canseeyourhalo:
when the devil appears in to your door; flashback | haloxchastie
Ao ouvir aquelas palavras vindo da irmã, Halo não deixou de sentir uma felicidade ácida. Havia crescido ouvindo a palavra de um tal Deus misericordioso, qual repulsa a inveja e a vingança. Esse tal Deus jamais ficaria feliz com o que Halo estava sentido no momento. Não é que ela não gostasse da irmã, pelo contrário, ela a amava, mas, como todo ser humano, Chastity também errava, e ter a prova disso, principalmente em relação ao seus pais, não deixava de ser um pouco doce.
Apesar de não ser adepta as palavras do Deus do sr. Moore, Hales tinha seus princípios firmados com convicção. Era uma pessoa leal, e jamais deixaria para trás alguém que sentisse um mínimo de afeto. Ela também não pode evitar compartilhar do que a irmã mais nova sentia: culpa por não ter cumprido expectativas dos pais, vontade de ter outra vida que não fosse aquela que o pai havia escolhido para elas, e acima de tudo, a dor e a confusão de não ter para onde ir, não saber como recomeçar.
Ela também não conseguia imaginar o que de tão terrível Chastie pudesse ter feito para que o pastor Moore expulsasse sua menina de ouro de casa. A irmã também poderia ter escolhido sair daquele lugar, mas ela duvidava muito que, no estado que ela estava, fosse uma questão de escolha. Também não acreditava que ela pudesse ter coragem de fazer isso, mas Halo compreendia que as pessoas mudavam, ela própria era a prova disso, com sua maquiagem pesada, seus cigarros e um cara seminu na sua cama.
Halo então abriu a porta novamente, suspirando. Não falou nada, apenas indicou com a cabeça para que Chastity entrasse. Colocou um copo de água sobre a mesa velha e indicou novamente para que a outra se sentasse. Em seguida, foi em direção ao quarto e acordou o cara seminu e bêbado para que fosse embora. “Night’s over, handsome!” ironizou, direcionando-o para porta, sem ao menos checar a reação de Chastie. Ele balbuciou algo sobre número de telefone, mas, mesmo que a situação não fosse caótica, Hales não encontraria-o de novo. Depois do que passou em seu último relacionamento, jurou não se aproximar de mais ninguém, mesmo para sexo casual. Havia muitas pessoas no mundo para fazer sexo casual, não precisava repetir. “E então?” se dirigiu de cara fechada para Chastity após ter fechado a porta. “Que merda você fez?”
Já perdia esperança de que a porta fosse se abrir de novo, mas esperou, não que tivesse qualquer outra alternativa. Quando a irmã reapareceu Chastie ficou imóvel até ver o sinal, não pensou duas vezes antes de entrar. Nunca havia ao menos visitado Halo desde que essa tinha saído de casa, todas as vezes que havia a visto na rua desejava se aproximar, conversar com ela, saber como estava sua vida, mas nunca tinha conseguido reunir coragem para isso, ser evitada também não ajudava. Afinal, para Chastity, Halo havia tomado uma decisão imprudente e arcava com as consequências agora, ela a julgava por isso. Julgava, no passado, quem era Chastity Moore agora para apontar o dedo para qualquer pessoa?
Sentou na cadeira indicada, soltou no chão a mochila que até então tinha no ombro e pegou a água oferecida com a mão trêmula, dando um grande gole. Absorveu rapidamente o ambiente, era... menos do que ela imaginava, não que tivesse expectativas, mas ainda assim era difícil comparar aquele trailer com uma casa. Apenas ergueu os olhos quando percebeu a movimentação e outra pessoa ali. Não falou. Não se chocou. Seus pensamentos estavam confusos demais para que expressa-se qualquer reação.
Acompanhou a despedida do rapaz desconhecido e aguardou. Tentava inutilmente elaborar o que falar para Halo, sabia que precisaria se explicar. Talvez ela já tivesse ouvido os boatos que tinha certeza que estavam circulando, o que a pouparia do sofrimento de narrar tudo aquilo que só de reviver nos pensamentos já doía tanto, mas pela forma que foi recebida era provável que não.
Seus olhos encontraram os da mais velha por momento, mas ela não os suportou, desviou para o copo que ainda segurava - E-eu fiz um-a coisa horrí-vel - disse em meio a soluços. Era verdade. Aborto era um pecado, um assassinato. Ouvira milhares de vezes isso na igreja. Mas por que em nenhum momento havia sentido que este tinha sido seu grande erro? A culpa era por ter se relacionado com alguém e deixado aquilo acontecer, o erro era aquele feto ter existido, ter tomado uma droga sem saber a procedência. - Definitivamente vou para o inferno, na verdade eu não sei por quê já não estou lá. Eu deveria estar morta. - seu mundo tinha desmoronado por completo, ela não deveria ter ido ali, mas sim procurado uma forma de acabar com aquilo tudo.












