Naquele dia tinha marcado de encontrar o homem em certo horário na própria casa, mas como tinha saído para fazer o cabelo e se arrumar, ia esperar até o último minuto para ir para casa, não sabia se Crowley iria se arrumar, se ia demorar, se ia precisar de ajuda, então aquilo lhe deixou apreensiva pelo dia, estava pronta para o casamento quando pediu para o motorista lhe levar para casa mais cedo, preferia esperar com ele lá o horário do que ficar com as coisas tão em cima da hora. Assim que abriu as portas percebeu que o ambiente estava mais silencioso do que o de costume, nenhuma tv ligada, nenhum som, será possível que ele tenha ido em outro lugar antes? Não queria pensar o pior, não conseguia imaginar como seria o pior, e deixando os saltos na entrada junto com a bolsa de mão ela começou a procurar algum vestígio de onde estava o homem pelos cômodos. Chegou no segundo andar quando viu uma certa iluminação radiando de seu quarto e foi em direção a porta aberta, Crowley estava sereno dormindo em sua cama e ela respirou fundo mas a calma não durou por muito tempo, a luz vinha do banheiro da loira que assim que ela chegou na porta viu: frascos laranjas abertos, pílulas jogadas por alguns cantos e uma sirene tocou no fundo da cabeça da mulher, ela correu até a cama e começou a balançar o homem, esperando que ele tivesse alguma reação - Crowley, olha pra mim, pelo amor que você sempre teve a si mesmo, não por amor a mim… Pelo amor que tem pela sua irmã, por favor, acorda e me fala que você não fez uma besteira, por favor - a voz da loira soava quase um tom desesperador, e era exatamente isso que ela estava, desesperada.
A intenção de Crowley quando ingeriu aquelas pílulas não era causar aquele estrondoso rebuliço. Só queria dormir por algumas horas e depois acordar e encontrar a ex-mulher na festa, mas nada ocorreu como planejado, aliás, bem longe disso. Apenas alguns segundos depois de ter tomado o remédio o homem sentiu uma tontura forte, o fazendo cambalear para trás para conseguir apoiar o seu corpo na parede do banheiro. Todo seu corpo se contraia em dor fazendo com que se arrependesse de imediato de ter tomado aquela tola atitude. Em seguida começou a ficar com falta de ar e se esforçou ao caminhar até o quarto para se jogar de qualquer maneira na cama. Sem aguentar mais toda aquela dor o homem apagou, e naquela hora após ter cansado de lutar permaneceu ali, até Eleanor chegar a casa.
Ironicamente conseguia escutar tudo que era proferido pela ex-mulher, mas seu corpo não obedecia e permanecia imóvel. Queria de alguma forma acordar e dizer que estava tudo bem e que se arrependia, afinal nunca pensou que seu ato traria sofrimento na pessoa que mais amava no mundo.