pessoa que olhava pros limites e pensava “há! limites! pffff”, mesmo que, no fim das contas, acabasse em uma grande confusão por ignorar regras que serviam, normalmente, para manter sua segurança. sendo assim, foi com certa facilidade que decidiu que iria dar um perdido nos professores e entrar de penetra na festança. havia ouvido muitos comentários sobre o “vinho dos sonhos” e tinha certeza de que precisava provar, mas talvez parasse na degustação, para ele a graça estava em lembrar de todas as besteiras que tinha feito na noite anterior. por piores que fossem. precisou de algumas tentativas e teve que atravessar certas dificuldades, mas, por fim, chegou à floresta, onde, sem muito esforço, se misturou aos outros alunos. sem mais delongas, dirigiu-se à mesa do banquete, procurando por uma bela taça de vinho dos sonhos, contudo, acabou se perdendo nas possibilidades, tinha tanta coisa bonita naquela mesa, talvez, no fim, acabasse comendo um pouquinho de tudo e... seu corpo inteiro congelou quando seus olhos castanhos encontraram os familiares olhos azuis de sua irmã, do outro lado da mesa. - ih... fudeu. - disse baixinho, para si mesmo, pois viu que jane ainda estava sóbria o suficiente para identificar sua presença ali como indesejada e inadequada. ele até já conseguia ouvir o grandioso e enfático grito que ela daria: “newton, seu merdinha!”. trabalhando rápido, o rapaz enfiou um monte de coisas aleatórias em sua bolsa carteiro, que havia trazido exclusivamente para roubar petiscos da festa . - espero que você não esteja de salto. se estiver, boa sorte! - e saiu correndo, desejando do fundo do coração que sua irmãzinha estivesse usando um salto agulha de quinze centímetros, e que, na perseguição à sua pessoa, conseguisse apenas abrir um buraco para o centro da terra no gramado da floresta.
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Merlin e seus interrogatórios. Uma experiência que Brooke não queria repetir pelo resto de sua vida; o fato de ter vivenciado apenas uma vez foi o suficiente para que aumentasse o nervosismo que a garota já sentia naturalmente, então, se alguém encontrasse a filha de Gothel pelos corredores, veria-a totalmente como um pilha de nervos que parecia que iria ter um ataque a qualquer momento. Embora tivesse sentido todo esse sentimento de ansiedade, Brooke estava tentando ao máximo ficar distraída para que seus pensamentos não focassem naquela sensação e encontrava-se fazendo qualquer atividade, não importando qual seria a trabalheira que iria lidar. Assim, caminhava pelos corredores com seus braços cheios de papéis com ideias de coreografias que ela tinha escrito - quando a insônia lhe pegou de jeito durante a madrugada - para apresentar para o clube, torcia para que alguma dessa ideia. Por causa disso, ela não notara a aproximação de Newt até que escutou a voz dele e por um segundo, Brooke quase perdeu o equilíbrio. Segurou suas folhas com folha para que não caísse e depois deu uma olhada para o rapaz, sabendo que uma expressão de uma leve irritação começava a se formar nos traços do seu rosto. - Newt… Oi. - Respondeu em um tom levemente desconfiando, arqueando as sobrancelhas para as perguntas do rapaz devido ao fato de que elas estavam sendo feitas de forma tão… De paz, talvez. Brooke ainda lembrava da briga que tivera do garoto no final do passeio, mais uma briga com Newt para sua lista. Ela achava que as coisas não iriam melhorar nunca, visto que o que houve no passado, deixou-a bastante decepcionada. - É, pareceu que sim. Foi pesada. Sim. - Suas respostas estavam saindo de forma curtas e com um sentido que ela não estava afim de conversa, no entanto, seu inconsciente começava a perturbá-la que talvez já estava na hora de escutá-lo um pouco. Assim, ela soltou um suspiro antes de perguntá-lo: - O que você deseja, Newt? Conversar sobre o que, de verdade?
suas intenções foram descobertas com tanta rapidez que o deixaram levemente atordoado. esperava que a garota comprasse seu teatro por pelo menos alguns minutos, mas, a quem estava querendo enganar? apesar de ser um bom ator, era um péssimo mentiroso. aquele tipo de situação não era seu forte, além do mais, não estava interpretando papel nenhum naquele momento. era apenas ele; o desastrado, inseguro e patético newton darling. as respostas curtas da garota indicavam que, desde o início não estava disposta a dialogar, o que só contribuiu para deixá-lo ainda mais nervoso. suas mãos começaram a suar e seus olhos procuraram refúgio em qualquer outro canto do ambiente, no teto, no chão... de repente seus sapatos surrados pareciam absurdamente interessantes. - bem, já que você perguntou... - começou, de forma quase tímida, mas já acelerando um pouco o ritmo das palavras ditas, como costumava fazer quando estava nervoso. - eu vim pedir desculpas. - decidiu ir direto ao ponto. - sabe, eu ‘tô tentando dizer isso tem um tempinho, mas ‘tava difícil. desculpa ter te chateado... - coçou a nuca, respirando fundo enquanto tomava coragem para voltar a olhá-la nos olhos. - sinto muito por tudo que aconteceu com seu broche, eu não fiz de propósito, sério. eu sei que isso não vai consertar ele nem mudar o que eu fiz, mas eu ‘tô sendo sincero. - um dos pontos fortes do garoto era ser brutalmente honesto, independente da situação, de forma que as palavras vinham com certa naturalidade, quase como se tivesse ensaiado aquele discurso, contudo, apenas estava externando o que seu coração dizia. - ... eu gostava da nossa amizade, não queria perder ela assim... mas eu vou entender se você não quiser mais ser minha amiga. só queria que você soubesse que eu realmente sinto muito.
Às vezes, a risada de Newton a reconfortava. Era uma lembrança da alegria e ingenuidade do seu irmão mais novo, de como as coisas podiam ser mais fáceis perto dele. Sabia que, independente do clima em Aether ou da negatividade ao redor dela, Newt sempre encontraria um motivo para rir e tornar tudo um pouco mais leve. Já em outras, sua risada era razão para que Jane desejasse bater com um livro no topo da cabeça do irmão. Aquela era uma situação da segunda alternativa. Estava estressada o suficiente sem que ele enchesse seus ouvidos de provocações e asneiras. “Ressaca?” Ela ergueu uma sobrancelha ao virar-se para encará-lo, lançando-o um olhar repreensivo. Não que não soubesse do que Newton fazia quando ela não estava por perto para vigiá-lo — era amigo de Bart, afinal, e Jane não era burra. “Não vou invocar um demônio.” Suspirou, sem querer oferecê-lo mais detalhes. Não gostaria de preocupá-lo com a possibilidade de estar sendo perseguida por uma criatura das trevas em seu sono. Assim, fechou o livro e juntou-o aos outros espalhados na mesa. Sem dizer mais uma palavra, aceitou a pomada que o irmão a estendera, pôs um pouco na ponta do dedo e, com ele, massageou a testa, que provavelmente estava vermelha. “Não tem nada a ver com isso, Newt, não se preocupa. Isso é pra um… trabalho. Peguei Defesa Contra as Artes das Trevas como eletiva esse ano.” Mentiu, tendo cuidado para não olhar diretamente para o garoto. Seus olhos sempre denunciavam suas mentiras. “E você não tem aula nesse horário?”
quando newt notava que jane estava excessivamente estressada, ele tinha duas opções; ser um bom irmão e se preocupar ou irritá-la ainda mais para ver se ela se distraía. naquela ocasião, havia optado por fazer o mínimo e ser um bom irmão. do seu jeito, é claro. o olhar repreensivo da mais velha não provocou reações no rapaz que, em resposta, apenas deu de ombros. não fazia nada escondido da garota, de sua mãe talvez fizesse algumas coisas, mas de sua irmã dificilmente sentia a necessidade de esconder algo. - res-sa-ca. quer que eu repita de novo? ou prefere que eu busque um aparelho auditivo? - repetiu pausadamente, sabia que jane não era surda e muito menos cega, e sabia, também, que ela notaria alguma coisa em seu comportamento que o entregaria se não tivesse falado com todas as letras. algo como a languidez em seus movimentos, a voz mais arrastada ou as reclamações constantes de dor de cabeça. era melhor simplesmente falar na cara que havia se drogado até desmaiar na noite anterior. quando a negativa da outra com relação as suas intenções veio, o darling fez uma careta de decepção. - que pena, eu acho q a escola ‘tava precisando de um desses ‘pra melhorar os ânimos. sabe, só pra acontecer algo diferente e emocionante ‘pra variar. - os conceitos de “diferente e emocionante” de newt costumavam ser bem distintos do convencional, bem como seus conceitos com relação à maioria das coisas. - talvez sim, talvez não, isso é debatível. - respondeu ao ser questionado sobre suas aulas, sem querer dar uma resposta certa à garota, embora soubesse que jane provavelmente deduziria que o mais esperado é que ele estava matando aula mesmo. - mas não mude de assunto. - sabia qual era a intenção da irmã ali e não se deixaria enganar. ele a conhecia há dezessete anos, pelas suas contas, era o suficiente para conhecê-la bem, e, naquele momento, estava se reservando o direito de estar preocupado. - se não tem nada a ver com seus pesadelos, fala aí desse trabalho, parece bem mais legal do que qualquer um dos que eu tenho ‘pra fazer. vocês tem que falar sobre o que? é escrito ou é apresentação? você tem que fazer algum desenho? qual o objetivo acadêmico?
Naquela tarde Crystalia entrava no Salão de Convivência com um vaso de flores nas mãos e um sorriso gigantesco nos lábios. Havia criado as plantinhas coloridas com suas próprias mãos e o local em mente. Colocou o vaso sobre a mesa e virou-se para o aluno que descansava ali com animação. “Olha como o ambiente muda quando temos flores em volta!” A princesa não apenas era um ser elemental e a conexão que tinha com a natureza era extrema, como também era uma ativista ambiental assumida. Não podiam esperar que ela pensasse diferente. “Enfeiticei para que ela demore bem mais para murchar, mas vou cuidar para durar ainda mais tempo. Esse lugar precisava de uma vibe nova, não acha?”
estava um pouco perdido em pensamentos, como era de costume quando estava sozinho, quando a garota chegou com as flores e o abordou, dando-lhe um pequeno susto. a chegada repentina da moça, porem, não o desencorajou a interagir. - depende do ambiente, né?! - ergueu uma sobrancelha, enquanto um sorriso ligeiramente irônico dançava no canto de seus lábios. naquele momento, o ambiente de aether não emanava a melhor das vibes, as pessoas ainda estavam um pouco abaladas com os desaparecimentos. para newt, as flores, apesar de darem mais cor ao local, apenas reforçavam o clima cadavérico que estava no ar. - flores também são comuns em funerais. várias e várias flores. eu diria que combina mais do que nunca com a vibe atual.
—— A sua postura está um horror. Você está ciente disso, não está? —— A reclamação da princesa logo fora ouvida, encerrando um silêncio um tanto quanto desconfortável. —— Se quiser arrumar uma lesão hedionda para a sua coluna, então, continue desse jeito aí mesmo… —— Mesmo preocupada com os outros, nunca fora um exemplo de gentileza ao fazê-lo. Sua querida mãe tentava lhe ensinar sempre a se portar com mais amor, contudo, a princesinha era prática e objetiva demais para levar os conselhos de Cinderella para a sua rotina de modo satisfatório. —— …mas é melhor parar e ver o que está fazendo de errado. Sério, hérnia é uma mazela difícil de ser consertada pelas fadas enfermeiras.
- estou. - o rapaz respondeu sem hesitar, enquanto continuava a escrever em um de seus diários. newt não dava a mínima para o que a princesa achava e não tinha a intenção de mudar seu comportamento por causa dela. - já que você ‘tá tão preocupada, vou mandar a conta do tratamento médico da minha coluna pro seu reino. esse seu papo deve ser um convite pra pagar as despesas, né? - riu, chacolhando os ombros, ainda sem tirar os olhos de seu caderninho, como que para ressaltar que não dava a mínima para a etiqueta e boa postura pregada pela princesa.
ao acordar naquela manhã, newt não esperava encontrar nada diferente, pelo menos não ainda, uma vez que fada azul e merlin provavelmente ainda estavam revisando todos os interrogatórios. acreditava que, tirando a óbvia tensão no ar e o cansaço de todos, seria um dia letivo como qualquer outro. entretanto, ao sentar-se, o rapaz descobriu que estava redondamente errado. seus pés nem precisaram tocar o chão para que sentisse algo molhado e gelado tocando seus tornozelos, em reflexo, puxou os pés de volta e se forçou a expulsar a sonolência do corpo para olhar ao redor. pelo narrador estava chovendo! dentro do quarto! o chão estava completamente alagado. newt esfregou os olhos e até se beliscou, apenas para ter certeza de que não estava dormindo. rapidamente, buscou pela figura de bart no outro beliche, que ainda dormia tranquilamente na cama de baixo, protegido pelo colchão da cama de cima. e falando nisso... imediatamente, o darling ergueu o olhar para o colchão acima do seu, lembrando que, diferente de bart, alguém dormia em cima de seu beliche, e esse alguém era meili. por cima do barulho da chuva, agora que estava mais atento, o rapaz conseguia ouvir pequenos soluços. sem demora e sem descer de sua própria cama, o jovem se segurou na escada que levava à cama de cima e subiu, ficando um pouco molhado por causa das gotas de chuva que agora o atingiam. - uh... bom dia, meimei! - disse, com um sorriso amarelo, tentando ser simpático para não deixar a garota que chorava ainda mais triste ou frustrada. rapidamente ele se sentou ao lado de @fameili , a fim de fugir dos pingos incessantes que, aparentemente, não estavam molhando a cama da chinesa. - então... você quer um abraço? quer conversar? o que aconteceu? conta ‘pra mim, eu juro que eu sou um irmão legal quando eu quero.
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a última noite havia sido particularmente exaustiva para todos os alunos, que haviam passado várias horas em claro, juntamente do diretor, para responder uma quantidade desnecessariamente grande, na humilde opinião de newt, de perguntas. não era à toa que a maioria de seus colegas ou parecia um zumbi ou estava uma pilha de nervos. newt estava mais para a primeira opção, se arrastando pelos corredores com um olhar cansado, queria dormir e, talvez, comer um dos bolinhos batizados de anette. contudo, ao avistar brooke nos corredores, não conseguiu não pensar no desentendimento que teve com a garota no parque de diversões. estava mesmo tentando se reaproximar dela, não queria que ficassem brigados para sempre, queria pedir desculpas, mas encontrar uma abertura estava sendo difícil. gostava da amizade que tinham, e deixar tudo a perder por causa do que havia feito não lhe parecia certo. estava, inclusive, ignorando o fato de que achava que o namoro entre ela e bart era história ‘pra boi dormir, pois não acreditava que devia misturar as coisas. sua amizade com @littlegotbrooke nada tinha a ver com aquele assunto. aproximou-se dela discretamente e decidiu puxar assunto como quem não quer nada, talvez se começasse falando sobre outra coisa conseguisse chegar na parte das desculpas. - oi! oi, brooke! - cumprimentou, com um sorriso. - então, esse negócio das interrogações foi meio pesado, né? achei que o diretor ‘tava muito estressado. como foi sua interrogação? o merlin deu alguma surtada?
claro que aquela seria a resposta de newt. provavelmente existia alguma lei do sindicato de melhores amigos que os obrigava a tentarem levantar o ego uns dos outros. não que fosse ruim, sempre era algo bom quando uma pessoa de tanta importância reconhecia sua relevância. só não era, bem, o bastante. mas, o que era o bastante agora era que estavam agindo como antes daquela maldita festa. daquele namoro. antes de todas as coisas que se seguiram por culpa de um medo seu. ainda existia, claro, mas não tinha cabeça nem paciência para lidar com si mesmo quando existiam tantas coisas externas lhe drenando. ─── você é do tipo que tem sidekick. seu problema é que você é magrelo, né? vai estar a frente do seu tempo quando ganhar seu conto. ─── sentiu obrigação de zoar apenas um pouquinho, apesar de ainda ser um elogio. ─── eu.. sei lá, né? vamos tentar pintar a minha cara pra ver se você tira suas próprias conclusões. ─── conseguiu finalmente sorrir, mesmo que a custo de fazer piadas consigo mesmo. era um costume. ─── mas, sério, acho que sim? eu já me conformei, então sei lá, vou ficar com as minhas pinturas, vender minha arte por todos os reinos e acabar encontrando algum herói em algum deles e aí vou me convidar pra uma jornada de aventuras. mas vai que né? não sei dizer. nem tô falando coisa com coisa mais.
apesar da resposta de newt estar dentro do esperado por bart, e de realmente estar nos parâmetros de um tipo de código não escrito entre eles, o garoto estava apenas externando o que pensava. talvez, um dia, ele dissesse ao outro o quanto o achava incrível. um dia. não conseguiu conter a risada diante do que o amigo disse, mas apreciava o elogio. ele, um protagonista? podia dizer que estava bem dentro do que sonhava para si. aquele era o tipo de expectativa que ele gostaria de atender. - ah, obrigado. e qual seria o nome do meu conto? “magricela ganha uma história”? “palito revolucionário”? “vareta relevante”? - brincou também, rindo um pouco mais ao final, contente por ver o semblante alheio se iluminar com um sorriso. - aí depende, se você me deixar pintar a sua cara pode ser algo bem diferente do que você espera. reações podem variar, não garanto satisfação ao consumidor. - conseguia imaginar muitas coisas para pintar no rosto de bart e nenhuma delas era uma maquiagem de palhaço, que era, provavelmente, ao que o rapaz se referia quando falara sobre pintar sua cara. newt também não era nenhum desenhista ou pintor, mas havia passado tempo suficiente no clube de teatro para saber fazer maquiagens bem decentes. - eu realmente acho que você se subestima demais, cara. - repetiu, diante da resposta dele, suspirando. - mas eu não acho que eu possa fazer alguma coisa ‘pra mudar como você pensa, né?! já que você ‘tá conformado. e eu acho que o que ‘cê falou faz sentido, na verdade. é melhor do que não ter plano nenhum. - por enquanto, o futuro de newt envolvia seguir em frente na base do improviso. o que era ao mesmo tempo libertador e aterrorizante. - você me aceita de agente e publicitário se nada der certo ‘pra mim? prometo que faço propagandas bacanas da sua arte.
Era verdade que o seu quarto era uma creche, repleta de adolescentes com relações complicadas e um péssimo hábito de espalhar meias por aí, contudo, eram suas crianças, seus irmãozinhos mais novos de consideração. Meili fazia toda a questão de cuidar dos meninos, afinal, a irmã mais velha de Newt poderia ser presa por agressão a qualquer momento e Bart não tinha uma boa relação com os familiares num geral. A jovem acreditava que havia uma grande possibilidade de o clã dos Fa ser a única família funcional no Instituto, já que tantos aprendizes reclamavam dos parentes de sangue. Se importava tanto com os meninos que percebia quando as coisas pareciam estar erradas, todavia, não se metia nos assuntos dos mais novos justamente para não pagar de irmã mais velha enxerida e inconveniente. Era uma questão de tempo para que se abrissem, Meili só não esperava que iria ser no meio de um parque de diversões, enquanto aproveitavam uma maçã do amor docinha e caramelada. Ela não se opôs à fala do garoto, deixando o desabafo fluir livremente e observando a vergonha aparecer na superfície. Céus, chegava a ser ridículo o quanto Meimei entendia aquele sentimento. —— Okay, vamos lá, vamos ver se eu entendi direito a situação: na festa, você quase ficou com um garoto e está triste porque não rolou, né? Mas não é um garoto qualquer, porque você quase sumiu para o centro de Mítica só de falar dele. —— A chinesa pontuou, levantando as sobrancelhas. —— Olha, Newt, Eu sou muito do tipo que prefere se arrepender do que ficar sendo consumida por isso eternamente. Mas se é algo sério do tipo “eu não sei se é muito fogo no rabo ou se eu gosto dele”, talvez seja uma boa segurar um pouquinho e entender os seus sentimentos primeiro. —— Disse da maneira mais clara que conseguia, esperando que ele entendesse o que ela queria dizer. —— Tem uma diferença significativa em querer beijar em festa casualmente para sonhar com isso em dias aleatórios, as atitudes a tomar a partir disso também são diferentes. Se fosse algo simples, um jogo de desafio ou até mesmo uma poção da coragem resolvia para um dia, mas não resolve gostar. —— Ponderando um pouco antes de completar o seu raciocínio, Meimei chegou na pergunta que deveria ter feito primeiro: —— Mas você já perguntou para ele como ele se sente ou isso não é uma opção?
- sim, é, é isso. - concordou de imediato, não conseguindo conter sua própria fala ao ouvir a resposta da outra, contudo, assim que ouviu o final da sentença, se endireitou e sentou-se direito, imaginando o quão patética a cena devia ter sido. suas bochechas queimaram com mais intensidade pela vergonha. para falar a verdade, newt não tinha pensado muito naquele assunto, não da forma que meili falava. provavelmente porque não havia parado para ponderar no quanto bart não se encaixava na descrição de “garoto qualquer”. agora que a chinesa havia tocado no tópico, não conseguia mais discordar, porque ele era mesmo especial em vários sentidos. começando pelo fato de ser seu melhor amigo. essa, provavelmente, era a cereja do bolo, porque só deixava tudo mais bagunçado e complicado. - é, eu acho que ele não é mesmo, não. - concordou por fim, dando mais uma mordida em sua maçã do amor enquanto a ouvia falar. - tá, mas, como que eu vou entender isso direito? - perguntou, visivelmente frustrado e confuso. - porque eu não sei diferenciar isso não, eu nunca gostei de verdade de ninguém. pensei em pedir ‘pra ele me beijar ‘pra ver se passa a vontade... mas se eu continuar pensando nele aí eu vou saber que não é só fogo no rabo, né? - disse, como se cada palavra daqueles frases fizesse muito sentido e, na realidade, em sua cabeça fazia sim. esperava que para meili também fizesse. - e se eu ficar sabendo, eu falo pra ele. eu não sou de guardar as coisas ‘pra mim. - tanto é que estava ali, falando daquilo para a garota. se descobrisse que estava apaixonado por seu melhor amigo, preferia que ele falasse de uma vez que não era recíproco, para que pudesse calmamente pensar num jeito de superar o sentimento. decidiu comer mais de sua maçã caramelada para que o doce não derretesse e grudasse em sua mão, algo que, talvez, devesse ter decidido fazer mais tarde, já que a última pergunta de meili quase o fez engasgar. - e-eu não sei... - disse depois de engolir com sucesso o pedaço da maçã que havia abocanhado. - acho que ele sempre tem muita coisa na cabeça, por isso nunca havia pensado em perguntar algo do tipo ‘pra ele... mas, sei lá... sabe a história sobre ele dizer que o quase-beijo foi porque ele perdeu o equilíbrio? fico pensando que, talvez, ele só vai desviar do assunto ou não ser sincero, sabe?
“what if i fall?” oh my darling but what if you fly?
so come with me where dreams are born
& time is never planned.
just think on happy things and your heart will
fly on wings, forever.
Rachel Weiz as Wendy Darling
Tom Hiddleston as Edward Darling
Danielle Rose Russell as Lily Jane Darling
Jack Dylan Grazer as Newton Darling
Jackson Robert Scott as Daniel Darling
“ — é ariela, A-R-I-E-L-A!” disse em alto e bom tom brincando com o nome, as orbes escuras se contendo para não revirarem. “ — não tem nada haver com ariel porque todos acham isso? quer dizer porque minha mãe iria querer que eu fosse como ela?” a marmoreal mordeu o lábio porque até que fazia algum sentindo, a mulher adoraria que ela fosse idiota como a princesa, o bastante para deixar o reino branco apenas por fogo, até parece. “ — quer dizer leoa, sabe o que isso significa?” tentou conte o sorriso esnobe. “ — sabedoria, poder, coragem, acho que é melhor para uma herdeira…” engoliu em seco em dizer aquele nome porque ela não era mais afinal a futura rainha do país das maravilhas. “ — sabe… ter essa qualidades que ter o nome em homenagem a uma princesa que deixou seu povo por causa de homem, quer dizer, o encantado não poderia ter aceitado ela como sereia? que tipo de relacionamento é esse! merlin me livre.” pressionou os lábios nervosa… e se a pessoa com quem conversasse fosse umx defensorx da princesa? ou até prole da mesma, cruzes. “ — sorry, not sorry.”
para um starter fechado da like aqui em baixo e eu te chamo no chat pra combinar!
- sei lá, você meio que tá falando sozinha já que ninguém aqui te chamou pelo nome. - o rapaz disse, erguendo uma sobrancelha enquanto encarava a garota que fazia explicações exageradas sobre seu nome sem um motivo aparente. o jovem comia batatas fritas em um saquinho, com uma cara enorme de tédio, enquanto a ouvia falar. mas, bem, aquilo podia ser facilmente remediado, e conhecendo o filho de wendy ele sabia exatamente como. - olha, esse papo de que a rainha ariel procurou um jeito de virar humana por causa de macho ‘tá bem ultrapassado. militou errado, volte três casas. - falou, enfiando uma batatinha na boca, mas sendo rápido em prosseguir para a frase seguinte, uma vez que o darling estava apenas começando. - a ariel quis virar humana ‘pra conhecer o mundo humano, o eric veio depois, meio que de bônus. além do mais, se ela gostou daqui e decidiu ficar com o cara que ela gostava como humana, é uma decisão dela, completamente válida, e não tem nada a ver com sua vida. - sorriu, ignorando o comportamento esnobe da garota. - você devia pesquisar mais antes de sair insultando o conto alheio, sabe?! eu não ‘tô querendo te chamar de burra nem nada, mas... - interrompeu-se, fazendo uma careta de quem claramente fingia estar pensativo. - não, espera, na verdade eu ‘tô sim.
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─── eu sei que está todo mundo preocupado, com medo, triste e/ou zangado, mas eu tenho que tirar isso do meu peito. ─── começou, mordendo o lábio inferior para criar um suspense maior. não tinha como, era claramente um palhaço, apesar de lá no fundo também estar sentindo todas as emoções citadas. ─── fiquei lisonjeado do merlin achar que eu tenho essa moral, tá ligado? porra, logo eu? suspeito? achei surreal demais. aliás, sei que essas paradas são erradas, mas cê acha que você se encaixa no estereótipo que te colocam? tipo de ser vilãozão, mocinho, alívio cômico e pá?
sentado ao lado de bart, newt se sentia relaxado pela primeira vez em quase dois dias inteiros. todos os eventos que se seguiram desde a volta do parque haviam drenado praticamente todas as suas forças, contudo, o garoto era seu melhor amigo, e uma das poucas pessoas com quem conseguia se sentir à vontade não importava a circunstância, mesmo que as coisas ainda estivessem meio complicadas entre eles. em prol da sanidade mental de ambos, o darling havia decidido não tocar no assunto por um tempo, e só aproveitar a companhia reconfortante do outro. uma risadinha escapou por seus lábios ao ouvir a pergunta do outro, tomando um gole de sua própria garrafa de bebida logo em seguida. - não acho tão surreal assim, eu acho que você se subestima demais. - foi sincero, sem exatamente olhar para ele, seus olhos se focavam em pontos aleatórios do local que estavam. - não. - respondeu, rápido, de maneira quase seca. às vezes, newton tinha raiva do esteriótipo que lhe associavam, especialmente porque ele não precisava da ajuda de ninguém para se sentir um fracassado. - eu acho que as pessoas que me associam a um esteriótipo não me conhecem, e eu não sou obrigado a atender as expectativas delas, então, é, não tenho nada a ver com o sidekick engraçado, desastrado e sem importância. definitivamente não tenho... - falou a última parte um pouco baixo, como se estivesse tentando convencer a si mesmo também. - ... e você?
TASK 004 - “eu conheço meus direitos, diretor!” || interrogatório: caso “ilha dos prazeres” || interrogado: newton darling.
por mais incrível que pareça, não era assim tão comum para newt se encontrar na sala do diretor. apesar de ser conhecido por causar diversos problemas com sua enorme boquinha, a maioria deles não chegava aos ouvidos do mago. eram picuinhas pequenas, provocações bobas e, ocasionalmente, sua irmã correndo atrás dele com um taco de lacrosse. nada demais. nas poucas vezes que o darling foi à sala de merlin o motivo envolvia algo mais sério, uma troca de socos séria ou explosão na sala de poções. todavia, nada poderia ser comparado à gravidade daquela situação em particular.
nem todos os cálculos de probabilidade do mundo seriam capazes de prepará-lo para aquela situação. o rapaz já havia secado todas as suas canetinhas e gastado todo o espaço disponível em seus braços fazendo contas, tentando prever qual a probabilidade de enganar merlin com uma mentirinha caso fosse necessário. quando entrou na sala e viu a fada azul encostada no cantinho a resposta, é claro, ficou óbvia, fazendo-o soltar um suspiro de frustração. talvez não devesse ter perdido tanto tempo com matemática inútil, mas agora já não adiantava chorar sobre o leite derramado. além do mais, ele precisava ocupar a mente de alguma forma até sua vez chegar, ou a quantidade de pensamentos desenfreados em sua cachola o consumiria por inteiro. não estava exatamente preocupado com ser acusado de algo, na verdade, este era um acontecimento constante em sua vida. tampouco tinha muito interesse nos sumiços, não tinha intimidade com a maioria deles. sua preocupação era com quem ainda estava ali. jane estava uma pilha de nervos e pela primeira vez na vida ele não sentia vontade de irritá-la, queria abraçá-la e dizer que ia ficar tudo bem e ser, para variar, um bom irmão. descendentes de contos famosos haviam sumido daquela vez, não havia como prever quem seria o próximo. e se fosse meili? ou jane? ou bart? ou danny? o pensamento de ter seu irmão mais novo entre uma lista de desaparecidos fez a cor sumir por completo de seu rosto.
— sente-se, rapaz. — o diretor pediu, ao ver que newt havia ficado tempo demais parado perto da porta.
— ah, sim, claro! — ao ter a linha de raciocínio quebrada pela voz do velho, o rapaz se apressou em sair do estado de objeto imóvel em que se encontrava e sentou-se na cadeira disponível na frente da mesa de merlin.
— está tudo bem com você? — a fada azul indagou, com uma ruga de preocupação pintando seu rosto imaculado. — está um pouco pálido...
— ‘tô... ‘tô bem sim, eu acho. só um pouco preocupado. — respondeu, lançando um sorriso amarelo à fada. — ah, e não tem nada a ver com a interrogação! — apressou-se em acrescentar.
— bem, se este é o caso, vamos começar, não gostaria de demorar mais do que o necessário. — merlin suspirou, visivelmente cansado. era realmente uma pena que estivesse interrogando newton agora, o garoto era praticamente uma jukebox humana e a probabilidade de aquela sessão de perguntas ser insuportavelmente longa era altíssima. — primeiro, gostaríamos de que ficasse ciente de que esta interrogação está sendo registrada. — ele maneou a cabeça em direção à uma pena encantada que diligentemente fazia anotações. — segundo, pelo tempo que passou parado junto à porta encarando-a você já deve ter deduzido, mas irei falar mesmo assim; a fada azul está aqui como uma mediadora da verdade.
com mais um suspiro, o homem puxou um papel em sua mesa como se verificasse a sequência de perguntas mais uma vez, como se apenas para garantir que não haviam mudado. diante dessa ação, newt concluiu que o velho tinha terminado seu pequeno discurso introdutório, e ergueu uma sobrancelha.
— é só isso?
— sim, é só isso, agora vamos às perg…
— você não vai dizer que eu tenho o direito de ficar calado ou algo assim? — o mago foi interrompido sem cerimônia alguma. — eu posso não ser tão inteligente, mas eu conheço meus direitos, senhor diretor! sabe, nenhum dos meus pais são policiais, mas já vi gente sendo presa na rua, os oficiais sempre falam sobre o direito de ficar calado. acho que é pra autopreservação sabe, pra esperar consultar um advogado e não falar nada comprometedor e tal etcetera. ‘cé não vai falar nada do tipo ‘pra mim, não? não é errado ocultar os meus direitos?
merlin precisou tirar um segundo para si, passando a mão pelos cabelos grisalhos, como se estivesse questionando sua decisão de ser diretor daquela escola.
— infelizmente, senhor darling, precisamos de todas as informações possíveis, então o seu direito de ficar calado está temporariamente revogado. além do mais, você não está sendo formalmente acusado de nada, responda às perguntas e, por favor, não me interrompa mais.
— s-sim, senhor! — newt respondeu, um pouco envergonhado por ter cortado a fala do diretor. — mas pode me chamar de outra coisa? “senhor darling” é como chamam meu pai, isso é meio esquisito de ouvir. acho que ainda não cheguei nesse patamar de imposição de respeito e velhice.
o mago parecia não ter forças para responder, ou melhor, parecia estar se esforçando para não responder de forma grosseira, já que o garoto insistia em se focar em questões completamente irrelevantes. parecendo pressentir que sua intervenção era necessária, a fada azul se manifestou:
— newton, então. está bom?
— sim! claro!
aparentemente satisfeito por poder, enfim, começar o interrogatório, merlin prosseguiu: — para registro, identifique-se: nome, idade, filiação, raça.
— newton darling, dezessete anos, segundo filho de wendy e edward darling, nascido em londres, inglaterra. sou humano e tenho o dom de… dar beijos de boa sorte. — afundou um pouco na cadeira ao dizer a última parte, sentindo o rosto corar. em parte porque nunca falava aquilo para ninguém, e em parte porque achava seu poder tão inútil quanto ele mesmo.
— qual foi a primeira coisa que fez assim que chegou à Ilha dos Prazeres?
— eu peguei um panfleto daqueles que tem as atrações do parque daí eu esbarrei com um garoto que também ‘tava olhando um panfleto e aí ele me perguntou “o que você vai fazer primeiro?” porque ele não ‘tava conseguindo decidir daí eu falei que eu obviamente ia fazer alguma coisa muito maneira tipo assustar pessoas no labirinto de espelhos ou explorar a boa vontade do alex e fazer ele acertar o alvo de todos os prêmios no tiro ao alvo ‘pra mim tinha várias coisas legais ‘pra ganhar, sabe? então eu pensei “poxa vai ser um trabalho de corno escolher só um acho que é melhor só pensar num jeito de conseguir tudo que eu quero” foi quando eu pensei que a solução óbvia era...
— senhor newton, por favor atenha-se somente ao conteúdo das perguntas. de preferência de forma concisa… e mais devagar, por favor.
— a-ah! sim! ‘tá bom! desculpa! — sentiu as bochechas queimarem diante da repreensão do velho, contudo, não é como se sua tagarelice fosse algo controlável. somente depois que o homem chamou atenção foi que percebeu que havia falado tudo num fôlego só, precisaria ficar mais atento e tentar, pelo menos, falar mais devagar. — foi mal, dona pena. — dirigiu a palavra à pena encantada que agora trabalhava num ritmo mais frenético para escrever tudo que ele dissera com tanta rapidez.
— viu algum dos aprendizes desaparecidos? era próximo de algum deles? tinha inimizade com algum deles?
— eu acho que provavelmente vi alguns deles, eu andei pelo parque quase inteiro e a ilha é pequena né?! mas não cheguei a falar com ninguém, porque não era particularmente próximo de nenhum deles. de vez em quando eu conversava com a cheryl, porque ela gostava de me dar palestrinha sobre como eu provocar minha irmã com certos assuntos era errado, mas nada além disso. e inimizades… — o garoto ficou pensativo por um instante. — bem, como eu disse, não era próximo de nenhum deles, então acho que não tinha como ter nem amizade nem inimizade, né?! eu não ia com a cara do ali e tentava ficar longe dele pelo histórico que ele tem, mas nunca tive nenhum problema direto com o cara.
— fez algo inusitado no passeio?
— defina inusitado. — newt fez uma careta. — isso é meio relativo. o que é inusitado ‘pra mim pode não ser ‘pra vocês e vice versa. dá ‘pra ser mais específico? tipo… inusitado como?
— algo fora do comum. — merlin se apressou em dizer, para ver se encerrava o falatório do menino antes que começasse de fato.
— algo que esteja fora dos padrões do que é considerado normal. — fada azul acrescentou, desejando ser o mais específica possível.
— ok, então eu só tenho que pensar que nem uma pessoa chata. — concluiu. subitamente, o garoto sentiu-se aliviado por estar de jaqueta, pois ela cobria as inúmeras contas matemáticas que fizera nos braços, não queria ser questionado por aquela esquisitice em particular. — nesse caso, acho que um pouco de tudo que eu fiz foi meio inusitado, eu realmente assustei um pessoal no labirinto de espelhos, mas primeiro eu ganhei todos os prêmios do tiro ao alvo com o alex. a gente foi expulso porque tinha mais gente querendo ganhar prêmio, sabia? — o rapaz soltou uma risadinha que traduzia um misto de divertimento e nervosismo. — mas acho que a coisa mais inusitada que eu fiz foi saltar fora do trem fantasma.
e assim, newt esperou pela próxima pergunta que, infelizmente, não veio. diante de sua declaração, os rostos do diretor e da fada o encaravam com um turbilhão de sentimentos que iam da preocupação à confusão. era sério mesmo que o tagarela tinha decidido parar de falar num ponto tão crucial?
— poderia nos dar um pouco mais de detalhes sobre isso, newton?
— ah, então agora vocês querem que eu fale? — o garoto ergueu uma sobrancelha, entretido.
— por favor, apenas responda. — a fada azul pediu.
— certo, trem fantasma. — como tinha interesse em sair da sala o quanto antes, decidiu cooperar. — pois é, eu achei que só aproveitar o passeio no tremzinho fosse ser muito careta, como eu sabia que as coisas eram todas de mentira, eu sabia que não iam me assustar. mas essa ilha tem fama de ser assombrada, né?! especialmente com toda a parada do tráfico infantil e coisa e tal. daí eu pensei “pô e se eu encontrar um fantasma de verdade? vai que né?!” então eu iniciei minha curta carreira de caça fantasmas no trem fantasma. no fim das contas achei um monte de bugigangas velhas que eram usadas no brinquedo antigamente, algumas eram até bonitinhas, mas nada assombrado. quando eu fiquei entediado eu segui ao lado dos trilhos e saí andando do túnel. — achou melhor omitir o fato de que havia pegado algumas dessa bugigangas e enfiado nos bolsos do casaco.
— em que ponto do passeio foi isso? você se lembra de quem estava com você no carrinho do trem? sabe dizer se algum dos desaparecidos estava lá?
— olha, eu não prestei muita atenção nisso, não. — foi sincero. — eu ‘tava mais preocupado em como pular do carrinho sem me machucar. ele andava meio devagar então no fim das contas nem foi grande coisa. isso foi uma das últimas coisas que eu fiz no parque, e quando eu saí do túnel o carrinho em que eu estava já tinha terminado o passeio faz tempo, se alguém sumiu eu não vi.
tanto a mulher quanto o mago pareciam decepcionados, mesmo se os estudantes que sumiram estivessem no mesmo carrinho que o garoto, ele não saberia dizer. realmente, um desperdício de informação. “é, senhoras e senhores, é isso o que eu sou, uma decepção ambulante.” apesar disso, se esse realmente fosse o caso, o rapaz era muito sortudo, pois, se não tivesse pulado fora do passeio, talvez também tivesse sumido. quando tal pensamento passou por sua cabeça, newt sentiu um calafrio descer-lhe pela espinha. havia pensado na possibilidade de seus entes queridos mais próximos sumirem, mas e ele? se fosse um dos desaparecidos, o que faria?
— você se lembra de ter visto algo estranho no passeio ou uma presença estranha? — merlin prosseguiu com o interrogatório, sem esperar para o garoto se recompor.
— n-não, senhor. — gaguejou um pouco ao ser pego desprevenido, contudo, o fato de que seu nariz permanecia do tamanho de sempre indicava que não estava mentindo. que tragédia seria se seu lindo narizinho de batata acabasse deformado. — bem, de novo eu acho que esse negócio de “coisa estranha” é meio relativo, mas, mesmo pensando como uma pessoa chata, acho que não vi nada fora do comum, nem uma pessoa suspeita.
— tem inimizade com alguém em aether?
— er… acho que não? sinceramente eu não sei. — chacoalhou os ombros em um gesto que dizia “eu não sei mesmo!” — vocês sabem que eu sou um pé no saco, né?! eu também sei, então pode ser que tenha umas pessoinhas aí que não gostem de mim, mas não acho que chegue em algo sério como inimizade.
— já cogitou prejudicar ou fazer mal a um colega aprendiz?
— é como diz aquele ditado “não desejamos mal a quase ninguém”, então não vou dizer que “não” porque provavelmente é mentira. mas eu também nunca fiz mal de verdade a ninguém. olha ‘pra mim, senhor diretor! — o garoto apontou pro próprio peito. — eu pareço um franguinho você acha que esse franguinho tem capacidade ‘pra desovar doze corpos sem deixar rastro?? — parou um segundo para pensar, normalmente as pessoas o acreditavam incapaz de sequer desferir um soco sem cair para trás com o próprio peso. aquilo era algo diferente, quase legal, mesmo que estivesse sendo acusado de sequestro e talvez assassinato. — .... pensando bem, muito obrigado por acreditar no meu potencial, senhor diretor.
ignorando o comentário alheio, a fim de não dar corda para o garoto falar ainda mais, o velho prosseguiu: — recebemos a informação de que você foi visto em atitude suspeita perto do trem fantasma e que já disse ter interesse em “acabar com a raça de cheryl la bouff”. são informações verídicas?
— o negócio do trem fantasma deve ter sido quando eu pulei fora do carrinho, já contei ‘pra vocês a história, mas não tenho problema em me repetir, se quiserem eu conto tudinho de novo. mas essa parada de que eu tenho treta com a cheryl é mentira, eu acho que já falei aqui que ela só me procurava ‘pra me dar palestrinha. mesmo que às vezes fosse chato ‘pra caralho, eu não me incomodava. na verdade eu ficava olhando ‘pra um ponto fixo até ela terminar de falar, sem prestar muita atenção no que ela dizia, e no final eu falava: “aham, acho que você ‘tá certa, vou tentar melhorar”, daí ela ficava satisfeita e me deixava em paz. sempre funcionava.
— fomos informados de que se meteu em um desentendimento no final do passeio. se importaria de explicar o motivo?
— a-ah, é, isso foi meio tenso. — coçou a nuca ao lembrar do evento, sentindo as mãos suarem devido ao nervosismo. — mas não foi nada demais, a brooke se irritou comigo por causa de uma coisa importante ‘pra ela, que eu acabei perdendo… mas eu ‘tô trabalhando ‘pra resolver essa parada, não quero que ela fique chateada comigo ‘pra sempre, porque ela era minha amiga, né? espero que ela ainda queira ser minha amiga... e o keahi também ficou um pouco esquentado comigo, mas também não foi nada demais, eu irrito as pessoas gratuitamente.
— reparamos que foi um dos últimos a chegar no ponto de encontro. qual o motivo para ter demorado?
— eu tinha um saco muito grande de prêmios do tiro ao alvo ‘pra organizar, sabe? essas coisas levam tempo, não dá só ‘pra sair arrastando tudo nos braços! ia cair tudo no chão! e aí eu ia demorar mais ainda!
— é verdade que passou quinze minutos sozinho antes de se encontrar com o grupo?
— sim, eu fiquei preocupado com o bart e jane e voltei ‘pra ver onde eles estavam. vocês sabem, né, o bart não tem uma das pernas, e se ela tivesse ficado presa em algum lugar e ele não tivesse conseguido chegar ao ponto de encontro? — a resposta parecia um pouco chula, contudo, o fato de que seu nariz não cresceu provava que era uma preocupação genuína por parte do darling. “o que seria do bart sem mim ‘pra ter certeza de que a pena dele não o matou?” — ah, e eu tive que ir mijar, eu ‘tava apertado, bebi várias bebidas diferentes no parque, porque ficar hidratado é importante, então, assim que eu deixei minha sacola de prêmios na carruagem, eu voltei ‘pra dar uma mijadinha. sabe qual foi a pior parte? tinha muita gente no banheiro e…
— não precisa continuar, já entendemos. — a fada interveio com destreza, tinha em seu rosto uma expressão um tanto indecifrável para newt, mas ele apostava que ela apenas não queria ouvir os detalhes sobre um garoto indo ao banheiro.
a parte mais engraçada de tudo aquilo para newton é que ele havia achado a perspectiva de encher os ouvidos do diretor e da fada muito mais divertida do que contar abobrinhas. não havia precisado mentir e, apesar da pressão palpável existente na sala, achava que havia se saído bem. dependendo do quão “bem” se pode ir num interrogatório como aquele. de qualquer forma, concentrar-se em matracar o máximo possível havia o distraído ligeiramente de seu nervosismo.
— você está nervoso, senhor? — e não é que é só falar no maldito para ele vir à tona? — continua falando rápido, apesar de o ritmo ter diminuído o suficiente para ser entendido, é um sinal de nervosismo, não? tem certeza que não viu nada suspeito?
— nervoso eu fico quando minha mãe me chama pelo meu nome completo, no momento eu estou lentamente morrendo por dentro. — era uma piada, é claro. ou melhor, uma hipérbole para como estava se sentindo. todavia, a expressão impassível de merlin revelava que ele não havia achado muita graça. — e... é…. tenho certeza de que não vi nada.
— existe alguma razão para que algum de seus colegas possa querer te comprometer com respostas falsas? — o homem prosseguiu, com o objetivo de finalizar o interrogatório que já se estendera por tempo demais.
— eu acho que não. tipo, apesar de eu não ser a melhor pessoa do mundo, não acho que eu tenha inimigos de verdade. na verdade, isso seria meio triste, normalmente quem encontra um nêmesis antes dos vinte anos acaba tendo uma vida meio merda ou muito maluca. inclusive, setenta e cinco por cento dos contos de mítica se encaixam nessa descrição. — newt encarava merlin com uma expressão que dizia “quem diria não é mesmo?”, mas de forma sarcástica, tinha certeza de que o velho e sábio mago de camelot estava ciente disso.
com um suspiro pesado, mais uma vez o homem optou por ignorar o comentário desnecessário feito pelo menino, prosseguindo, finalmente, para a última pergunta do interrogatório: — tem alguma coisa que queira nos contar? essa é a única vez que vamos te dar essa oportunidade.
— já que perguntou, tem sim. — sorriu pela primeira vez desde que entrou na sala. — primeiro, esse negócio do parque foi divertido e tal, mas era o único parque que existia em mítica? porque assim, achei ideia de girico levar um grupo de estudantes ‘pra uma ilha com histórico de tráfico infantil. não só de tráfico, né? todo mundo sabe que os meninos eram transformados em asnos e que o lugar tem mó fama de ser super bizarro! achei que a intenção foi boa, inclusive, parabéns à rainha tiana pela boa vontade e pelas tortas, que estavam muito gostosas, mas esse rolê deu ruim, então fica a reflexão. — merlin fez menção de interromper o garoto, contudo, newt não deixou, rapidamente erguendo a mão para indicar que o mago ficasse quieto. — não, não, o senhor pediu ‘pra eu falar, então agora escuta. eu também tenho uns palpites sobre o que pode ter acontecido, mas é tudo especulação já que não tenho acesso a nenhuma pista. não tenho interesse em ser detetive, mas gosto de descobrir coisas, então se a equipe de busca estiver precisando de ajuda, ‘tamos aê! — fez um hangloose para o diretor. — okay, acabei. agora posso vazar?
— céus, sim! — merlin disse, exasperado. — pelo amor do narrador, garoto, saia logo dessa sala!
a fada azul vez um gesto pequeno com a mão como se dissesse “xô, xô! já chega! saia logo!”, reforçando as palavras do velho.
— s-sim, senhor! — newt levantou da cadeira o mais rápido que seu corpo permitia, imaginou que estava fugindo de jane para se mover com mais destreza e, a passos largos, deixou a sala do diretor. agora, o rapaz podia dizer que tinha feito de tudo, talvez alguns não considerassem aquilo como algo a se gabar, mas para ele era praticamente um troféu. sem risco de dar uma de pinóquio, podia dizer que tinha conseguido a proeza de, sozinho, deixar merlin e a fada azul frustrados e irritados.
passado o rápido momento de euforia, contudo, o rapaz voltava a se lembrar do quão incrivelmente absurda e perigosa era a situação em que se encontravam. talvez fosse a hora de atar as pontas de alguns nós soltos, afinal, não sabia por quanto tempo ele, ou seus amigos, teriam tal oportunidade.