Day 1472 of posting pictures of elephants.
Sneezy and Sooky part 1 of 2! sent to me by @aegor-bamfsteel
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plot twist: vienna ainda está esperando por você
você não chama os dias ruins pelo o que eles são. prefere dizer que está no restaurante, enfrentando uma sequência meio do avesso e que esse tipo de coisa não dura uma vida inteira. e quando você diz isso, sempre levo a sério.
mas existem sequências na vida que parecem ser o próprio restaurante, sabe? e talvez seja por isso que, quando o calum diz pra sophie do outro lado da tela que ela pode ser quem quiser, porque ela tem tempo, eu desabo. porque entendo o que ele quer dizer: é como se a vida afunilasse conforme a gente vai avançando e não sobrasse muitas alternativas já que o nosso tempo encolhe. mas pra quem tá ainda não mergulhou no desespero, ainda há uma vienna inteira esperando.
e é assim que, toda vez, esse pensamento me leva a pensar no antes. tudo parecia muito mais simples lá, como se a esperança fosse injetada no nosso subconsciente via chá e os nossos medos se resumissem só a possibilidade do grande irmão se tornar realidade. você já parou pra pensar sobre isso? sei que existe muito enfeite nessas memórias também, mas sinto mesmo saudade desses pequenos retalhos.
antes nosso desafio era viver o presente, porque a gente queria que o futuro chegasse logo, pra virar o tipo de adultos que vão a festivais de filmes indie sem precisar pedir permissão e têm longas conversas sobre o derretimento das geleiras numa mesa de bar qualquer, numa sexta à noite. só que agora, a gente também não consegue viver o presente porque flerta com o passado e tem medo do futuro. é quase um erro na matrix.
quando se trata do passado nunca dá pra olhar pras coisas com nitidez. a imagem é sempre meio turva, como se tivesse acabado de sair do rolo de uma câmera analógica. a gente pode até achar cinematográfico e tudo o mais, mas nem sempre reflete tudo o que aconteceu.
foi tipo quando radiohead escreveu que a gravidade sempre vence e discordamos durante uma madrugada inteira. quatro copas atrás, nós éramos entusiastas profissionais e tínhamos planos tão bem elaborados sobre como nunca nos tornar nossos pais, que era como se nada — nem mesmo a gravidade — pudesse nos alcançar.
só que agora a gente não se reconhece mais. paramos de arriscar. quando foi que nossos medos ficaram tão maiores que nós? é o tipo de coisa que eu pagaria pra desaprender, falando sério.
porque eu quero perder o medo de recomeçar e voltar a acreditar que vienna ainda está me esperando.
e quero não ter medo de saltar, porque a vista sempre vale o frio na barriga e é assim que se aprende a voar.
quero voltar acreditar que ainda estamos anos-luz do nosso plot final, como nossas versões de quatro copas atrás fariam.
nota
tenho pensado bastante na fragilidade da nossa vida nos últimos meses e como a gente vai perdendo a habilidade de arriscar, errar, se machucar e começar de novo conforme a vida adulta vai afunilando nosso olhar sem a gente perceber. esse texto é um lembrete de que ainda existe tempo, independente de qual seja a sua idade e a sua vienna. esse texto é um spoiler do plot twist do que ainda está por vir.
inspirações gerais pra esse texto (e referências)
diário de um homem superfluo (turgueniev, livro)
1984 (grande irmão!!! george orwell)
quote de “aftersun” — sophie e calum (filme da mubi)
fake plastic trees (radiohead, me proibi de escutar porque é a maior choradeira de todos os tempos sempre)
vienna (billy joel)
entrevista no youtube em que alguns diretores falam sobre esse feeling de estar perdido nos seus 20's
right where you left me (taylor swift)
two ghosts (harry styles)

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sempre vai estar lá
estava lá quando eu perguntei qual era a sua pegada de carbono às sete da manhã— sim, eu meio que estava tentando flertar. estava lá também quando você respondeu que era sobre trocar carro por bike três vezes por semana e jantar à luz de velas.
também estava em cada uma das pausas estratégicas que fiz durante a palestra pra procurar o seu rosto no mar de gente, só pra sentir que eu tava dando conta e convencer as vozes da minha cabeça que meu papo não era só abóbora.
estava lá quando implorei na dm da banda de boteco pra eles tocarem twist and shout e deixei você acreditar que era coincidência eles escolherem essa.
até quando você não soube o que dizer quando te contei sobre o meu medo de dar certo, senti que estava bem escondido lá também.
daquela vez em que assistimos casablanca pela primeira vez sem saber nada a respeito e, bom… não odiamos? estava lá. principalmente quando escrevemos a nossa crítica ácida sobre o filme, que rendeu minhas melhores risadas, nunca esteve tão lá quanto naquele momento.
estava lá nos abraços sem prazo pra acabar nas tardes de sábado, no pedaço de torta de frango da sua mãe que você guardou pra mim, no poster do arctic monkeys que você garimpou pensando na parede sem graça do meu escritório, nos ingressos pra filarmônica no brás cubas, na sua tentativa de ler guerra e paz, mesmo não sendo o maior fã de literatura russa.
estava lá em todas as suas tentativas, e ainda estava quando você parou de tentar.
estava lá quando havia meio milhão de motivos pra nunca ir embora. ah, ali estava muito lá. estava lá até quando a rota mudou e tudo acabou desmoronando de uma hora pra outra. e mesmo quando só sobrou seus silêncios pra interpretar, não parou de estar lá.
estava em cada música que dividimos na estrada, em cada cafeteria superfaturada que frequentamos. nos nomes das avenidas que transformamos em piadas internas, nos amigos que fizemos pelo caminho, nas viagens que nunca chegaremos a viver. estava em cada uma das referências que mais ninguém acharia graça.
esteve lá, pra todo mundo ver todo esse tempo, mas sempre foi uma linguagem que só nós éramos fluentes. e agora, mesmo parecendo que tudo se perdeu, ainda está aqui comigo. mas não de um jeito esquisito, sabe? de um jeito socialmente tolerável. e talvez esteja um pouco aí com você também, pois ninguém sai ileso quando esbarra em alguém do jeito que a gente se esbarrou.
só que enquanto está aqui, me pergunto o que faço com os fragmentos que sobraram. devolvo pra você? parece ser o tipo de bagagem que você pagaria pra extraviar. bom eu pagaria, pelo menos. porque tem hora que pesa. e quando pesa parece que nunca mais vai existir espaço pra ser feliz, e eu sei que esse não é o pensamento mais saudável do planeta.
porque quando penso que a vida é feita de temporadas e lembro das que a gente dividiu, não viveria nada de outra forma. com você me vi confortável pra ser eu mesma, até quando parecia que não havia espaço pra ser. por isso digo que esteve lá até quando a música entregou o que eu não conseguia colocar em palavras. que é tão bom saber que alguém que me conhece assim tão bem existe.
sempre esteve lá, até quando não deveria estar, tipo agora.
nota
antes de explicar o contexto do texto de hoje, quero deixar a pergunta: se eu narrasse alguns dos textos que escrevi aqui e transformasse em um mini podcast no spotify, você escutaria? penso sobre isso faz dois anos, mas sempre acabo deixando a ideia pra trás.
tem uma música que olivia dean que eu indico pra todo mundo, de tão linda que é: i've seen it. em especial esse trecho aqui: “eu vi durar por trinta anos. já vi florescer, depois acabar em lágrimas. eu vi depois da escola e no parque. sentado bem na minha frente no metrô, já vi perder uma ou duas paradas. já vi tentando não desmoronar(…)” inspirou todo esse texto. esse texto não é sobre uma pessoa só, mas ele é sobre como é bonito que o amor se esconda nos detalhes e na curiosidade. acho que a curiosidade é a minha linguagem do amor, deu pra notar, né? deixo a música aqui pra você escutar também. aliás, o título do texto veio de “água viva” do albúm esquinas.
Não tem problema ter um caminho diferente
a gente precisa enfrentar a dor de dar errado muito antes da tentativa.
“Faça ou não faça. Tentativa não há”
— Yoda, Star Wars

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eu sou uma fratura exposta
“Meus versos são fragmentos de você.”
— Escritorragia.
não precisa se desculpar por ir embora e crescer
sempre quis você me olhasse igual sustenta o olhar para as catedrais góticas: sem nunca desviar ou se distrair.
e também, quis secretamente que você se orgulhasse das minhas conquistas com o mesmo entusiasmo que fala sobre a turnê do oasis ou sobre o monólogo final de curtindo a vida adoidado — como se fosse a melhor coisa que você já presenciou.
e isso nunca aconteceu. nem vai, não é?
mas acho que até eu falhei em sentir todas essas coisas por mim mesma. gastei um tempo absurdo rindo de piadas que não tinham a menor graça, me rodeando de pessoas que não tinham nem consciência de classe e investindo num sonho que deixou de ser meu.
abracei tantas versões do que eu poderia ser por medo de nunca ser o suficiente, que o presente diminuiu. não consegui equilibrar tantos pratos, precisei soltar um deles, o que a psicóloga chama de “redirecionamento”, e eu só consigo chamar de falhar. sinto que me perdi e isso me dá vontade de fugir pra qualquer canto, só de lembrar das reações das pessoas, que me olham como se eu estivesse falhando de forma permanente — e isso dói porque eu me olho exatamente desse jeito também.
não existe atalhos ou manuais de instruções pra se sentir menos fracassado quando se desiste de algo grande, que custou muita vida. é como carregar um peso invisível, mas que está sempre lá. um luto que atravessa os dias enquanto a gente se esforça pra continuar sendo um adulto funcional, que não atrasa contas e se recusa a chorar no banheiro do trabalho.
mas a real é que a vida vai seguir em frente e se a gente não parar pra olhar de vez em quando, perdemos os momentos que nos seguram durante esses interlúdios, quando tudo vira bagunça e não existe tempo de verdade pra desmoronar.
essas talvez sejam minhas novas resoluções pros próximos meses: enxergar que já existe amor suficiente dentro de mim, me convencer que tudo bem mudar de ideia aos vinte e poucos anos e que preciso construir tudo de novo mesmo sabendo que a vida vai desmoronar outra vez em breve. pois é assim que as coisas são e ainda não existe um jeito de escapar desse labirinto versão loop infinito por completo.
sempre achei que só dava pra medir a felicidade de alguém pela quantidade de vezes que a pessoa dança sozinha na própria cozinha. eu tinha parado de dançar na minha fazia meses, mas essa semana, isso mudou. dancei don’t go away do oasis, e torci pra que a próxima pausa deles não seja tão longa.
pequenos avanços, é o mais perto que vou chegar de fazer as pazes comigo mesma por enquanto. e isso, é o mais perto também que vou chegar de sustentar o olhar no espelho como quem vê catedrais góticas: sem nunca desviar.
nota
algumas semanas atrás, eu desisti de um sonho profissional que foi sonhado durante um tempão. e pode-se dizer que eu senti uma tristeza absurda. não sabia que era capaz de chorar tanto por tomar a melhor decisão possível pro meu momento atual. é estranho como a vida nos faz desmoronar de vez em quando, não é? principalmente quando a incerteza se faz presente. até nisso a vida surpreende. sinto que não é um “nunca” é só um “ainda não, não desse jeito”, tipo a volta do oasis. demorou, mas aconteceu. talvez esse seja o caminho. não existe roteiro na vida e a parte difícil de ser adulto é admitir que não temos todas as respostas de uma vez. acho que matilda do harry representou tudo que eu não consegui dizer durante esse tempo atravessado. tenho até pensado inclusive no que sobra da gente quando se tira a camada que um sonho ocupa. talvez não sobre tanto assim, e essa é a raiz de quase todas as ansiedades. mas isso é assunto pra outro texto.
“É a história mais antiga do mundo. Um dia, você tem 17 anos e está planejando o futuro. E então, sem você perceber, o futuro é hoje. E então, o futuro foi ontem. E assim é a sua vida. Passamos tanto tempo querendo, desejando, buscando. Mas sabe? Ambição é bom. Perseguir as coisas com integridade é bom. Sonhar… Se você tivesse um amigo que nunca mais fosse ver. O que você diria? Se pudesse fazer uma última coisa pra alguém que você ama. O que seria? Diga. Faça. Não espere. Nada dura pra sempre. Faça um pedido e guarde no seu coração. Qualquer coisa que você quiser, tudo o que você quiser. Fez? Ótimo. Agora acredite que pode se tornar realidade. Você nunca sabe de onde virá o próximo milagre. A próxima memória. O próximo sorriso, o próximo desejo que se tornará realidade. Mas se acreditar que está logo adiante e abrir seu coração e mente para a possibilidade, para a certeza, pode ser que consiga o que queira. O mundo está cheio de mágica. É só acreditar nela. Então, faça um pedido. Fez? Ótimo. Agora acredite nele. Com todo o seu coração.”
One Tree Hill.

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