Poema:
Entre o Desejo e o Espelho
(para Jacques Lacan)
No reflexo, nasce um nome
e o corpo se dobra Γ imagem.
O Eu, encantado, esquece o furo
por onde o desejo escapa.
Fala o Outro, antes que o sujeito exista,
fala e o nomeia β
um eco que o atravessa,
um vazio que o sustenta.
O inconsciente escreve
onde o saber nΓ£o chega,
traΓ§ando com letras falhas
as margens do impossΓvel.
Desejar Γ© faltar,
Γ© correr atrΓ‘s da falta
como quem busca o horizonte
sabendo que ele recua.
E ainda assim, hΓ‘ gozo β
nessa ausΓͺncia que nΓ£o cessa,
nesse nΓ£o-todo que insiste,
nesse amor que Γ© sempre resto.
No espelho, o sujeito se encontra
sΓ³ para perder-se de novo.
Pois ser Γ© estar em falta,
e o Outro β ah, o Outro β
Γ© o abismo onde o sentido se dobra.
Autor: Thadeu Cavachy












