Isso nĂŁo Ă© amor. NĂŁo pode ser.
NĂŁo Ă© amor quando eu espero horas sem notĂcias e vocĂȘ volta como se nada tivesse acontecido, como se a minha angĂșstia nĂŁo valesse nada. E nĂŁo vale.
NĂŁo Ă© amor.
NĂŁo Ă© amor quando eu deito esperando um toque e vocĂȘ vira pro outro lado viver os seus sonhos. E eu passo a noite acordada pensando no que poderia ter sido. E eu acordo sem lembrar como eu dormi, confusa entre o que foi sonho e o que Ă© real.
E nĂŁo pode ser amor quando eu escrevo dez cartas e nĂŁo recebo nenhuma resposta. E cada vez que o carteiro passa eu corro com a esperança de ser vocĂȘ, mas Ă© sĂł a conta de luz que chegou mais uma vez.
E nĂŁo foi amor quando eu fiz o jantar Ă luz de velas para nĂłs e vocĂȘ comeu duas garfadas sentado no sofĂĄ e preferiu comer pizza gelada no meio da madrugada.
E nĂŁo Ă© amor todos os anos que vocĂȘ nĂŁo lembrou nosso aniversĂĄrio de casamento enquanto eu esperava ao menos uma flor que vocĂȘ arrancou do jardim do vizinho.
O amor nĂŁo sobrevive quando sĂł uma pessoa sente. E o amor nĂŁo Ă© sĂł dizer para o outro que ama. O amor estĂĄ nas pequenas atitudes para o outro. E o outro sente, sente tudo, mesmo que vocĂȘ ache que nĂŁo.
Quem ama percebe todos os detalhes, quem ama vĂȘ atĂ© o jeito que o outro pisca, respira. Quem ama nĂŁo Ă© bobo, nĂŁo Ă© enganado. Quem ama nĂŁo consegue deixar de amar, mesmo com todos os erros do outro. Mas isso, nĂŁo Ă© amor.
Heloisa Ehlke - sem amor




















