Apodrecer e florescer e osso
Minha amiga @rminnieola recentemente me enviou um pin do painel ACOTAR do pinterest de Sarah J. Maas da deusa da primavera galesa, Blodeuwedd, intitulado “Elain” em suas anotações. Então, naturalmente, eu precisava aprender mais. A história dela se conecta bem aos paralelos que eu já estava compilando sobre Elain e Suriel. Você pode achar estranho que eu esteja comparando Elain com o Suriel, mas acredito que você pode achar surpreendentemente apropriado. Eu uso o número sagrado três (pense na deusa tripla) para examinar a jornada de Elain e a conexão com a deusa galesa, os predadores noturnos e o Suriel.
A Deusa Tríplice
No folclore e na mitologia, o número três é frequentemente associado ao destino, ao equilíbrio e à deusa tríplice. Também aparece repetidamente na série ACOTAR de Sarah. Três irmãs. Três guerreiros illyrianos. Três montanhas. Três estrelas. Mesmo a segunda metade do Livro dos Sopros, que é usado para anular o Caldeirão, fala em três no Capítulo 57 de ACOMAF:
Vida e morte e renascimento, Sol e lua e escuridão, Apodrecimento e flor e ossos
Oi, coisinha doce. Oi, Senhora da noite, princesa da decomposição. Oi, besta de presas e corça trêmula. Me ame, me toque, me cante.
Luz e escuridão e cinza e luz e escuridão e cinza...
Outros identificaram partes específicas (e aspectos da deusa tripla) com cada irmã Archeron. Cada irmã pode de fato estar mais associada a um aspecto do que a outro, no entanto, acredito que os três aspectos – luz, escuridão e cinza – também possam descrever a caracterização e o desenvolvimento de cada irmã. Em outras palavras, eles são complexos e compartilham aspectos de todos os três: donzela (luz), mãe (escuridão), anciã (cinza). Eles abraçam e, portanto, misturam seus elementos de luz e escuridão, para experimentar maior sabedoria e paz interior. Podemos ver o desenvolvimento de Elain seguir um caminho semelhante, especialmente se sua história for inspirada em Blodeuwedd.
Blodeuwedd
De acordo com a mitologia galesa, Blodeuwedd (que pode significar “cara de flor”) foi criada a partir de flores por Gwydion e Math para ser o companheira de Lleu Llaw Gyffes, um herói galês. Enquanto ela foi feita para Lleu, ela se apaixona por um caçador chamado Gronw. Eles conspiram para matar Lleu, mas ele não morre; ele se transforma em uma águia e escapa. Blodeuwedd e Gronw desfrutam de seu amor enquanto Lleu se recupera. Eventualmente, ele retorna e os amantes são punidos: Blodeuwedd é transformada em uma coruja e Gronw é morto com uma lança. Ela começa como uma deusa da primavera com um casamento arranjado (donzela), exerce seu arbítrio e encontra realização romântica em outro lugar (mãe), e acaba sendo transformada em uma criatura da noite ligada à sabedoria e à morte (anciã).
Como Blodeuwedd, Elain está fortemente associada à primavera e às flores. Ela está ligada a Lucien por meio de um laço de parceria, mas não demonstra interesse em buscar um relacionamento com ele. Evitação e regressão . Até o pai biológico de Lucien é comparado a uma águia, a forma que o marido de Boldeuwedd assume quando é atacado. Coincidência? Provavelmente não. Elain, no entanto, parece retribuir o interesse romântico de Azriel. Oferta e permissão. Eles formam uma conexão instantânea que arde silenciosamente. No próximo livro, podemos ver esse interesse romântico florescer em um caso de amor enquanto ela aprimora seus poderes e esculpe seu papel ao lado de suas irmãs. A escolha de Elain de perseguir o homem que ela ama, em vez daquele a quem ela está obrigada, também pode ter graves consequências. E esses desafios podem fazer surgir outro aspecto: no lugar de uma corça trêmula, talvez encontremos um predador da noite.
Uma sombra no vento
E é aqui que encontramos os paralelos estranhamente apropriados com o Suriel. Como as corujas, o Suriel:
Viaja furtivamente, como uma sombra ao vento:
Como uma sombra no vento, o Suriel disparou, numa explosão escura que fez os quatro naga cambalearem para trás. (ACOTAR, cap. 15)
Eu estava prestes a começar a barganhar com o Caldeirão, com a Mãe, quando um silêncio arrepiante, familiar, recaiu sobre o bosque. (ACOMAF, cap. 50)
Quando olhei de volta para o Suriel, ele tinha sumido. (ACOMAF, cap. 50)
Gritos ou guinchos quando é ameaçado:
Outro grito enfurecido cortou a floresta, e minhas armadilhas rangeram ao segurarem, segurarem e seguraram. Desci da árvore e fui encontrar o Suriel. (ACOTAR, cap. 14)
E, quando um estalo soou na floresta, seguido por um guincho que doeu em meus ouvidos, encaixei uma flecha no arco e disparei para ver o Suriel. (ACOMAF, cap. 50)
Serve como símbolo de conhecimento e morte:
"Um teste? Um teste tolo e inútil, pois, se ousou me capturar, então deve querer conhecimento desesperadamente.” (ACOTAR, cap. 14)
Tinha um rosto que parecia ter sido feito de desgastado osso seco, a pele fora esquecida ou descartada, uma boca sem lábios e dentes longos demais, presos em gengivas escuras, fendas finas no lugar de narinas e olhos... olhos que não passavam de fossos rodopiantes de um branco leitoso — o branco da morte, o branco da doença, o branco de cadáveres já decompostos, ossos limpos. (ACOTAR, cap. 14)
“Não sou membro de Corte alguma. Sou mais velho que os Grão-Senhores, mais velho que Prythian, mais velho que os ossos deste mundo.” (ACOTAR, cap. 14)
Para perceber que o que jorrara em meu rosto, caíra em minha língua e tinha gosto de terra era sangue negro. (ACOWAR, cap. 58)
Pode parecer assustador, mas é útil para quem precisa:
Fuja, falou o Suriel, sem som, mais uma vez, com sangue escorrendo pelos lábios murchos... O Suriel sabia que era uma possibilidade. Ele me implorara por liberdade uma vez... mas estava disposto a ser levado. Para que eu fugisse. (ACOWAR, cap. 59)
"E você foi bom comigo" falei, sem limpar as lágrimas que caíram na túnica ensanguentada e esfarrapada. "Obrigada... por me ajudar. Quando ninguém mais ajudou." (ACOWAR, cap. 60)
E, quando o peito se elevou e parou de vez, quando seu fôlego escapou em um último suspiro, entendi por que o Suriel fora ao meu auxílio repetidas vezes. Não apenas por bondade... Mas porque ele era um sonhador. E foi o coração de um sonhador que parou de bater dentro daquele peito monstruoso. (ACOWAR, cap. 60)
Então, onde está Elain em sua jornada e como ela está conectada à coruja e ao Suriel? Elain começa a série como a personificação da donzela: ela é percebida como inocente, gentil e comparada à nova vida (primavera, flores, corça). Ela é então transformada contra sua vontade no Caldeirão e experimenta a perda, ou morte, de sua vida mortal.
A pele de Elain estava tão pálida que parecia neve fresca à luz intensa. Percebi então que a cor da morte, da tristeza, era o branco. (ACOWAR, cap. 15)
Então, vi as bochechas macilentas, os lábios pálidos, os olhos castanhos antes cheios e quentes, e agora completamente apagados. Como terra de sepultura. (ACOWAR, cap. 15)
Ela passa meses perdida na escuridão do mundo dos sonhos em um momento em que a dureza do mundo extinguiu sua luz. Isto é, até que Azriel esclaresce um de seus poderes: Elain é uma vidente. Os videntes servem como uma ponte entre o material (realidade) e o divino (sonho), como as vinhas e flores que Feyre pintou nas bordas das coisas em sua cabana em ruínas. Essa consciência limpa sua confusão e permite que ela avance.
"Ela não precisa de nada" respondeu Azriel, sem sequer olhar para Lucien. Elain encarava o mestre espião agora, sem piscar. "Somos nós que precisamos..." Azriel se interrompeu. "Clarividente" disse ele, mais para si que para nós. "O Caldeirão fez você clarividente." (ACOWAR, cap. 32)
Nessa nova realidade, Elain também desenvolve novos maneirismos que a ajudam a acessar e interpretar as informações que recebe pela visão. Ela pisca ou inclina a cabeça como uma coruja. As corujas são os únicos pássaros que piscam como humanos; piscam para fechar uma de suas três pálpebras. Sim, as corujas têm um terceiro olho translúcido. Aqueles que usam o terceiro olho para obter uma consciência superior e adquirir conhecimento são chamados de videntes.
Mas Azriel assentiu. "Você sabia" disse ele a Elain. "Sobre a jovem rainha ter se tornado uma velha." Elain piscou e piscou, e os olhos se tornaram claros de novo. Como se a compreensão, nossa compreensão... a tivesse libertado de qualquer que fosse o reino nebuloso em que estivera. (ACOWAR, cap. 33)
"Que tipo de maldição?" perguntou meu parceiro, antes de sequer terminar de falar comigo. Elain virou o rosto para ele. E piscou de novo. "Elas a venderam... para... para alguma escuridão, para algum... mestre feiticeiro..." (ACOWAR, cap. 33)
"Preciso que encontre algo para mim" avisei, molhando tudo quando apoiei um mapa nas coxas de minha irmã. Talvez eu não tenha sido tão cuidadosa quanto deveria, mas pelo menos ela se sentou com meu tom de voz. Piscou para o mapa de Prythian. (ACOWAR, cap. 57)
"A sexta rainha está viva?" perguntou Azriel, calmo e equilibrado, com a voz de mestre espião do Grão-Senhor, que dobrara inimigos e encantara aliados. Elain inclinou a cabeça, como se ouvisse uma voz interior. "Sim." (ACOWAR, cap. 33)
Você sabe quem mais tem maneirismos de coleta de informações? O Suriel. Ele bate as mãos e inclina a cabeça ao tentar acessar informações.
A terra girou sob meus pés. "Tamlin é... Tamlin é um Grão-Senhor?" Clique, clique, clique. "Você não sabia. Interessante." (ACOTAR, cap. 14)
"Onde encontro a cura?" O Suriel tamborilou os dedos ossudos uns contra os outros, como se a resposta estivesse dentro do som. "Na floresta." (ACOMAF, cap. 50)
O Suriel inclinou a cabeça, como se ouvisse. "Se for inábil... ossos falarão por ela." (ACOWAR, cap. 58)
Esses maneirismos sutis não são as únicas mudanças que vemos em Elain que se assemelham à coruja e Suriel. Ela também começa a se mover furtivamente e usa as sombras a seu favor quando caça sua presa.
Elain saiu de uma sombra e enfiou Reveladora da Verdade até o cabo na nuca do rei de Hybern enquanto lhe grunhia ao ouvido: — Não toque em minha irmã. (ACOWAR, cap. 74)
Depois de ter aparecido tão silenciosamente que todos se viraram para ela, Elain disse: — Me usando. (ACOSF, cap. 20)
E embora ela esteja associada à vida e à renovação, como a deusa da primavera Blodeuwedd, provavelmente veremos outro aspecto de seu personagem surgir como Rhys previu. Uma que é mais sombria e subverte a beleza pela qual ela é conhecida há muito tempo:
"Olha só quem decidiu finalmente mostrar as garras" cantarolou ela. "Talvez você se torne interessante no fim das contas, Elain." (ACOSF, cap. 21)
Elain de preto ficava ridícula. Sim, ela era linda, mas a cor do vestido modesto de longas mangas drenava a alegria do rosto dela. O vestido a vestia, e não o contrário. E Cassian sabia que a crueldade da Cidade Escavada a incomodava. Mas ela não hesitara em vir. Quando Feyre sugeriu que ela ficasse em casa, Elain endireitara os ombros e afirmara que era parte daquela corte — e que faria o que fosse preciso. Então Elain tinha soltado o cabelo loiro-acastanhado para aquela noite, afastando-o do rosto com pentes de pérolas combinando. Ele nunca tinha pensado, durante os dois anos em que a conhecia, em Elain como insípida, mas vestida de preto, não importava o quanto ela alegasse ser parte daquela corte... Aquilo sugava a vida dela. (ACOSF, cap. 57)
Este último trecho foi usado como evidência para demonstrar que Elain está em desacordo com a escuridão e a Corte Noturna. A percepção de Cassian sobre Elain muitas vezes supera suas próprias palavras nessas análises. Ele indica que, apesar da lealdade e determinação de Elain, o preto a faz parecer simples e suga a luz (e a vida) dela. Ela é comum e descartável neste aspecto mais velho. Mas não sabemos os pensamentos de Elain sobre isso. E se ela achar libertador se misturar, se esconder à vista de todos? Ela foi criada para acreditar que sua beleza precisava brilhar constantemente para garantir um bom par. Este trecho pode demonstrar que ela pode optar por usar sua aparência como uma arma mais ágil do que acreditávamos originalmente: uma que ela pode escurecer ou iluminar no momento certo, quando necessário.
Se aprendemos alguma coisa com o desenvolvimento de Feyre e Nesta, é que os personagens são complexos e podem ser muitas coisas ao mesmo tempo. Um aspecto mais sombrio - associado à sabedoria e à morte - não muda o fato de que Elain tem um coração de flor em seu âmago. Ela é uma sonhadora e ajudante como a coruja e Suriel. Ela pode abraçar a luz e a escuridão para criar uma poderosa mistura dos dois, uma ponte, se preferir, entre aspectos e mundos. Sua jornada se completará, mas isso não significa um fim. Significa simplesmente outro ciclo, outro começo. E vamos torcer para que o começo venha com garras e asas emplumadas.
















