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Choviam versos; as rimas buscavam rimas, cansadas de serem as mesmas; a poesia fortalecia o coração do moço.
Machado de Assis. Vênus! Divina Vênus! p. 61-62
Reversos
O Sentimento de Vazio Me Consome de Tal Maneira Que Muitas Vezes, Penso Estar Sozinho em Meio à Multidão. Parece Que o Silêncio Toma Determinada Proporção, Lançando-Me a Partir do Topo de Uma Enorme Ladeira.
O Olhar das Pessoas Fica Frio e o Coração Parece Raso, Com Simples Palavras Que São Apenas Jogadas ao Vento. A Falta de Afeto, de Carinho, de Amor e de Comprometimento Deixam os Meus Sentimentos a Mercê do Puro Acaso.
As Lembranças e as Memórias Acabam Vindo à Mente Numa Explosão Que Me Machuca Nova e Brutalmente, E Me Arrasta Para a Penumbra de Um Escuro Universo.
Quatro de Março é Uma Data Que Jamais Será Esquecida Por Toda a Carga Emocional Que Mudou a Minha Vida E Ainda Me Faz Entrar em Caminhos Totalmente Reversos.
Solidão
Vês!? Ninguém pagou o resgate do refém; A vítima cortejada em seu próprio velório. Enterra-se o corpo sozinho. Um contraditório! Sua vida era venerada com todo desdém.
Na ânsia em ser reconhecido por alguém; Uma ausência concreta na falta de vínculo. Sente-se no coração o aperto do músculo. A alma, sem pertencer, permanece aquém.
Pegue o vinho e derrame-o em seu interior. No espelho, o reflexo não exibe sequer valor. A perda da essência é o que precede o desterro.
Frente à falsa emoção que alguém lhe injeta, Desterre-se da essência que te abjeta. Reflita sobre a imagem diante do espelho.
Raiva
Um grito, interno, que não sai do peito. A expectativa frustrada: um novo receio. Vontade de cravar uma adaga no corpo alheio Deixando o cadáver estraçalhado e roto.
Uma única faísca que acende o pavio Consome toda a pólvora até explodir. O sangue é a lava de um vulcão a eruptir, Numa febre intensa; a mente em desvario.
A carcaça podre é devorada pela fera, Como o ataque feroz do abutre que espera. A tensão muscular que trava a mandíbula.
O impasse leva-nos ao tudo ou ao nada, Frente ao pirata, ameaçados pela espada, Enfrentamos a morte por essa vida ridícula.

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“Jogando tudo fora por acreditar em suas projeções.”
Poema: Suas Projeções
Autor: Bruno Hümmelgen
Livro: Fragmentos (2025)
Sussurro!
Um sussurro ouvido às 4h da manhã, Levanto de mansinho, naquela direção. A porta do quarto fechada, na escuridão. Uma surpresa envenenada como uma maçã.
Saio do quarto, em silêncio, sem barulho; Não acreditando em meus próprios sentidos. Atrás da porta, ouço apenas vozes e ruídos. Giro o trinco e, no lamaçal da noite, mergulho.
Um sussurro ouvido às 4h da manhã, Ligo a luz e deparo-me com a consumação. Dois corpos nus, deleitando-se no colchão, Atrapalhados pela personagem da vilã.
Saio do quarto, em silêncio, sem barulho; Acreditando que o ato seria interrompido. Engano! Continuam os gozos e os gemidos, Como se eu fosse um zé ninguém; um basculho!
Um sussurro ouvido às 4h da manhã, Abraço meu cachorro para acalmar o coração. Volto à cena do crime, àquela depravação; O caos instaurado por mim: o Leviatã.
Saio do quarto, em silêncio, sem barulho; Após expulsar de casa o meliante. Maldito! O meu coração ficou aos pedaços e aflito; Um presente de grego recebido sem embrulho.
“Amar está longe de ser uma perda de tempo.”
Passatempo - Fragmentos, 2025.
Autor: Bruno Hümmelgen
Depressão
Se a alegria jaz a sete palmos do chão. A falta de motivação prende-me na cama. Quero só permanecer deitado, de pijama, E esperar, na ampulheta, cair o último grão.
Aquilo que me motivava perdeu a razão, E a dor interior, cada vez mais, se inflama. A fogueira da vida apagando-se sua chama, Restaram-se as cinzas em sua desolação.
O modus operandi é de um corpo flagelado, E o brilho dos olhos tornou-se ofuscado; A alegria, atraída por um buraco negro, a morrer…
A vida perdeu o encanto de contemplar as cores, E só o preto e o branco colorem minhas dores, Com os olhos fechados é mais fácil de sobreviver.
“Nem todas as coisas merecem nossa atenção.”
Explicações - Fragmentos, 2025.

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Van Gogh
Nas pinceladas carregadas de sentimento, A vulnerabilidade excessiva torna-se fatal. A falta de reconhecimento alheio é brutal, Como um pincel limpo de qualquer pigmento.
As cores vibrantes são uma analogia ao pertencer, Mas o amor que se espera e se merece não vem. O consumo excessivo de substância faz bem, Anestesia-se o profundo colapso do próprio ser.
É exteriorizar a sua dor a partir de uma tinta, Os movimentos frenéticos na tela que se pinta, Como cartas trocadas em meio ao redor imperfeito.
Em desespero, o seu centro está sem proteção E no receio de perder o seu valor, o seu coração, Um simples disparo pode ser o silêncio no peito.
Sorriso Perigoso - Bruno Hümmelgen
Sorriso Perigoso
No momento mais sensível da minha vida, As músicas integram algumas memórias. Ao ouvir essas canções, eu revivo a história. Colocando em dúvida a trilha escolhida.
Estar em um mundo rodeado de pessoas Não significa que será mais fácil o seu caminho. Você pode perceber o quanto está sozinho, Quando o silêncio é o único som que ressoa.
Quem deveria ser seu porto seguro, Às vezes, é a primeira a julgar o seu futuro. Culpando-me; sem me deixar olhar para trás.
Mantenho na face um sorriso perigoso, Mais nocivo do que as lágrimas em meu rosto, Mas os pensamentos não me deixam em paz.
Angústia
De repente, sem ao menos perceber Sentimos um forte aperto no peito. A dor presente e o saber rarefeito. Uma causa inconsciente a reconhecer.
Aço e sangue, o coração vai expelir: É uma bomba-relógio recém-armada. O nó na garganta e a saliva, amarga. O vazio dentro da alma a persistir.
Perdemos a orientação na própria realidade; E surge o desejo da própria fatalidade. Sem rumo, seguimos com a bússola quebrada.
A respiração perde o seu ritmo normal. As lágrimas geladas, pelo rosto; tão natural! Almejamos, somente, o fim da dor afogada.
Enrosco
Quando a vida aperta, eu sei! Nem tudo está resolvido como deveria. A dificuldade da vida me contraria; É a saudade do único que amei.
A ausência causa-me um abismo enorme, Um buraco que não pode ser preenchido. A injustiça sangrou meu coração ferido, Memórias que voltam enquanto se dorme.
Agora estou aqui, às duas horas da manhã, Desabafando como se estivesse num divã, Triste por tudo o que aconteceu conosco.
Eu era imaturo o suficiente para resistir, Mas ainda lembro da cena de te ver partir, Antes de acabarmos presos nesse enrosco.

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Carnaval
Em um momento de festa e liberdade, Refúgio passageiro de intenso alívio. Libertinagem em alta, somente um delírio. Mas, no fim, resta apenas a dura realidade.
O egocentrismo ganha enorme relevância, E a nossa casca torna-se ainda mais importante. A essência, descartável, é meramente ultrajante. Um leilão de carne sem qualquer substância.
A companhia que proporciona essa diversão É temporária, mas acalenta o meu coração, Ao mesmo tempo em que o fere indiretamente.
Essa necessidade de se mostrar superior É abjeta, estúpida e enche-me de dor, Semeando o veneno em minha mente.
Recaída
Em meio à rotina do que era habitual, Um descuido e o meu fiel amigo se esvaiu. Na imaginação, a solidão não era hostil. Mas a exiguidade tomou uma forma brutal.
Quando pensei haver passado pelo pior, Em carne viva meu corpo ficou exposto. Na cabeça, o remédio, apenas um composto. As feridas reabertas sem um pingo de suor.
A mistura de drogas amplificou o caos interior; O meu eu foi colocado em um estado inferior. Aos prantos, recebi os meus inimigos outra vez.
O meu corpo começou a entrar em colapso; A recaída não foi programada, mas um relapso. E o coração continua a bater na mesma escassez.