i found an island in your arms {bei-ja-min, dezembro 1971}
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Era uma sensação engraçada estar em um pub trouxa. Uma jukebox entoava a melodia familiar de Starway to Heaven pela terceira vez desde que chegaram ali, os acordes de Jimmy Page e a voz Robert Plant afogados sob o ruído das vozes dos frequentadores do bar e do tilintar de vidros e cadeiras arrastando aqui e ali. Diferente dos pubs bruxos, ali não havia bandejas voando aqui e acolá, ou copos que aparentemente se lavavam sozinhos. Também não havia a oferta de bebidas que aumentavam a coragem ou algum outro atributo da personalidade de alguém, embora o álcool parecesse ter essa capacidade mesmo entre os trouxas. Benjy não costumava prestar visitas a estabelecimentos como aquele, pois, embora houvesse nascido num mundo sem magia, a sua vida adulta estava muito mais ligada ao mundo bruxo. Ben Gore, no entanto, sugerira o lugar, e o obliviador aceitara prontamente. Era a noite dele, afinal.
Observando o rapaz por sobre a borda de sua caneca, Fenwick não poderia deixar de sorrir. A satisfação do outro era visível, e Benjy sabia estar pelo menos parcialmente envolvido nela. Mais do que sua responsabilidade e missão como um membro do M.A.N.D.R.A.K.E., no entanto, havia também uma realização pessoal em ter ajudado Gore. – We probably will, yeah. – disse em resposta à indagação alheia, pontuando a frase com uma risada rouca. – Are you excited for your first day? – perguntou, lançando-lhe um olhar de soslaio enquanto acenava em agradecimento ao bartender que repousva outra caneca de cerveja diante de si.
Aquele ambiente era muito familiar, as pessoas conversando alto e a música ressoando pelo recinto preenchendo todo o restante do espaço de uma forma tão natural. Benjamin crescera sem magia, então até certa idade as facilidades obtidas pelo mundo bruxo não lhe eram comum, e atmosferas como aquela lhe traziam um certo conforto. Agradeceu à reposição das bebidas e deu um novo gole da cerveja, que desceu por sua garganta com um amargor delicioso e gelado. Apesar de ter apreço pelo firewhiskey normalmente servido nos bares bruxos, havia algo de especial em pubs trouxas que o faziam sempre voltar. Talvez fosse um escape de uma realidade, ou apenas o fato de estar entre pessoas sabendo que tinha um segredo a guardar. De qualquer jeito, era uma sensação boa.
— I’m thrilled. — Respondeu, fitando o mais velho. — Who knows what I’ll face? I’ve only ever known the spirits from Hogwarts, there’s a whole new world to discover. — Olhou para cima, esperançoso. Havia pensado sobre todas as possibilidades do que encontraria em seu trabalho, e tudo o animava. Tinha muito mais no mundo além do Barão Sangrento e fantasmas, espíritos eram toda uma categoria de criaturas, e aquilo o fascinava. Mal poderia esperar o que iria encontrar. Estava prestes a dar mais um gole de sua cerveja quando percebeu Stairway to Heaven começar a tocar outra vez. — No way. — Disse. — I mean, I like Led Zeppelin, but that’s too much even for me. — Levantou-se e caminhou até a jukebox que ficava no canto do ambiente. Tateou o bolso e tirou algumas moedas dali, encontrando apenas alguns sicles. Frustrado, virou-se para um homem que estava parado apreciando uma cerveja. Explicou que estava sem trocados e ele pareceu compadecer-se com Gore, que conseguiu algumas moedas trouxas. Inseriu o dinheiro na máquina e selecionou a música Break on Through, de The Doors, voltando ao lado de Benjy logo em seguida. — Soon it will be over. — Lançou-lhe um sorriso.















