𝐀 𝐇𝐄𝐀𝐑𝐓 𝐋𝐈𝐊𝐄 𝐘𝐎𝐔𝐑𝐒 | S&F
fwestcns:
Sendo sincera, não estava esperando pela confirmação de seu comentário vinda de Sebastian, até porque o fizera apenas em brincadeira. Ao ouvi-lo, Faith sentiu seu coração disparar e o corpo esquentar em poucos segundos. Tamanho o poder que Bash tinha sobre si. Segurou o olhar alheio, deixando que um sorriso de canto aparecesse em seus lábios. Ouvir elogios de Cabrera sempre fora diferente do que ouvir de outros rapazes. Todos lhe aparentavam estar fazendo da boca para fora com o objetivo de ganhá-la pela noite ou apenas porque sabiam que a irritava agirem de tal maneira. Bash parecia sincero e fazia por carinho puro, o que contava infinitamente mais para Faith. “Oh, shut the fuck up!” A morena rolou os olhos com o comentário de Sebastian, apesar do mesmo ter fundamento. A Weston não quis magoar a pequena Viola e disse que adorara a maquiagem, mas a verdade era que ficara parecendo um palhaço, realmente. “Aquela foi uma maquiagem original Viola Cabrera. Não são todas que conseguem um horário com ela. O pior era eu precisando te beijar depois que saía dos treinos de futebol. Suado e fedendo.” Retrucou, alargando o sorriso que tinha nos lábios pelo pequeno momento compartilhado com Bash. Sentia falta de divertir-se com seu antigo melhor amigo. Estava preparando um novo comentário acerca das peripécias organizadas pela irmã de Bash quando o ouviu falar, sendo obrigada a calar-se, principalmente ao notar a proximidade em que estavam. O elogio novamente a fez sentir o coração bater com rapidez e Faith entrara na bolha, como acontecera na piscina semanas atrás. Segurou a respiração, deslizando seus olhos pela face alheia, relembrando e memorizando cada detalhe. Ele era maravilhoso. Definitivamente o mais bonito que já conhecera. Umedeceu os lábios involuntariamente, imaginando o quão bom seria juntá-los ao de Sebastian naquele momento. Certamente errado, afinal não estava ali por isso e todas as circunstâncias eram contra os dois, mas ah… Muito bom.
A bolha fora, novamente, estourada, obrigando Faith e afastar-se um pouco do ex namorado e fechar os olhos com força por um segundo e balançar a cabeça em negação, tentando voltar ao foco. Daquela vez o responsável por acabar com o momento antes que piorassem a situação foi o garçom que havia trago o pedido de Sebastian. A morena o observou colocar a comida na mesa. Todos os pratos em dobro. Encarou o ex namorado com confusão, indicando a comida na mesa em um questionamento silencioso. Ela havia sido bastante clara ao dizer que não estava com fome, certo? “Bash, eu não posso ace…” Antes que pudesse finalizar sua frase, Bash já estava lhe interrompendo e arrastando o prato para perto de si. Mesmo que se tratasse de comida de hospital, a picanha parecia saborosa e fazia o estômago da morena revirar de vontade. Apenas naquele momento se lembrara de que não havia almoçado antes de ir vê-lo. Pensou em negar novamente, mas sabia que não conseguiria convencê-lo. Arqueou uma das sobrancelhas enquanto o ouvia falar. “Paris, an?” Maneou com a cabeça fingindo ponderar aquela possibilidade. “Não acho que seu pai vá te emprestar esse cartão depois disso.” Riu baixo, pegando os talheres por fim para comer junto de Sebastian. Os olhos rolaram após o complemento da fala. “Você é tão idiota.” Murmurou de boca cheia, negando com a cabeça. Tomou um gole do refrigerante antes de voltar a falar. “Vou embora daqui e fazer amizade só com quem prometer me levar para Paris, a cidade.” Estalou a língua, ante de voltar a comer com rapidez, devido a fome que sentia.
Faith conseguia sentir os olhares de Sebastian enquanto comia e se fosse sincera, ela gostaria de estar retribuindo, mas o fazia apenas quando ele desviava. Não queria pegar-se naquela bolha novamente que apenas tornava tudo doloroso para ela, ao mesmo tempo que a fazia sentir-se viva. Afinal, estava sendo iludida ao acreditar que ele estava no mesmo lugar que ela, certo? Os olhares diziam o contrário. Na verdade, pareciam retribuir os sentimentos, mas voltando à realidade, Faith já havia visto como garotas podiam ser quando apaixonadas. Imaginavam coisas para que se sentissem melhores. Fato era que Bash estava em um outro relacionamento e ela precisava aceitar que o perdera para sempre. Parar de amá-lo como mais do que uma amiga para que não sofresse todas as vezes que estavam juntos, uma vez que ela queria continuar ao lado dele, sendo seu porto seguro e guia nos momentos difíceis e não havia nada que tirasse aquela decisão da sua mente.
Comia a última garfada da picanha, quando a voz de Sebastian tomou conta do recinto, fazendo com que Faith desviasse seus pensamentos. Colocou o garfo sobre o prato e pegou o brownie com a mão, dando uma mordida no doce e lambendo os dedos em seguida. Não tinha vergonha de fazer aquilo na frente de Bash. “Claro.” Respondeu, antes de dar outra mordida no brownie. “O que aconteceu?” Naquele momento parou para encarar Sebastian e sentiu seu coração apertar. Conseguia sentir que não era alguma coisa boa pelo fato da voz alheia estar insegura e também por Bash não ter levantado os olhos para encará-la. Colocou o doce sobre o prato e limpou as mãos no guardanapo, antes de colocar a direita sobre a do ex namorado afim de dar-lhe forças para que continuasse. “Bash?”
Parte de si estava feliz por ver Faith afastando o orgulho e se permitindo aproveitar aquele jantar maravilhoso junto a ele. O fato de conhecê-la tão bem sempre lhe deu mais habilidade em tratar situações assim, quando a diferença econômica entre os dois resolvia aparecer e deixá-la desconfortável. Para Sebastian o dinheiro era apenas um adereço que alguns tinham o privilégio de esbanjar. Nunca se considerou uma pessoa materialista, pois cresceu sabendo que o pai nem sempre tivera as condições atuais, uma vez que precisou trabalhar muito para conseguir atingir todos os pontos altos de sua história. A mãe, por outro lado, sempre havia tido as coisas com extrema facilidade. Digamos apenas que os dois Cabreras se completavam em tudo, especialmente no quesito de educar os filhos, onde colocavam cada um seus pontos positivos.
Não passou despercebido de Sebastian os olhares retribuídos por Faith nos breves momentos em que ele se focava na comida. Sua nuca esquentava sob o olhar dela e a certeza de que a menina ainda nutria fortes sentimentos por ele, uma vez que inclusive os admitira naquele dia no campo de futebol. Agora, enrolado em toda aquela situação com Emerson e sentindo o coração martelar sempre que estava na presença da Weston, ele se considerava um tremendo idiota por não ter simplesmente facilitado as coisas quando teve a chance, confessando ainda retribuir os sentimentos da ex e assim evitando entrar naquela aposta ridícula justamente porque queria mostrar o contrário. Nunca havia sido bom em pensar, afinal. Agora tinha mais certeza disso, mesmo que todas as suas ações, na época em que as tomou, parecessem possuir algum grande significado. Porém, Bash sabia que agora sob a luz da verdade, nada fazia sentido. Mentir nunca resultava em coisas boas.
Engoliu seco ao forçar o cérebro a trabalhar e encontrar a forma certa de revelar o que pretendia. Sebastian torcia para que aquilo lhe trouxesse alivio da mesma forma que ocorreu há pouco quando desabafou nos ombros da ex a respeito de Viola. Só ele sabia o quanto precisava se livrar daquele peso que o corroía, por mais que soubesse que carregaria a culpa de seus atos para sempre; tal qual Sisífo empurrando a imensa rocha por toda eternidade. “ Eu...” temeu que fosse travar e nada mais contar, mas o toque de Faith contra sua mão lhe trouxe coragem para continuar. “Emerson e eu não estamos namorando...Digo, teoricamente sim. Mas não estamos de verdade. Pelo menos da minha parte.” Era doloroso saber que os sentimentos de Emerson a seu respeito eram puros e verdadeiros. Ao contrário dos seus, que romanticamente não passavam de uma farsa. Ele lutara para fazê-los crescer em seu peito, fizera de tudo. Mas se viu incapaz disso, uma vez que o seu coração era teimoso e já estava completamente ocupado por Faith Weston. “Os caras estavam frustrados por ela nunca retribuir as investidas deles e começaram a falar que ela era impossível de conseguir.” contava com lentidão e com os orbes desfocados ao fitarem a mesa enquanto tentava recordar com precisão do dia narrado. “Eles apostaram que ela também me recusaria, mesmo eu sendo um amigo. E eu... Eu aceitei participar.” Se ele pudesse voltar no tempo faria tudo diferente. Era uma pena essa não ser uma opção possível. “Foi a pior coisa que eu já fiz! Mas só aceitei - e sei que isso não é desculpa - porque tinha certeza absoluta de que a Emerson também afastaria minhas investidas. Porque nós eramos amigos e nada mais. Somos amigos.” Enfatizou a ultima parte numa tentativa vã de se convencer que as coisas continuariam da mesma forma entre ele e Emerson, não importa o que acontecesse. “Aconteceu que eu estava errado... como sempre.” Um sorriso pequeno e tristonho apareceu em seu rosto. Sebastian jamais teria imaginado que Emerson fosse apaixonada por ele, se quer conseguira entender os sinais alheios que ela dava antes de toda aquela história começar. “She likes me. A lot. I am the stupid one for playing with her like that.” A lembrança da vez em que ele havia dito a Faith que ela não podia brincar com os sentimentos das pessoas o atingiu agora feito um soco. Bash fechou os olhos por um tempo, procurando internamente o alivio que esperava sentir após a revelação e, infelizmente, descobriu que este não estava lá. Ergueu as pálpebras e com muita dificuldade tentou desvendar o que Faith acharia de tudo aquilo agora. Ela iria odiá-lo tanto quanto ele se odiava nesse momento? Iria se afastar dele por causa do que Sebastian tinha se tornado? Não sabia, mas já esperava pelo pior. E com a certeza de que aceitaria o que fosse.
















