quando a coreana aceitou aquela aventura, não esperava que fosse ser tão difícil. estava aliviada de ter ido em grupo e não sozinha, como havia ponderado anteriormente. com certeza se perderia e precisariam mandar alguém atrás dela. o quarto com decoração infantil cheio de brinquedos e pequenos detalhes prendeu sua atenção e tirou completamente seu foco. vez ou outra se via perdida brincando com algo e acabava esquecendo de procurar pistas. conseguiu achar uma caixa que parecia ter um quebra-cabeça para resolver em cima. talvez tivesse algo de bom dentro quando a abrisse, mas sky nunca foi boa com quebra-cabeças. “ahnn… é…” pigarreou, mostrando a caixinha com o enigma incompleto para os dois “aceito uma ajuda com isso aqui. eu de verdade não vou conseguir fazer.” se virou para elena que estava mais próxima de si, entregando o objeto para ela tentar resolver. “posso continuar revirando o quarto enquanto isso.”
Um fato motivador para Elena ter aceitado sua entrada no escape room era simples: sairia com facilidade. Derrota não era uma palavra reconhecida semanticamente em seu vocabulário poliglota. Já se imaginava, inclusive, comemorando com seu trio. Recorde de tempo para saírem? Era apenas um dos motivos para comemorarem. Mas, após vinte minutos sem saírem da primeira sala, a mulher já entrava em certo desespero interno. “— Ei, ei, ei. Foco, Skylarzinha” pegou o objeto da mão da mais nova, dando uma rápida observada. Não é como se conseguisse ler com a luz tão fraca, mas, talvez, esse fosse um código para desvendarem o interruptor ou algo assim. Já estava na hora, aquela meia-luz não facilitava nada. “— Ok, retomando, estamos em um escape room de uma festa com tema de zumbi. A primeira coisa que deveríamos ter feito era fazer barricada, reforçar as janelas e deixar um único ponto estratégico de visão pra avistarmos um possível zumbi.” assistir algumas temporadas de The Walking Dead anos atrás com o ex-marido havia lhe rendido certo conhecimento. Ao menos uma recordação boa dos últimos anos de casada. “— Em resumo: já teríamos morrido. Ainda bem que isso aqui é Netflix e o sangue é de chocolate derretido com corante vermelho” entregou o enigma para Cassiel em irritação, não havia conseguido completar “— Ok, vinte e cinco minutos e o que temos é uma vela? Só uma vela apagada? Vou ter que partir pro ilegal. Díos mio, me perdoe. Today smoking is going to save lives” retirou da pequena bolsa um isqueiro. Mesmo que não fumasse há anos, continuava sendo útil. Como os organizadores do jogo haviam esquecido de revistá-la? “— E Deus disse: que haja luz.” comentou ao acender a vela com o isqueiro “— Espero que nossa vida tenha sido facilitada em oitenta por cento agora que enxergamos um pouco melhor.”
Ainda não tinha conseguido contribuir com nada para a equipe. Em jogos como aquele nunca se dava bem quando baixava no celular para passar o tempo no escritório antigo na Irlanda, agora, exposto na realidade, via que suas habilidades não melhoravam nem com esse sendo seu único objetivo por ali. Para a sorte dos três, @skylzrr parecia ter encontrado algo. A caixinha não dizia muito e Cassiel se aproximou de Elena para tentar entender o que diabos era aquele negócio. ' ——— Já teríamos morrido antes mesmo de chegarmos aqui, se fosse pra avaliar nosso péssimo desempenho aqui. Será que os outros grupos já escaparam?' ou pelo menos tiveram algum progresso, claro. Além do mais, barricadas nunca serviam para parar os zumbis. Então eles iriam morrer, se fosse real. A escuridão no quarto em nada ajudava, se fazer aquelas atividades em uma iluminação normal seria difícil, fazer com meia luz estava sendo impossível. ' ——— Deve haver fósforos em algum....' não precisou terminar, o sorriso apareceu em seus lábios de maneira lenta, porém satisfeita. Com a vela agora acessa, eles tinham alguma vantagem. ' ——— Isso é trapaça... mas eu não estou aqui pra julgar. Só não quero que sejamos os últimos a escapar daqui.' bufou baixinho, agora olhando melhor em volta antes de pousar de novo na caixa que a garota mais nova encontrou. ' ——— Agora que estamos enxergando melhor acho que dá para montar.' murmurou, mexendo em algumas peças, soltando um palavrão baixo ao errar os movimentos e ter que movimentar para o lado oposto por alguns instantes antes de finalmente concluir a montagem. A caixinha soltou um estalo com a tranca abrindo. ' ——— Finalmente!' exclamou com alegria, a luz realmente fez uma grande diferença, mas dentro da caixa... só havia um papel com algumas cores em sequência. ' ——— Isso não ajuda em nada. Está vendo alguma coisa com cores?'