Sou o teu guia,
tu o meu.
Por grutas, astúcias,
viagens ancestrais.
Nada de quem amou ignoras.
Sabes
e eu seu dar-te
na pele
o prazer do sol.
António Osório
casa das sementes, poesia escolhida

oozey mess
Three Goblin Art
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hello vonnie
occasionally subtle
Sade Olutola
YOU ARE THE REASON

Cosmic Funnies
trying on a metaphor

Xuebing Du

tannertan36
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Cosimo Galluzzi
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祝日 / Permanent Vacation
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Sou o teu guia,
tu o meu.
Por grutas, astúcias,
viagens ancestrais.
Nada de quem amou ignoras.
Sabes
e eu seu dar-te
na pele
o prazer do sol.
António Osório
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Observo o trânsito
que passa
no bar em que espero
não recordo quem.
Duas mulheres
tagarelam
à beirinha do passeio.
Não seria mau
que acontecesse de uma vez alguma coisa.
Que se pusessem a atravessar a rua,
por exemplo,
e um camião as convertesse em carne picada.
Travessuras da mente.
Digo eu.
É melhor deixar o trânsito
sossegado. Pedir outro café.
Roger Wolfe
fazer o trabalho sujo
L'été / Summer (1968) dir. Marcel Hanoun
Faço a minha caminhada;
a volta é larga e traz-me
a casa; então, sem som
ou palavra, sou eu que estou a meu lado.
Robert Walser
descida brusca de temperatura
Sabes o que é estar sozinho por tanto tempo
que sais a meio da noite
e enfias o balde no poço
só para sentires algo lá em baixo
a puxar a outra ponta da corda?
Jack Gilbert
deixem-me ser ambos

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Talvez não saiba esperar.
Talvez impacientemente
eu force as horas e os dias,
as horas e os leves anos
para um mar de lentidão.
Talvez na certa intenção
de os afogar de repente
e ficar livre boiando,
talvez ainda esperando
o que não saiba esperar.
Maria Alberta Menéres
água-memória (1960)
O segredo está em não deixar o tempo devorar-me, mas devorá-lo eu com dentes de terra e medo. Mastigar tudo, as sombras, as bocas, as pedras, o céu, os ossos pendentes das caras e as deusas a cavalo – patas nas searas, crinas de faúlhas ao vento… Devorar o tempo sem relógios que não deixa sinais senão nos olhos das palavras mortais. José Gomes Ferreira
ela despe-se no paraíso
da sua memória
ela desconhece o feroz destino
das suas visões
ela tem medo de não saber nomear
o que não existe
Alejandra Pizarnik
“Há quem acredite em milagres, há quem cometa maldades, há quem não saiba dizer a verdade.”
— Seu Jorge.

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Hoje que tudo me falta, como se fosse o chão,
Que me conheço atrozmente, que toda a literatura
Que uso de mim para mim, para ter consciência de mim,
Caiu, como o papel que embrulhou um rebuçado mau —
Hoje tenho uma alma parecida com a morte dos nervos
Necrose da alma,
Apodrecimento dos sentidos.
Tudo quanto tenho feito conheço-o claramente: é nada.
Tudo quanto sonhei, podia tê-lo sonhado o moço de fretes.
Tudo quanto amei, se hoje me lembro que o amei, morreu há muito.
Ó Paraíso Perdido da minha infância burguesa,
Meu Éden agasalhando o chá nocturno,
Minha colcha limpa de menino!
O Destino acabou-me como a um manuscrito interrompido.
Nem altos nem baixos — consciência de nem sequer a ter...
Papelotes da velha solteira — toda a minha vida.
Tenho uma náusea do estômago nos pulmões.
Custa-me a respirar para sustentar a alma.
Tenho uma quantidade de doenças tristes nas juntas da vontade.
Minha grinalda de poeta — eras de flores de papel,
A tua imortalidade presumida era o não teres vida.
Minha coroa de louros de poeta — sonhada petrarquicamente,
Sem capotinho mas com fama,
Sem dados mas com Deus —
Tabuleta [de] vinho falsificado na última taberna da esquina!
9-3-1930
Álvaro de Campos
livro de versos
Do rio que tudo arrasta se diz que é violento.
Mas ninguém diz violentas
As margens que o comprimem.
Bertolt Brecht
Descansa agora. Foram
demasiadas emoções.
O crepúsculo, depois a noitinha. No quarto
cintilam pirilampos, aqui, acolá, aqui, acolá,
e a funda doçura do Verão entra pela janela aberta.
Não penses mais nestas coisas.
Ouve-me a respirar, ouve-te a respirar
como os pirilampos, cada pequeno sopro
é um clarão onde aparece o mundo.
Já cantei muito para ti na noite de Verão.
Hei-de conquistar-te, no final: o mundo não pode conceder-te
esta visão contínua.
Deves aprender a amar-me. Os humanos devem aprender a amar
o silêncio e o escuro.
Louise Glück
a íris selvagem
Algures alguém viaja furiosamente ao teu encontro,
A uma velocidade incrível, viajando dia e noite
Por entre nevões e calores do deserto, transpondo torrentes, atravessando desfila-
[deiros.
Mas saberá ele onde te encontrar?
Reconhecer-te-á quando te vir?
Dir-te-á a coisa que tem para ti?
Aqui quase nada cresce,
E contudo os celeiros estão a abarrotar,
As sacas de grão empilhadas até às traves do tecto.
Os ribeiros correm docemente, engordando o peixe;
Pássaros escurecem o céu. Será que basta
Deixar a malga do leite lá fora à noite,
Pensar nele às vezes,
Às vezes e sempre, com sentimentos confusos?
John Ashbery
uma onda e outros poemas
Não envelheço. Torno-me antigo.
O velho sempre viveu em mim,
sempre o pressenti no olhar
magoado demorando-se nas coisas,
em certa lentidão não premeditada
dos gestos e nas lembranças confusas
de uma outra recuada idade.
Sempre aflorou na mão e na estima
triste que se estende aos amigos,
na aresta de desconsolo que espreita
as minhas horas de amor.
O velho sempre viveu em mim.
Eis que, enfim, o reboco
se lhe começa a assemelhar.
Rui Knopfli
maxila triste
memória consentida

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Dos meus quartos de hotel
relembro os objectos que fui deixando para trás
Em Granada um chapéu-de-chuva grená
em sítio incerto um soutien branco
em Andorra um gorro lilás
em Lyon a travessa de prata da avó
Lista cacofónica com que pretendia deixar a minha marca
uma forma antecipada de inscrição na pedra
e a aprendizagem lenta do desapego
Marta Navarro; paola d´agostino
dançam; dançam
É tempo já, Inês, o mundo acaba Em que amor foi possível e urgente; A promessa talhada nessa pedra, Ou é cumprida hoje, ou tudo mente.
José Saramago os poemas possíveis