Mãe
No dia que você morreu,
taças se ergueram,
sinos tocaram.
Ninguém viu seu corpo
desfilando no caminho do próprio sangue.
Mas no dia que você morreu,
você estava feliz.
Dançou sua música favorita
como se não houvesse amanhã.
Devia ser precognição.
No dia que você morreu,
cordeiro puro
atrás de grande cercado,
ninguém foi seu pastor.
Por mais que no dia que você morreu
sua mãe tenha chorado,
sua avó também.
Assim como você,
foram veladas antes da perda.
No dia que você morreu,
tiraram seu nome,
seus pertences,
sua família,
sua roupa,
você.
Pois no dia que você morreu,
num caixão acolchoado,
junto ao corpo amado,
sangue no véu,
corpo seco,
nada mais havia lá.
No dia que você morreu,
você me concebeu.
















