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@coelhogustav

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Sonhar é reivindicar!
O maior sonho do pobre é ser rico, não pela riqueza, mas por ter o básico que nos falta constantemente. Ontem me dei conta que era o último mês que eu vivia com a minha vó, nesse exato momento do ano passado eu estava tomando um café com a minha vó e vivendo os últimos dias dela sem eu saber. Eu não mudaria nada do que eu fiz, pois fiz do impossível. Mas não imaginei que isso iria mexer tanto comigo.
Ontem fui pro terreiro, me deram uma vela, a vela quebrou pois depois eu fui num arraiá de festa junina de palhaço e fui assistir a derrota do Brasil, fui sozinho. No terreiro estava com uma amiga e percebi que no terreiro eu já tinha estado lá, mas não de corpo, em espírito! O que é muito comum, conheço muita gente assim, mas não me lembro de quase ninguém.
No arraiá eu fui sozinho, pois ninguém queria ir comigo e fui sozinho, encontrei um amigo que me convidou e que estava trabalhando, mas que ficou comigo assistindo o jogo junto. Em contrapartida encontrei pessoas do passado que tenho nojo, no sentido de nunca me deram respeito, entre essas pessoas um ex ficante, que nunca se importou comigo. Eu estava sensível e só entreguei educação, pois minha vó me criou assim.
Ontem eu passei o dia todo com a espiritualidade, o que foi muito bom, chorei muito, mas muito mesmo, em tudo. Ontem tocou a música "Emoriô", que significa "Eu te vejo" do nada e eu e o pessoal do Pombas Urbanas estudamos e apresentamos essa música, então sem bem do significado, e é uma música esquecida do forró que ninguém canta e tocou, e eu chorei igual uma cadela.
No mesmo arraiá, fui pedir um caldo e um quentão carrismo, e quando foi pra retirar a mulher me deu essa carta:
um grande detalhe é que sou macumbeiro, que trabalho na linha das almas, e para nós toda carta de baralho tem um significado muito específico. Chorei igual uma cadela na frente da moça e pedi perdão, dizendo "desculpa moça é que sou macumbeiro", ela branca de classe média e branca ficou sem entender nada.
Antes de ir pro terreiro, no trólebus (onde tenho uma memória muito afetiva) eu também chorei igual uma cadela, escutando música e lembrando da minha avó. Sei que terminei o dia de ontem completamente sozinho de pessoas fisicamente, somente com a espiritualidade me carregando, fui parar no Sapopemba e depois no Esther, quando desço do Esther muito mal com a espiritualidade me levando pra casa, uma moça que estava na varanda assobiou para mim e virei pro alto e aí ela disse "Você está bem?", eu disse "não", ela disse "você bebeu?" e então eu respondi "bebi, mas não é a bebida não moça, é a vida mesmo", ela me olhou com olhar de compaixão e acolhimento e então eu disse "obrigado" e continuei andando um pouco melhor.
A última vez que eu tive essa sensação foi no velório da minha avó, quando a esposa do meu tio avó saiu para fumar e sentou ao meu lado, e falou "tá tudo bem?" e respondi "tá" e então ela disse "não está tudo bem", respondi "eu sei, mas a gente precisa continuar fazer o que". No velório da minha avó, que inclusive foi eu que organizei tudo, ela foi umas das únicas pessoas que me acolheu e que disse "Emoriô!", ficamos um tempo lá fora respirando, eu agradeço muito por ela ter estado lá comigo. Eu nunca vou esquecer disso.
Ontem a espiritualidade gritou muitas vezes em voz alta "emoriô" mesmo não tendo ninguém ao meu lado físico e me disse "eu te amparo! Não deixo você cair, nem que você queira cair" , porque muitas das vezes no luto eu queria isso, só cair e gritar um grande foda-se pra tudo. Mas aparentemente e fielmente o povo do outro lado tem um grande apreço por mim, e eu agradeço, mesmo sem merecer de nenhuma forma possível.
Ontem também me veio muito pensando no meu genitor, o quanto de ódio que eu tenho daquele estrume, nojo, repulsa, meu sonho é ver ele no caixão e pegar metade da pouca grana que ele tem (que é minha por direto), afinal perante todas as documentações eu sou filho dele. Apesar que não sei, afinal o Brasil adora defender pedófilos e agressor de mulher (afinal vira agressor, não somente no medido ato de agredir a mulher, vira agressor a partir do momento que ameaça a mulher e que empurra a mulher).
Ele nunca me pagou uma pensão, minha mãe quis assim por estar com pena dele, afinal ele tinha virado autônomo. O que pra mim foi péssimo, eu entendo ela, mas ela não fez um filho sozinho e era um direito meu. Esse homem tinha que se fuder mesmo, quantas vezes eu me humilhei pra pedir um pouco de grana pra ele? Para algo básico, tlgd?!
O meu prazer não é ter a grana dele, o meu prazer é ver ele no caixão e abrir uma cerveja acima dele e comemorar muito por ele ter morrido. Fazer uma roda de samba ou ir para um samba comemorar. Tirar o que é presquisto pela lei e assinar o que me cabe como único herdeiro, a certidão de óbito, pois é de minha tutela isso. E se depender de mim pra cuidar dele no fim dos dias, eu coloco ele em um asilo público, pois me recuso a gastar um centavo do meu dinheiro para um agressor, abusador de criança, pedófilo, e para alguém que nunca se importou comigo, que nunca esteve no hospital quando eu estava internado, que preferiu estar na mesa de um bar do que cantar o parabéns do único filho, que preferia passar o dia dos pais no bar do que com o filho, que ABUSAVA SEXUALMENTE POR 10 ANOS DO ÚNICO FILHO! Eu me recuso a ter compaixão por um homem desses que no leito de morte de sua própria mãe não teve coragem nem de olhar na cara direito da única mulher que todos os dias orava por ele e pedia misericórdia TODOS OS DIAS e que CHORAVA TODOS OS DIAS para que ele mudasse, pro homem que no leito de morte da própria mãe não teve a pachorra de ser sincero com a única pessoa pessoa que realmente se importava, do homem que quando o pai dele estava vivo dizia que "ele só tava esperando a morte". Eu tenho nojo desse homem, repulsa. Pois tudo que ele fez pra mim até hoje me reverbera até hoje, na minha ansiedade, crise de pânico, fazer SEXO com alguém que eu amo, ter a necessidade de aprovação para ser considerado humano. Pois por mais 10 anos ele me tirou a minha HUMANIDADE.
Todo começo tem um fim, e todo fim tem um recomeço. Preciso resolver essas questões comigo mesmo e finalizar esse homem que me persegue desde o meu nascimento. Dito isso Emoriô vó, emoriô vô! Emoriô mãe! Farei justiça da vida de vocês três vivendo a mais plenitude de mim mesmo!

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Como eu queria
Preciso olhar para o que me é pequeno, ao que me chega sem tanto esforço, que me surpreende em tamanha paz em meio ao alvoroço do fato de jamais parar, jamais esperar.
Meu silêncio é a noite, onde reservo um tempo para me escutar, sentir o que nem pude demonstrar, me ver quando nem tempo de me olhar no espelho eu tive, passar o creme demorado na pele acinzentada pela cidade, enquanto esse corpo ainda não ve mar nem céu.
Será que vale a pena?
Bom, as vezes a beleza me falta pela falta que trás o dinheiro quando ele se ausenta, as vezes a ansiedade misturado a angústia me coloca em desespero, mas se me tenho, não tenho nada disso, tudo se alinha em perfeita ordem, mãe que rege meu corpo e acalenta minha alma.
As vezes meu ser me assusta, nem mesmo me reconheço em reflexo, mas me entende como gente, humana dignificada, a custos invisíveis, em minhas emoções encontro minha estrela guia.

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Tempo dilatado, extenso, tenso.
São essas as palavras que mais escuto atualmente por conta do processo cênico que passo. Muita coisa aconteceu desde a última escrita aqui, mas sempre é bom lembrar que isto é um perfil público e eu uma pessoa pública, realmente o Tumblr virou um diário de inquietações e acalanto da alma.
Minha avó sempre disse que escrever era bom e necessário, ela era um pouco Paulo Freire, na maioria das vezes.
Sinto cada dia mais próximo da espiritualidade, e me pergunto o que me trouxe aqui? Quantas camadas me fizeram ser eu mesmo e me construir? Na última escrita eu disse sobre o medo de ser feliz, a inquietação de ser feliz. E percebi que hoje eu choro quando eu estou sendo feliz, os únicos seres que me sinto confortável de chorar é com a espiritualidade, mas agora nessa camada nova, sinto esse novo, de me relacionar em chorar com alguém que eu confio e quero confiar.
Desacelerar para não se auto atropelar é necessário como navegar em um mar que está agitado, um mar do outro, em que a maresia se encontra contigo. Mãe Iemanjá está forte comigo nesses tempos, não sei oq fiz pra merecer uma mãe como essa, mas eu agradeço por ela nunca me abandonar em dias que até eu mesmo me abandono.
Chorar faz parte do processo, mas a vida não é somente chorar, a vida é rir, namorar, se apaixonar, gozar, beijar, escrever, desenhar, estar nos palco, ajudar outro alguém. A vida necessita ser vivida e não sobrevida, e isso faz parte do processo, mesmo com medo, acreditamos que o dia de amanhã vai ser melhor do que o hoje. Exú matou um pássaro ontem com uma pedra que ele só lançou hoje!
Ontem eu apresentei um texto, que conheço desde 2017, texto antigo, do Lucas Koka, um puta artista, único texto que tenho fielmente decorado. Andar de bike é terapêutico e ao mesmo tempo um cu, mas super terapêutico. E ontem necessitava trazer algo para o processo cênico que disse no começo e eu não tinha nada e na bike lembrei desse texto e disse "foda-se".
Acabei vendo que o texto ainda falava muito sobre mim do que eu pensava e do medo das pessoas me capturarem e me colocar numa senzala novamente, ou seja, tirar minha humanidade outra vez.
Atualmente esse anda sendo o meu maior medo de todos que me causam pânico, o medo da captura da senzala e de dizer "vc não é um ser humano", medo de tirarem novamente a minha humanidade e dizer "você é o meu objetivo e te uso até certo ponto que eu quero". Seres humanos são difíceis, seres humanos complexados são a merda que intupiu na privada e não quer descer. Só servem para causar pânico, ansiedade e atrasar o nosso tempo, que é extremamente precioso.
Tenho pânico de perder a minha humanidade novamente, me encontrei na senzala em cada ato de assédio e abuso com o meu genitor e também na socialização na escola de burgueses de classe média a onde o preto, pardo e pessoa racializada sempre era servente e nunca alguém importante.
Ontem o Miguel, diretor da companhia do Heliópolis, disse algo que me atravessou muito que foi "somos ensinados a não sentir ódio e revolta" e isso me atravessou em lugares que eu não estava esperando. Pois desde cedo somos regados pelo o racismo estrutural a abaixar a cabeça pra branco que nem lava o cu, branco feio, branco pálido, e condições que brancos nos coloca desde 1500.
Necessito sair da barriga! Necessito ser a sereia que sempre fui, mas nunca tive coragem de ser! Emoriô a todos que lerem até o final desse Tumblr.