Elluín Raeven Nevaan
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Elluín Raeven Nevaan

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It's not the world that's cruel. It's the people in it.
🦊
Neil nunca tinha pensado em futuro. Para ele, o amanhã sempre foi uma incógnita, algo que poderia ser arrancado em qualquer esquina. Mas, com o tempo, vivendo ao lado de Andrew, percebeu que os dias começaram a se repetir de uma forma que não era sufocante, e sim... segura. Segurança era um território novo, em uma noite qualquer, sentado no sofá, ele observava Andrew lendo com King enroscado nos pés e Sir Fat Cat espalhado no colo como uma almofada viva. O apartamento estava em silêncio, exceto pelo ronronar preguiçoso dos gatos, foi ali que o pensamento atravessou Neil: e se houvesse mais alguém aqui?
No começo, ele afastou a ideia como se fosse uma loucura. Ele, pai? Andrew, pai? E se ele fosse igual a seu pai? Ele nunca seria igual a Nathan, Neil ser pai parecia quase uma piada, mas a semente ficou.
— Você já pensou em... adotar? — alguns dias depois ele disse sem planejar, se surpreendendo com a própria fala, Andrew ergueu os olhos do livro, encarando-o com a mesma expressão que reservava para perguntas absurdas.
— Adotar o quê?
— Uma criança. — Neil disse, firme, mesmo sentindo o coração acelerar.
O silêncio caiu entre eles como uma lâmina. Andrew fechou o livro devagar, os olhos fixos em Neil.
— Crianças gritam, fazem sujeira e bagunça, precisam de atenção o tempo todo.
— Eu sei. — Neil respirou fundo. — Mas... eu fico pensando se a gente poderia dar a alguém o que nunca tivemos, um lugar seguro.
Andrew não respondeu de imediato, mas Neil conhecia aquele olhar: era o olhar de alguém que estava considerando a possibilidade, mas odiava admitir.
— Você não entende. — Andrew finalmente murmurou, a voz baixa. — Crianças... confiam e confiança é a coisa mais difícil de segurar sem quebrar. — Neil sentiu o peso daquelas palavras. Aproximou-se no sofá, deixando a mão descansar sobre a dele.
— Eu entendo. Por isso acho que nós poderíamos. — Andrew não afastou a mão e ficou em silêncio por longos segundos, até suspirar.
— Você realmente quer isso? — Neil assentiu.
— Quero.
Andrew desviou o olhar, encarando King que bocejara alto. Depois, voltou os olhos para Neil.
— Então eu vou pensar. — e para Andrew, aquilo já era quase um "sim".
A decisão não foi um único "sim". Foi uma coleção de silêncios, olhares, e o modo como Andrew não negava mais cada vez que Neil trazia o assunto. Até que, um dia, Neil colocou os papéis sobre a mesa da cozinha.
— Eu pesquisei. — disse, sério, empurrando uma pilha de formulários em direção a Andrew. — É um processo longo, cheio de entrevistas.
Andrew olhou para a papelada como quem encara um inimigo.
— Parece tortura.
— Talvez seja. — Neil sorriu de leve. — Mas é o único caminho.
As primeiras entrevistas foram um campo minado. Neil, tentando soar diplomático, falava com sinceridade sobre como queria oferecer um lar estável, mas Andrew, por sua vez, respondia com frases curtas, secas, que deixavam os assistentes sociais franzindo a testa.
— Vocês acreditam estar prontos para assumir a responsabilidade de uma criança? — perguntou uma das avaliadoras, a qual Neil respondeu sem hesitar:
— Sim. — Andrew demorou. Os olhos frios fixaram na mulher, depois em Neil.
— Pronto? Não, mas eu não vou a lugar nenhum. — O silêncio se estendeu, até que a avaliadora anotou algo no caderno, quase sorrindo.
Quando chegavam em casa, Neil suspirava após cada reunião.
— Você podia tentar ser mais... gentil. — Andrew levantava a sobrancelha.
— Quer que eu minta?
— Não. — Neil balançava a cabeça. — Só... talvez mostrar que você se importa.
Andrew o encarava por longos segundos. Depois, simplesmente dizia:
— Se eu não me importasse, eu não estaria aqui.
As semanas se arrastaram entre formulários, entrevistas, visitas domiciliares. Nicky quase chorou quando soube, queria até vir da Alemanha mas seu emprego de relações públicas não permitia no momento, a viagem teria que ser adiada enquanto Matt e Dan ofereceram qualquer ajuda que fosse necessária, até Kevin, com sua objetividade incômoda esteve presente nesse momento
— Crianças são caóticas, mas se vocês treinarem como treinam Exy, talvez deem conta. — o moreno disse, fazendo com que Andrew quase batesse a porta na cara dele, mas Neil riu.
O processo não foi fácil, eles sabiam que não seria, ainda mais com o histórico deles, javia momentos em que Neil se pegava com medo de serem rejeitados, medo de falhar, havia noites em que Andrew, em silêncio, apertava a mão de Neil debaixo das cobertas, como quem dizia: Eu não vou desistir.
Um passo de cada vez, eles foram avançando. Até o dia em que receberam a ligação:
— Temos uma criança para vocês conhecerem.
O abrigo era simples, paredes claras, cheias de desenhos feitos por mãos pequenas, e um cheiro de talco misturado com café barato. Neil sentia o coração bater rápido demais, como antes de uma partida decisiva. Só que agora não havia placar, nem vitória ou derrota, apenas a vida de alguém prestes a cruzar com a deles.
Andrew caminhava ao lado dele, as mãos enfiadas nos bolsos, expressão de tédio. Mas Neil sabia, sabia que por dentro, cada passo era um terremoto.
— Estão prontos? — perguntou a assistente social, com um sorriso paciente.
Neil assentiu. Andrew não respondeu, mas também não virou as costas. Para eles, aquilo já era muito.
O bebê estava numa cadeirinha, perto de uma janela. Pequeno, enrolado em um macacão amarelo. Os olhos arregalados observaram os dois homens que entraram no cômodo como se fosse a coisa mais nova e estranha do mundo, Neil parou no meio do caminho. Era como se todos os fios da sua vida, todas as fugas, todas as marcas, tivessem levado até aquele instante, ele respirou fundo
— Oi. — sua voz saiu baixa, quase quebrada. — Eu sou o Neil.
Andrew ficou em silêncio, o bebê balbuciou algo sem sentido, e a assistente social o pegou no colo, estendendo-o primeiro para Neil.
— A certidão dele diz que o nome dele é Arthur mas vocês pode mudar se desejarem — assim disse a mulher enquanto entregava o pequeno Art para Neil.
Neil o recebeu com braços trêmulos, o peso era mínimo, mas parecia imenso, o pequeno se mexeu, soltou um resmungo, depois encostou a cabeça contra o peito dele. Neil piscou várias vezes, tentando disfarçar as lágrimas.
— Ele gosta de você. — disse a assistente, sorrindo. Andrew observava, imóvel. Os olhos castanhos não desviavam do bebê, como se tentassem decifrar um enigma impossível.
— Quer segurar? — Neil perguntou, a voz embargada, Andrew hesitou. Por longos segundos, parecia que diria não. Mas então deu um passo à frente e estendeu os braços.
O bebê foi colocado contra o peito dele e Andrew segurou firme, como se temesse que o mundo inteiro pudesse arrancá-lo dali, o pequeno o encarou com olhos curiosos, depois agarrou um pedaço da camiseta de Andrew com os dedinhos.
Andrew não se moveu. Não falou. Apenas ficou parado, respirando fundo, como se o universo tivesse parado de girar.
Neil observava a cena com um sorriso que doía, porque ali estava o Andrew que quase ninguém via: o homem que dizia não precisar de nada, mas que naquele instante, já estava perdido para sempre naquele bebê.
Na volta para casa, o silêncio dentro do carro parecia diferente. Mais cheio.
— E então? — Neil arriscou.
Andrew manteve os olhos na estrada mas respondeu minutos depois, seco mas com algo na voz que Neil reconheceu como rendição.
— Ele fica.
Neil sorriu, fechando os olhos por um instante. Porque sabia: Estavam construindo uma família.
Bom... depois desse dia a casa nunca mais foi a mesma.
Na primeira noite, o silêncio foi quebrado pelo choro insistente que parecia não ter fim. Neil se levantou primeiro, desajeitado, tentando preparar a mamadeira sem derrubar nada. Andrew apareceu logo depois, de expressão impassível, mas pegando, Arthur no colo com uma naturalidade que surpreendeu até Neil.
— Ele vai se acostumar. — Neil disse, ainda inseguro.
— Nós também. — Andrew respondeu, seco, mas não entregou o bebê de volta.
Os gatos foram os primeiros a protestar, Sir Fat Cat se escondia em cima da estante sempre que o choro ecoava. King, por outro lado, parecia intrigado, aproximando-se do berço como se fosse um novo súdito. Andrew afastava com um "não toca", mas Neil ria ao ver o gato deitado perto do carrinho, como guarda-costas felino.
As noites foram longas, Art acordava a cada duas horas e Neil, exausto, caía no sofá com olheiras profundas, mas para sua surpresa, Andrew não desaparecia em silêncio. Ele se levantava também, trocando fraldas com uma habilidade que ninguém esperava, embalando o pequeno até que o choro diminuísse.
— Você disse que não tinha paciência para isso. — Neil comentou certa vez, a voz arrastada pela falta de sono, Andrew olhou para o bebê adormecido nos braços.
— Não tenho. — murmurou. — Mas ele não me irrita.
Neil sorriu, sabendo o peso que aquela frase carregava, com o tempo, a rotina ganhou ritmo. Pequenos rituais nasceram: Andrew colocando música baixa enquanto alimentava o bebê, Neil caminhando pelo corredor com ele no colo, sussurrando histórias sobre jogos e fugas que agora pareciam distantes e em meio ao caos, havia momentos de silêncio onde o pequeno Art estava adormecido entre os dois no sofá, Neil com a cabeça no ombro de Andrew, Andrew com os olhos fixos naquele ser minúsculo que agora era deles.
This part-
They ruined me forever
I still haven't finished the third book but I needed to draw that scene
Andrew nunca quis um gato. Ele dizia que eles eram imprevisíveis, desobedientes, bagunçavam a casa e demandavam atenção que ele não estava disposto a dar. Neil, por outro lado, cresceu em uma casa com animais, então sabia que eventualmente algum dia um gato iria aparecer e seria inevitável.
O primeiro foi um gato laranja, ele era gordo e tinha olhos preguiçosos quando Neil encontrou-o em um abrigo durante uma viagem de treino, Josten se apaixonou imediatamente, para o azar de Andrew
— Ele não vai dar trabalho — disse Neil a Andrew, mostrando o pequeno felino encolhido no colo.
— Vai. — Andrew respondeu seco, cruzando os braços. — Todo animal dá trabalho. Você sabe disso.
— Mas o Sir é diferente, não é, meu amor?— Neil insistiu, acariciando a cabeça do gato que, surpreendentemente, ronronou.
— Sir? — Andrew disse olhando para ele com o um olhar entediado e de julgamento
— Sir Fat Cat McCatterson — Neil respondeu fazendo carinho nas orelhas do gato e sorrindo para o mesmo
— Que nome ridículo — o loiro disse olhando para o ruivo, Andrew bufou, mas secretamente observou. A forma como Sir se esfregava em Neil, como se reconhecesse confiança, mexeu com algo que Andrew não queria admitir.
Nos primeiros dias em casa, Sir Fat Cat decidiu que Andrew era uma espécie de território proibido. Sempre que Andrew se aproximava, o gato se encolhia ou fugia para o alto da estante. Neil ria silenciosamente, achando divertido ver Andrew desconcertado.
— Ele ainda não gosta de mim — Andrew murmurou uma noite, jogando-se no sofá.
— Ele está te testando — Neil respondeu, encostando a cabeça no ombro dele. — Você vai ver, ele vai escolher você sozinho.
E claro, escolheu. Uma manhã, Andrew acordou com Sir deitado sobre seu peito, ronronando alto, orelhas viradas para frente como se dissesse: "Tudo bem, você passou no teste."
O segundo foi "King Fluffykins" como Neil o chamava. Andrew encontrou-o por acaso em uma rua lateral, Um gato preto, magro e com olhos amarelos que pareciam capazes de enxergar cada segredinho dele. Ele estava prestes a ignorar o gato quando Neil apareceu correndo atrás dele:
— Andrew! Não podemos deixar ele na rua! Olha só esse olhar! Ele precisa de nós!
Andrew bufou, cruzou os braços, mas cedeu. King Fluffykins como Neil o nomeou com um humor teatral, logo se instalou no apartamento, assumindo o trono no sofá.
Diferente de Sir Fat Cat, King se apegou imediatamente a Andrew. Subia no colo dele, reclamava de carinho e exigia atenção. Neil ria, achando irônico que o gato mais desconfiado do mundo tivesse escolhido justamente Andrew, Neil brincava dizendo até que eles se pareciam, o que sempre dizia que não queria gatos, parecia até um pai de tão protetor com os mesmos e assim, com um gato que desafiava Andrew e outro que o conquistava secretamente, Neil e Andrew tiveram a primeira experiência real de família juntos. Entre ronronos, pequenas brigas por atenção e noites com gatos dormindo entre eles, a casa ganhou vida, bagunça e calor, exatamente o que ambos precisavam, mesmo que Andrew demorasse a admitir.
(Quebra de tempo)
O dia começou com Sir Fat Cat empoleirado no alto da estante, olhando Andrew com desdém absoluto, ele não se mexia, apenas observava, como se dissesse: "Você ainda não provou que merece minha confiança." e Andrew sempre retribuía com um murmurado "gato preguiçoso" Neil estava sentado no chão, rindo silenciosamente, já acostumado com o teste diário de paciência do gato e com as "brigas" entre ele e seu namorado
— Andrew, olha só, ele te está avaliando — disse Neil, se inclinando para baixo para fazer carinho no gato.
— Avaliando ou julgando? — Andrew retrucou, cruzando os braços, os olhos semicerrados.
Sir, como sempre, não respondeu. Apenas desceu lentamente da estante, passos silenciosos, aproximando-se do sofá. Andrew permaneceu imóvel, quando o gato finalmente tocou o braço dele, um arrepio percorreu todo o corpo de Andrew. Sir havia dado o primeiro passo: a confiança mínima. Enquanto isso, King estava completamente diferente. Encontrado na rua como um bichinho "arisco e desconfiado", ele se instalou no colo de Andrew como se aquele sofá fosse seu reino. Cada ronronar parecia um decreto: "Eu exijo atenção e respeito." Neil não podia parar de rir ao ver Andrew, sempre tão sério, tentando ignorar o gato que o dominava por completo.
— Ele vai estragar você — Neil comentou, tentando segurar a risada.
— Ele já estragou — Andrew murmurou, mas não afastou King Fluffykins do colo.
Os dias seguintes se tornaram uma dança silenciosa de afeto e testes. Sir, o gato amoroso e preguiçoso começou a se aproximar mais de Andrew, tocando a mão dele com a pata, aceitando ser acariciado durante poucos segundos, depois sumindo para observar o movimento da casa, Andrew percebeu que sorrir para o gato era inevitável.
King, por outro lado, exigia atenção contínua. Pulava nos livros que Neil lia, dormia sobre o teclado do laptop e se esticava sobre Andrew quando este tentava treinar ou ler mas, estranhamente, isso também criou momentos de ternura. Andrew, acostumado a não demonstrar nada, se pegava rindo quando o gato se contorcia para ficar confortável em seus braços.
E então vieram os pequenos momentos:
• Neil encontrando dormindo ao lado de Andrew de manhã, e Andrew não movendo um dedo para expulsá-lo.
• Sir Fat Cat enroscado nas pernas de Andrew enquanto Neil tentava tomar banho, bloqueando a porta com total autoridade felina.
• King escolhendo o sofá favorito de Andrew para cochilar, e Andrew secretamente se alegrando com a escolha do gato.
Com o tempo, Andrew aprendeu a ler cada movimento dos dois gatos. King, desconfiado, mostrava sinais sutis de carinho que só Andrew conseguia perceber. Sir Fat Cat, desleixado e teatral, exigia atenção e Andrew cedia, tentando esconder seus sorrisos no meio da sala.
Neil observava tudo, sorrindo e ele sabia que não era só pelos gatos. Cada passo de Andrew na confiança e carinho era também um passo no relacionamento deles, cada ronronar, cada toque, cada travessura era um lembrete silencioso de que aquela casa, cheia de pelos e caos, finalmente se tornara lar.
E Andrew? Ele não admitiria em voz alta, mas quando King se aninhava em seu colo ou Sir Fat Cat se esticava sobre ele, ele sentia algo que nunca sentira em nenhum treino ou jogo: paz.
Com amor, Ceci 🏳️🌈📚🦊🥍 10 Works, 10 Reading Lists, 426 Followers

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soft mornings 🌅
“Don’t forget that you are a warrior of a very special kind.
You are a warrior of a mind”
O vestiário estava mais silencioso do que o normal. A vitória tinha sido difícil, e cada um da equipe parecia absorvido em pensamentos. Jeremy ficou para trás, enrolando as ataduras nas mãos mesmo depois que todos tinham ido embora, todos exceto por Jean. O francês estava sentado no banco, os cabelos ainda molhados do banho, com o olhar perdido no vazio. Jeremy o observou de soslaio, o peito apertado com aquela ansiedade silenciosa que só Jean conseguia provocar.
— Você jogou bem hoje — disse Jeremy, finalmente. Jean virou o rosto lentamente, os olhos cinzentos e cansados encontrando os de Jeremy. Por um segundo, ele não respondeu. Depois, murmurou:
— Só joguei. Não tem bem ou mal nisso. — Jeremy franziu o cenho.
— Sempre tem. Você salvou o jogo, o passe para por Kevin foi perfeito. — Jean deu um meio sorriso torto, quase triste. Jeremy se aproximou, sentando-se ao lado dele, os joelhos quase se tocando.
— Por que você sempre faz isso? — Jeremy perguntou.
— Fazer o quê? — ele retrucou franzindo o cenho
— Se apagar. Como se não fizesse diferença. — Jean desviou o olhar. O silêncio caiu entre eles outra vez, denso como as paredes de concreto ao redor. Então Jean falou, baixo
— Porque é mais fácil não sentir. Porque se eu começar a acreditar que importa, vai doer mais quando acabar.— Jeremy engoliu seco, o ar parecia mais pesado, rarefeito naquele instante. Ele se inclinou um pouco, como se cada palavra de Jean puxasse seu corpo para mais perto.
— E se não acabar? — Jean encarou Jeremy como se aquilo fosse uma pergunta perigosa ou uma afirmação idiota. Como se não soubesse a resposta ou como se desejasse que fosse verdade.
— Jeremy... — Mas Jeremy já estava ali, tão perto que podia sentir a respiração de Jean. Seus olhos caíram para os lábios do francês, entreabertos em surpresa e hesitação.
— Eu só... — Jeremy sussurrou, quase sem coragem — ...quero que você saiba que alguém se importa. — O beijo foi lento, tenso no início. Jean não se moveu por um segundo, congelado entre o medo e o desejo. Mas então sua mão subiu até o ombro de Jeremy, e ele se entregou. Foi um beijo com gosto de batalha vencida, de uma armadura rachando. Quando se afastaram, Jean encostou a testa na de Jeremy, os olhos fechados.
— Isso vai complicar tudo — ele murmurou.
— Talvez. Mas pela primeira vez... eu não ligo. — Jean sorriu, de verdade dessa vez.
[quebra de tempo]
Jeremy acordou cedo no dia seguinte, como sempre. O treino matinal era inegociável, mas o corpo dele estava distraído. Os movimentos automáticos, vestir o uniforme, prender os tênis, pegar a raquete, contrastavam com o caos que se instalava na mente.
Ele havia beijado Jean Moreau.
Mais do que isso: Jean havia retribuído, ele não tinha se afastado.
Ele chegou mais cedo no ginásio, na esperança de encontrar clareza no som das raquetes batendo contra as paredes, mas nem mesmo o ritmo do jogo podia silenciar a memória daquele momento. O gosto, a respiração, aquela confusão nos olhos de Jean. O vestiário estava vazio, mas não por muito tempo. Jeremy ouviu passos, leves e firmes, e soube antes mesmo de virar que era ele, Jean parou na porta.
— Você chegou cedo.
— Hábito — Jeremy respondeu, tentando manter a voz estável.
Jean entrou. Havia uma hesitação em cada passo dele, como se ele estivesse pisando sobre gelo fino. Jeremy observou de soslaio enquanto Jean se sentava, começando a calçar os tênis sem olhar para ele, o silêncio entre eles agora era diferente. Não era desconfortável, era carregado.
— Sobre ontem... — Jean começou, a voz baixa, como se ela pudesse sumir a qualquer momento, Jeremy se virou para encará-lo.
— Não se desculpe. — Jean ergueu os olhos.
— Eu não ia. — Então houve uma pausa. Os dois se olharam, e havia algo ali, algo tênue, construído com cuidado, medo e desejo. Jeremy se aproximou devagar, não querendo assustá-lo, e sentou no banco ao lado dele.
— Eu não sei como... fazer isso — Jean admitiu, olhando para a frente. — Me abrir. Confiar.
— Você não precisa saber. Eu só quero que a gente vá no seu tempo. Sem pressa. Sem pressão. — Jean assentiu lentamente. Seus ombros relaxaram um pouco, e pela primeira vez, ele parecia acreditar que podia, de fato, ser cuidado.
— Posso te contar uma coisa? — Jean murmurou, ainda sem encará-lo.
— Claro.
— Depois do beijo... quando fui dormir, fiquei pensando que talvez... talvez eu quisesse isso há mais tempo do que imaginava.
Jeremy sorriu. Não um sorriso largo, mas um desses sorrisos pequenos que nascem no peito e sobem devagar até os olhos.
— Eu sei que eu queria.
Jean olhou para ele por um segundo. Depois, inclinou-se só o bastante para roçar seus lábios contra os de Jeremy, num beijo breve, quase tímido, os dedos do Moreau se entrelaçando nos seus cabelos lentamente, ainda hesitante, não foi demorado mas foi o suficiente
— Então... estamos mesmo fazendo isso? — ele perguntou com um leve sorriso nos seus lábios, aqueles olhos gélidos encontrando os olhos quentes, intensos e castanhos do loiro que pareciam refletirem o mundo inteiro, Jeremy pegou a mão dele, entrelaçando os dedos com firmeza. Jeremy pegou a mão dele, entrelaçando os dedos com firmeza.
— Estamos.
(Obs.: heyyyy, eu nunca tinha pensado em trazer alguma das minhas histórias para cá mas hoje eu pensei, e por que não? Espero que gostem, se quiserem conhecer mais, saibam que atualizo meu perfil mo Wattpad quase que sempre, me deixem o feedback de vocês se não for pedir demais :)
Devo continuar?
Sim, claro
Não, deixa de loucura
Fight Little Wolf! Fight!!

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