Estou consumindo muitos romances, mesmo sabendo que a vida real não é uma narrativa fantasiosa: ela é muito mais profunda, árdua e dolorosa. Ainda assim, gosto da ideia de começar uma nova história, mas detesto pensar que, ao fim de cada uma, vou estar chorando, sentindo cada centímetro do vazio que existe em meu peito.
Eu namoro, mas estamos longe de viver um amor, de ter um romance de verdade. Ele não sabe amar: é como um toca-discos empoeirado, que repete frases prontas o tempo todo, como se amar fosse apenas dizer “eu te amo” ou elogiar alguém só quando ela faz algo que preencha a sua carência ou necessidade momentânea.
Estar com ele é conviver com a ausência de cuidado e de respeito. É entender que viver ao lado de quem explode, te trata como se você não valesse nada e depois diz que “foi só estresse” é algo sufocante. É se sentir pequena, perceber que, para ele se sentir seguro, é preciso me diminuir a quase nada.
Eu vivo catando migalhas só para não desistir — como um pombo desnutrido e triste. Finjo que não dói, que já esqueci, que acredito que as suas promessas não são vazias. Cuido das suas feridas, tanto as físicas quanto as internas, enquanto o meu próprio brilho vai se apagando. Me anulo, aceito a vida pequena que ele escolheu para si e, por consequência, para mim também — tudo porque não consigo enxergar valor na minha própria companhia, como se não pudesse olhar para o meu reflexo no espelho com orgulho.
Será que fui feita só para isso? Alguém com tantas habilidades, hobbies, talentos, paixão e dedicação, mas que acaba sempre presa em um quarto escuro, vendo as cores brilhantes da vida apenas por uma tela?
— Butterfly Br 🦋















