É estranho estar aqui de volta.
Relendo os textos que escrevi em meio a tanto sentimentos, me pego rindo sem humor. Olhar para a adolescente que fui é doloroso de tantas maneiras, em tantas camadas. Sempre procurei ser amada, isso é um fato e sempre foi. Desde que me entendo por gente desejei ser amada e quem não deseja? Mas olhar para trás, entender o quanto me diminui, me encolhi e me humilhei por amores rasos me dói.
A eu mais nova não sabia, mas encontraria o amor leve e saudável sem muito esforço, porque amor é isso. Você não precisa ficar provocando o seu valor para alguém, ele vai reconhecer sozinho. E parece que o texto foi para um rumo que eu não queria, mas minha vida hoje em dia não se resume mais a amor romântico como já foi por muitos anos. De sempre estar em busca de alguém, de sofrer por amor e escrever sobre isso aqui, até porque a vida adulta apareceu.
Parando de enrolar e fugir do assunto, a melancolia ainda está presente e acredito que ficará sempre. Eu adolescente só parecia dramática demais, sensível demais, pra eu adulta entender que era depressão e falta de saúde mental para lidar com uma família disfuncional e relações rasas.
Ufa, é difícil falar isso. Deprimida. Melancólica. Rastros da negligência que vivi e tive que suportar por anos em silêncio. Pai ausente. Mãe distante emocionalmente. Casa cheia de pessoas estranhas que se chamam de família, mas são parentes que lidam com suas merdas individualmente. Amizades que eram mais abusivas do que saudáveis.
Como sobrevivi? Como aguentei? Como ainda estou aqui?
Ter me reencontrado depois de tanto sofrimento foi o que me salvou. O amor me salvou. O amor que sinto pela minha profissão. O amor que tenho pelas pessoas que estão comigo. O amor pela família que construi. O amor que recebo e que não é mais moeda de troca.
No fim, estou falando de amor de novo aqui e acho que está tudo bem.













