✶ 𝗪𝗘 𝗗𝗢𝗡'𝗧 𝗧𝗔𝗟𝗞 𝗔𝗕𝗢𝗨𝗧 𝗘𝗩𝗔 𝗟𝗨𝗡𝗔 ❜ task 001 .
apesar das enormes janelas e do belíssimo dia que acontecia lá fora , o primogênito mantinha-se no computador , enfurnado na biblioteca de sua casa . até os melhores livros dentre os milhares que haviam ali , eram incapazes de roubar sua atenção . e , bem , vicente era um ávido leitor — quando a leitura era de seu interesse , é claro . ler artigos publicados por seus professores não era bem sua praia . porém , a notícia sobre a morte de uma tal de eva luna cativou toda sua atenção . o quê mais o surpreendeu foi a similaridade entre ela e o falecimento de sua namorada , linnet . ambos os corpos encontrados no mar de mallorca , altos índices de álcool e substâncias no sangue . talvez , mallorca fosse um lugar amaldiçoado , especialmente a água extremamente azul . preferia acreditar que era uma circunstância de exagerada coincidência , do quê algo sobrenatural . a convivência com saavedra estava cegando um pouco seu raciocínio lógico . há onze anos atrás ainda era um adolescente e sequer lembrava de ter visto qualquer coisa relacionada à eva luna .
a única coisa que o fez desviar atenção da tela brilhante foi o ranger da porta , então ele girou a cabeça para flagrar quem o incomodava . se fosse a irmã , ela certamente escutaria horrores . mas , para a sorte dela , eram apenas os pais . sua mãe , elegante como sempre , caminhou em sua direção , os saltos ecoando contra o chão de madeira . ‘ meu filho , você precisa desfazer as suas bagagens . sabe que não temos mais a empregada para fazê-lo por você . ’ disse , colocando ambas as mãos sobre os ombros de vicente e dando uma leve apertada . com os gastos do pai , que se mantinha escorado no vão da porta , foi necessário cortar alguns gastos . e , por causa dele , viviam como se fossem pobres coitados . ‘ certo , mãe . assim que eu acabar aqui , farei isso . ’ a assegurou , oferecendo um pequeno e desgostoso sorriso . ela estava prestes a deixá-lo , quando , de repente , o filho a fez uma pergunta que quase foi capaz de arrepiar os pelos de sua nuca . ‘ vocês chegaram a conhecer essa tal de eva luna , certo? a morte dela está em todos os jornais . ’ interrogou , curioso . a progenitora foi incapaz de esconder o imediato desconforto , respondendo-o com um sorriso amarelo . ‘ sim , meu filho . costumávamos frequentar alguns eventos juntos , mas já faz muito tempo que isso aconteceu , não a conhecíamos muito bem . ’ por mais que a voz fosse assertiva , ele soube que aquela não era a verdade . pois bem , assim como os pais , também era um mentiroso nato .
‘ e você , pai? ’ vicente perguntou , encarando o homem distante dele . fora uma pergunta o tanto quanto provocadora . o jovem e o pai não estavam em bons termos há muito tempo , desde que recebera a notícia sobre os maus hábitos alheios . então , apertá-lo , naquele momento , pareceu a decisão correta apesar de não gerar nenhum fruto . ‘ bem . . . ’ a frase foi interrompida por um pigarro , quase como se precisasse daquela interrupção para formar um raciocínio coerente . espalmou as mãos na calça , secando o suor . ‘ é como sua mãe disse , não a conhecíamos muito bem . ’ confirmou a versão da esposa . ‘ o almoço já estava quase pronto . estamos te esperando para podermos almoçar . ’ disse , por fim . com a sua partida , a mulher entendeu que também deveria , seguindo o marido . almoço em família é uma ova , pensou vicente . estavam , mais uma vez , escondendo algo dele e era só questão de tempo até isso explodir em suas faces .








