i want to be able to open up but my feelings are fatal | hugin
Robin sorriu diante a fala apressada do melhor amigo, que mal colocou os olhos nela e já estava tentando lhe deixar mais confortável. Ele realmente tinha mudado muito pouco, pelo menos no que dizia respeito a personalidade e jeito. — Olá, boa noite para você também, Hugh. — Respondeu, brincando com o homem que estava claramente nervoso. Não o culpava; ela também lutava para manter sua ansiedade e sua preocupação sob controle. Não passava tanto tempo com Hugh há anos e, mesmo depois de ter decidido dar uma nova chance para o amigo, Robin ainda se sentia um pouco estranha. Durante toda a adolescência, tinham sido peças de quebra-cabeça feitas para encaixar uma na outra, mas de alguma forma a mulher agora sentia que precisava fazer alguma força para caber ao lado do melhor amigo. Dizia para si mesma que era só questão de tempo, que as coisas voltariam ao normal e seria como se nunca tivessem se afastado, e era precisamente por isso que tinha aceitado acompanhá-lo ao leilão. — Eu não quero chamar atenção, Hugh. Já basta eu ser uma nascida-trouxa no meio de algumas das famílias bruxas puristas mais influentes da Grã-Bretanha. Se eu aparecesse descalça ou vestindo qualquer coisa diferente, tenho certeza que as pessoas notariam. — Disse, enquanto se virava para trancar a porta da frente a ativar os feitiços de proteção com um aceno de varinha.
O comentário de Hugh sobre sua aparência fez as bochechas de Robin corarem. Ela mesma não estava acostumada a se ver tão arrumada daquela forma e estava nervosa demais por estar fora da sua zona de conforto, mas o elogio do homem lhe acalmou. Talvez ela não se sentisse um peixe fora d'água naquela noite, no fim das contas. — Que bom que as pessoas vão estar pagando pelos artefatos leiloados. Assim minha beleza fica toda para você, meu bom amigo. — Era um comentário ousado demais para o feito de Robin, mas ela estava com Hugh e achava que ele não levaria aquilo como algo além de uma brincadeira. Fora de casa, a mulher finalmente deu uma boa olhada no seu acompanhante. — Olhe só para você! Todo crescido e elegante de terno e gravata. — O Bones definitivamente ficava mais bonito com os cabelos curtos e Robin se lembrou de como o amigo tinha enfatizado que os tinha cortado por conta dela. Ela não estava acostumada com a imagem do melhor amigo como um homem e sempre era pega de surpresa ao vê-lo. — Você está muito bonito, Hugh. Pronto para quebrar vários corações, tenho certeza. — Era novamente uma brincadeira, pois Robin gostava de acreditar que seu melhor amigo jamais seria capaz de quebrar o coração de alguém. Pensava que ele era melhor do que todos os ex-namorados que tinham lhe machucado e feito com que ela perdesse a esperança no amor. Enlaçou seu braço no dele, buscando algum apoio para se equilibrar naqueles saltos e se dirigiu a um lugar onde pudessem aparatar sem serem vistos. — Eu não faço ideia de onde estamos indo, então mostre o caminho. — Disse, deixando que Hugh assumisse a aparatação. A costumeira sensação desconfortável pareceu ainda pior e Robin pensou que talvez colocasse sua última refeição para a fora assim que seus pés tocaram o chão novamente. Respirou fundo algumas vezes, tentando controlar novamente seu nervosismo. — Por favor, não me deixe sozinha. — Sussurrou em súplica para o homem que lhe guiava pelas portas de entrada do evento.
O nervosismo que havia apresentado no começo da noite foi se dissipando conforme, Robin foi se fazendo presente em todo os aspectos de sua mente e corpo. Não havia mais nada em sua mente ou preocupações. Ele só queria fazer daquela noite a melhor possível. Deixar todos os problemas que enfrentaram para trás. O destino havia dado a eles uma nova oportunidade, e por mais que ele se considerasse burro por sua falta de capacidade para algumas coisas, ele não era de entender que não se jogava fora um presente como aquele. “Acho que já quebrei o coração da única garota que eu me importei o suficiente. Agora eu quero é consertar tudo. Se tiver um espaço para mim.” Suas palavras eram calorosas e esperançosas, e Hugh sabia que poderia estar apressando e colocando muita pressão naquele único dia, mas era como se tudo estivesse se encaminhando para a perfeita harmonia. Pegou duas taças da primeira bebida que viu e ofereceu uma para Robin.
“Quando eu era menor, antes de Amelia e Edgar. Lembro que em eventos eu gostava de ficar ao lado do meu pai e ficar fingindo ser adulto entendendo tudo que eles estavam falando. Quando eles nasceram alguns anos depois, eu fui entender o que realmente era ser adulto. Eles ficavam correndo de um lado e para o outro, e meu pai precisava falar com seus superiores então ficava ajudando minha mãe a manter a roupa deles inteira e que ninguém se machucasse. Hoje vejo que cuidar deles era muito mais adulto do que fingir ser um fidalgo.” A memória fez com que ele sorrisse. Memórias de cabelos loiros compridos correndo e de Edgar puxando sua gravata vieram a sua mente, e ele não pode deixar de sorrir pensando que faria qualquer coisa por seus irmãos, e que os amava mais do que qualquer outra coisa nesse mundo. O bom de ser alto é que pode ficar na ponta dos pés e procurar pelo topo loiro e castanho somente para se certificar de que estavam tranquilos, afinal, alguns hábitos eram difícios de acabar.
Guiou Robin para uma varanda mais afastada onde não tinham tantas pessoas assim, apenas algumas duplas rindo e outros casais que ele supos que estavam flertando. “Achei que você fosse preferir um pouco de ar.” Colocou os braços no parapeito. Pensando se daria ou não broche agora, e talvez um pedido. Não, ainda era cedo. Talvez quando tivesse bebido um pouco mais. “E você? Depois de virar healer, aposto que foi empurrada para um ou dois eventos desses que você não podia fugir. Qual é sua estratégia aqui, capitã?” Lembrou-se que sempre a chamava daquela forma quando estavam em Hogwarts e bolavam planos. Ela a capitã e o cérebro, ele os músculos e o fiel soldado.