Último vestibular da UFRN acontece neste domingo
Este ano será realizado o último vestibular tradicional da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN). A partir do próximo ano, os estudantes potiguares terão que se juntar a outros milhares de brasileiros para disputar uma vaga em universidade pública federal através do Exame Nacional do Ensino Médio (ENEM), novo método de ingresso adotado pelas universidades federais. Mas enquanto o novo modelo não está valendo em sua totalidade, os alunos se dedicam aos últimos momentos que antecedem as provas da UFRN.
A adoção do ENEM veio sendo realizado gradativamente. Este ano, para o processo seletivo de 2013, o Exame já será responsável pela seleção dos estudantes que ocuparão 50% das vagas da UFRN. A outra metade estará em disputa neste final de semana através do modelo tradicional do vestibular que acontecerá nos dias 25, 26 e 27 de novembro. Para muitos alunos e professores, essa será a última oportunidade dos potiguares disputarem uma vaga na Universidade sem ter que enfrentar uma grande concorrência nacional.
Para os educadores, a dica é aproveitar os últimos momentos para revisar o que já foi visto. De acordo com Handersson Leão, coordenador pedagógico de um cursinho em Natal e professor de história, não é aconselhável que o aluno procure estudar matérias novas. “Estudar agora o que não foi visto durante o ano só irá complicar. O ideal é revisar o conteúdo através de exercícios e focar nas questões discursivas, que são o divisor de águas na aprovação do aluno na UFRN”, disse o coordenador, lembrando que este também será o último ano de provas discursivas.
Além da revisão, Handersson ressalta a importância do aluno manter a calma neste momento que antecede as provas. “É imprescindível que ele pratique exercícios de respiração, por exemplo, que ajudam em algum possível momento de nervosismo. E para evitar contratempos, os candidatos também devem se programar e visitar, se possível, os locais de prova com antecedência”, afirmou.
A Comissão Permanente do Vestibular (Comperve) recomenda aos quase 10 mil candidatos que irão realizar as suas provas no Campus Central da UFRN, que cheguem aos locais de prova com antecedência para evitar os tradicionais engarrafamentos nas entradas do Campus.
“Os circulares estarão funcionando, mas é bom que o aluno tenha sempre um plano alternativo para não precisar depender apenas deles. Imprevistos acontecem e todos devem estar atentos para não se prejudicarem com o horário. São questões técnicas, mas que são muito importantes no contexto geral”, destacou Handersson.
Como só estarão em disputa 50% das vagas, os mais de 28 mil candidatos inscritos irão concorrer a 3.015 vagas distribuídas pelos cursos de graduação presencial da UFRN. Durante os três dias do vestibular, os locais de prova serão abertos a partir das 7h20, e os portões fecham às 8h (sempre no horário local). Após esse horário não será permitida a entrada de nenhum candidato. As provas terão a duração de 4h30, exceto para os candidatos com necessidades especiais, que terão 5h30 para a realização de suas provas.
Para poder realizar o vestibular os candidatos devem portar o original do mesmo documento de identificação utilizado na inscrição, não sendo aceita cópia. E a Comperve alerta também que a Carteira de Estudante não é documento válido para identificação do candidato.
Em caso de perda ou roubo da documentação do candidato, este poderá apresentar o Boletim de Ocorrência (BO) informando sobre o incidente. O Boletim deverá ser apresentado à coordenação do prédio no qual sua prova será aplicada. Se o candidato não portar o documento de identidade original utilizado no ato da inscrição poderá, ainda, apresentar outro documento oficial com foto. São considerados documentos válidos: Carteira de Identidade, Carteira de Trabalho, Carteira de Motorista e Passaporte.
De acordo com a Comperve, o candidato que prestará o vestibular poderá ser eliminado do processo seletivo caso seja pego em situações de cola ou encontrado papéis que não sejam oficias e imprescindíveis para a realização da prova. Outro fator que todos os anos causa eliminação de candidatos é o celular. A recomendação é que os estudantes não levam o aparelho móvel ou, se for necessário, deixe-o desligado e longe do candidato durante todo o andamento da prova.
ENEM: mudanças no processo seletivo
Muitos alunos estão apostando todas as fichas nesse último vestibular da UFRN. A razão para isso é que a mudança do sistema avaliativo do candidato não agradou a todos. O coordenador pedagógico Handersson Leão afirma que as diferenças entre o modelo de prova do vestibular tradicional para o Exame Nacional do Ensino Mesmo são muitas, começando pelo tempo de prova.
“No ENEM o candidato dispõe de dois dias de prova, tendo que solucionar cada questão com base em cinco alternativas, além da redação que deve ser realizada no segundo dia. Na UFRN, o estudante tem três dias de provas e as questões só possuem quatro alternativas. A redação é feita no terceiro dia junto com as questões discursivas. Ou seja, no vestibular tradicional, o candidato tem um tempo maior e, consequentemente, mais tranquilidade”, apontou Handersson.
Outra mudança citada pelo coordenador é o fato de que, a partir do próximo ano, a concorrência dos candidatos passará a ser nacional. “Em um curso no qual o total da concorrência chegou a ser de 30 mil pessoas, por exemplo, com o ENEM passará a ser mais de 100 mil. Obviamente esse número representa um grande diferencial e uma dificuldade maior para alunos”, disse.
Mesmo com o aumento dos concorrentes, o professor de geografia Bosco Afonso admite achar que o ENEM tem seu lado positivo. “A concorrência ser nacional significa que o aluno poderá brigar por vagas em universidades do país inteiro. Isso será a abertura de novos horizontes para diversos estudantes”, disse.
Entretanto, para o professor, são poucas as vantagens que o ENEM passará a representar para o aluno potiguar. “A nacionalização da forma de ingresso acabará com as questões regionais nas provas, fator que poderia ser um diferencial para valorizar o aluno do estado”, afirmou. “Mas essas questões não serão cobradas. Certamente a história e geografia do RN serão excluídas do currículo”, disse Bosco.
Outro ponto que mudará a partir do próximo ano diz respeito às questões discursivas trabalhadas pela UFRN que passarão a não ser cobradas. Conforme abordagem do professor, para o estudante potiguar essa foi uma mudança positiva, “já que as questões dissertativas são o calo de muita gente. Mas para a avaliação geral, não é um fator favorável. Nossos alunos são muito bons em provas objetivas, mas quando partem para fazer uma prova discursiva, o rendimento cai”, afirmou.
Segundo o Ministério da Educação, a mudança do vestibular tradicional para o ENEM foi a forma encontrada pelo governo federal para equiparar o nível dos alunos das redes públicas e privadas, dando condições de que a disputada entre os alunos seja equilibrada. Para Handersson Leão, esse foi um “passo dado para trás” no sistema educacional, situação que irá refletir no futuro profissional desses alunos.
“A prova do ENEM tem uma dinâmica diferente. É um pouco mais simples e exige mais interpretação do que conteúdo estudado pelo aluno. Para o estudante de escola pública, isso foi bom. Já para quem estuda em escola particular, dedicar-se a matérias como física, química, matemática, por exemplo, não será mais o diferencial, pois as disciplinas estarão mais equilibradas”, disse.
“O mais preocupante disso tudo será os profissionais que sairão da Universidade. Já que cairá o nível das provas, o aluno não se preocupará em ter uma boa preparação. Assim, muitos ingressarão nas Universidades sem conteúdo base, podendo até chegar a não concluir o curso”, refletiu o pedagogo Handersson Leão.
Momento histórico
Em entrevista a O Jornal de Hoje, o professor Bosco disse que os candidatos que disputarão um das vagas da UFRN nesses próximos dias são pessoas que entrarão para a história da Universidade Federal. “Esses meninos já são históricos porque serão os últimos a fazerem o vestibular tradicional, farão a última prova discursiva da história, além de concorrerem duas vezes pela mesma vaga”, disse o professor, referindo-se ao fato de que todos eles fizeram o ENEM em outubro deste ano, para concorrer à metade das vagas, e agora irão disputar a outra metade.
A jovem Evelyn Milaré, 18, estará concorrendo a uma vaga no curso de Geologia. Para ela, que está no seu segundo ano de vestibular, esse é um momento de aliviar um pouco a rotina. Ela conta que para prestar vestibular esse ano através do ENEM e da UFRN foram necessárias muitas horas de estudo.
“Eu vinha tendo seis aulas diariamente no cursinho. Neste último mês, com as revisões, cheguei a assistir 11 aulas só de matemática. Apesar de ser puxado, foi necessário, pois a UFRN cobra mais do aluno do que o ENEM. Mas agora é manter a calma e pôr em prática tudo o que aprendi. Esse é ‘O’ ano para passar no vestibular”, disse Evelyn.
Para a estudante do Curso de Ciências Contábeis de uma universidade particular do estado, Mariana Eloyse, esse também será ‘O’ ano decisivo. Com apenas 20 anos, a jovem está no 4o período do curso, mas pretende mudar de escola. “Há uma diferença muito significativa na metodologia adotada entre as universidades federais e privadas do estado. Vou tentar vestibular neste último ano da UFRN para conseguir a transferência”, disse.









