Bebi tua silhueta até adoecer
No fundo do copo ainda nĂŁo consigo ver
Mas tudo bem, eu tenho até amanhecer
Pra aceitar que o melhor Ă© perder
Tenho tanto pouco tempo pra falar o que devia
Até as paredes apodrecem na tua companhia
É gota d'água seca
É dizer o que não devia
Teu olhar me entrega tudo que eu já temia
Te vejo andar sem encostar no chĂŁo
Sangue alastra ao tocar tua mĂŁo
O fardo do teu mundo eu nunca pude carregar
Sufoco o grito no travesseiro pra nĂŁo te acordar
Te ver incendiar lá fora e aqui dessaturar
Me engasgo com tudo aquilo que nĂŁo quis olhar
É gota d'água seca
É invejar o tempo que nada sabia
Repetir o que já foi escrito
Distorcer o que lhe atingia
Aquilo que me assombra, no teu peso de nada valia
É se tornar tudo aquilo que tu maldizia
Choro abafado que insiste e permanece
A raiz envenena o fruto que me oferece
Lenta infiltração que sempre aparece
Nunca assume o caos que a ti também pertence
É tropeçar no que foi dito,
É repetir o que foi escrito,
É repetir...
É gota d'água seca
Anseio mudo, que ecoa no dia a dia
É pele fria que silencia
Repetir o que já foi escrito
Distorcer o que lhe atingia
É ausência disfarçada de anestesia