໒ ➳ @courageiisms — ( prev. )
Linkle ouviu rumores de que os arredores de sua aldeia estava infestado de monstros, muitos dos que lá moravam passaram a evitar se aventurar muito além das árvores. A loira não podia negar: é uma situação difícil; e ela, como a autointitulada ‘ reincarnação do lendário Herói ’ não pode negar ajuda ( por mais que ninguém tenha peço ). E por isso que de manhã cedo iniciou sua busca.
Carregava sua preciosa bússola, se guiando pelo caminho que já conhecia - não era necessário um mapa para locais próximos. De fato, um ou outro monstro dava as caras, nada que sua boa mira e agilidade não dessem conta. Ela apenas estranhava uma coisa: onde estão os grandes e pavorosos monstros? Capazes de esmagar um homem? Seia verdade ou apenas invenção dos pensamentos tormentados dos habitantes?
❛ — Hm… ❜ parou ao chegar em uma grande clareira, coçando a nunca ao que dava uma rápida checada no ambiente. Já estava um pouco longe, correto? Voltar seria o próximo passo, entretanto avistou a figura em verde, caída e sem forças. Não pensou duas vezes para que apressasse os passos na direção da pessoa, que, aos poucos, aparentava familiar. O cabelo, as vestimentas, a semelhança que tinha com ela… oh! É o mesmo homem que encontrou em sua missão para salvar o castelo! Link, certo? O que teria acontecido com ele?
Se ajoelhou em frente a ele, preocupada. Antes que pudesse abrir a boca para perguntar o que ocorreu o soldado desmaiou. Fraco, machucado… tinha de levá-lo para sua aldeia, logo pensou. Lá haveria médicos e segurança ❛ — Link…? Link, eu preciso que você aguente mais um pouco… ❜ disse baixo, sabendo que não adiantaria. Se apoiou em um dos joelhos, colocando o braço dele sobre seus ombros. A outra mão foi até a cintura do conhecido, na tentativa de fazê-lo ficar de pé. Pesado? Sim, mas não impossível, Linkle não pode correr o risco de deixá-lo lá mais tempo, até que consiga ajuda para carregá-lo.Suspirou profundamente com a conquista de ficar em pé, o peso dele e a diferença de altura n ão ajudavam muito… pois bem, é melhor ser arrastado por ela do que por um monstro. A espada que ele carregava foi outro desafio, Linkle usou um dos pés para levantá-la do chão, pegando com a mão livre e guardando na bainha da roupa do guerreiro, para então segurar o pulso do braço que passava por seus ombros, evitando assim que Link caísse.
Torcia para ter matado todos os monstros, pois agora não tem condição de pegar as bestas com rapidez. Evitou pensar nisso, fazendo seu melhor para que chegassem logo em sua casa. A tarde de Link foi dolorosa, será que ele demoraria a acordar? Bem, do que importa agora. Demorou mais que a ida, porém conseguiu ser bem sucedida em seu plano: voltar a salvo. Os moradores vieram ajudar em seguida, dois homens colocaram Link para dentro de sua casa, o deixando repousar na cama. Linkle, por sua vez, pediu socorro ao que entendia de medicina, e após um rápido exame, deixou com ela medicamentos líquidos com coloração vermelha. Na calma de seu lar - silencioso, tirando pelos cuccos que cria - foi que notou os ombros e pescoço duros e doloridos. Cuidaria de si mais tarde. Como o médico indicou, daria um frasco da poção para ele quando acordasse, uma parte já foi usada, o fizeram beber aos poucos enquanto inconsciente. Linkle se sentou no chão, encostando o peso do corpo na parede, cansada. Fechou os olhos azuis, se permitindo cair no sono, talvez Link demorasse para acordar novamente, um cochilo não mata ninguém…!
Ele não sentiu muita coisa da viagem. Vez ou outra tinha a sensação de estar sendo levado, mas não tinha qualquer noção de onde estava, ou sequer forças para abrir os olhos e olhar em volta. Queria poder fazer alguma coisa a respeito, talvez firmar os pés no chão para que se tornasse mais fácil de ser carregado, mas estava num estado tão deplorável que simplesmente não conseguia executar qualquer ação.
Logo, porém, ainda sem ouvir muita coisa com claridade, sentiu seu corpo ser deitado em um lugar macio; os olhos permaneciam fechados e o herói parecia estar num profundo sono, do qual demoraria a acordar. Link passou, então, a sonhar com uma voz. Uma voz confortadora, que o fazia se sentir mais seguro e protegido. Seria a deusa falando com ele? Talvez o espírito da Master Sword? Ou talvez, alguma lembrança distante?
‘Ainda não é a sua hora, Link’. ‘Você deve salvá-los, Link’. ‘Esse é seu papel como o Herói Escolhido’... Eram palavras que o deixavam determinado, e talvez, fossem o que causou ele a abrir os olhos algumas horas depois. Confuso, o Herói tentou levantar-se da cama apenas para ser recebido com uma pontada terrível pelo corpo todo, uma dor que não parecia que ia acabar. No entanto, ele foi rápido em escanear cada canto do lugar onde estava. Parecia seguro; suas coisas estavam todas ali e até mesmo uma poção vermelha jazia próximo de si. Não ousou pegar o pote pois, com a dor que sentia, era mais fácil derrubar tudo e quebrar a garrafa de vidro do que conseguir dar um gole na poção.
Mas, ele logo notou a garota que dormia próxima de si, encostada na parede. Era ela! A menina que lutou ao seu lado há um tempão atrás. Linkle era seu nome, o que era uma grande coincidência. Vai ver seus pais também se inspiraram no Herói da lenda para nomeá-la, no fim das contas. Deduziu que a casa pertencia à garota.
Ele permaneceu em silêncio, no entanto, e não ousou a acordar. O rapaz era pesado e ela devia estar cansada depois de carregá-lo. Pode ter certeza de que, se pudesse, Link levantaria da cama e trocaria de lugar com ela ali mesmo. Apenas encostou-se no travesseiro; esperaria a garota despertar, mas torcia para que a situação no castelo estivesse boa... E que não estranhassem seu sumiço.