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Quem dera se o nosso coração pudesse descrever o que se passa dentro dele toda vez que se sente apertado, seria libertador. Às vezes a gente sabe o que dizer, outras vezes, não. A angústia de tentar amenizar o que dói nos faz parecer insignificantes por não conseguir, é um tormento constante, a incerteza de que um dia tudo isso irá passar... São dias claros que de repente se tornam escuros, formando uma nuvem acumulada, a ponto de explodir gotas. Assim é o nosso coração que anda apertado, não entendemos o porquê, mas chega uma hora que ele acumula tanto que desabrocha, como uma flor prestes a nascer, as lágrimas rolam em nossos olhos, como as nuvens, de forma dolorosa e aliviante. A ferida não cicatriza, mas retirar a atadura traz um pouco de respiração.
— Carolina Alves em Relicário dos poetas.
Há um instante secreto entre o impulso de confiar e o arrependimento que vem depois. Um território tênue, onde a alma hesita entre permanecer resguardada ou se despir diante de alguém. Aprendi desde cedo a não demonstrar vulnerabilidade para ninguém, mas a gente às vezes abaixa a guarda achando que está seguro e aquilo que poderia ser abrigo se transforma em exposição. É como abrir uma janela para deixar entrar o ar fresco e descobrir que, junto dele, também se infiltram olhos curiosos, vozes que não pediram licença, mãos que não sabem cuidar. A vulnerabilidade, ao contrário do que tantos supõem, não é fraqueza, é intimidade. É o gesto de abrir o peito, mostrar a carne viva da alma e acreditar que alguém vai guardar isso com reverência. Não é se rebaixar, mas se elevar até um nível onde o orgulho já não serve de escudo. É o risco de se tornar transparente na esperança de que, diante de nós, o outro veja beleza ao invés de defeito, humanidade ao invés de falha. Mas a vida ensina e às vezes de forma brutal, que nem todo mundo sabe lidar com esse presente. Quando essa entrega é levada para além da relação, ainda que disfarçada de confidência, algo se dilui, porque o sagrado perde sua moldura e vira comentário. A delicadeza que deveria permanecer guardada em um olhar cúmplice acaba ecoando em corredores onde não pertencemos. Aquilo que era confissão se torna fofoca, aquilo que era pacto vira espetáculo. E quando esse espaço íntimo vira palco para opiniões alheias, o desconforto é inevitável. É fácil falar da vida dos outros, sobretudo quando a própria casa está em ruínas. O que não se entende é que vulnerabilidade não é um tema de conversa: é um pacto de silêncio. O silêncio protege, sustenta, dá contorno ao que é sagrado. Mas quando ele é quebrado, algo em nós também se rompe. Não é apenas a confiança no outro que se despedaça, é a confiança em nós mesmos, no nosso julgamento, na nossa escolha de ter deixado alguém entrar. O mais doloroso não é ter sido exposto, mas perceber que fomos ingênuos em acreditar que todo coração conhece a liturgia da intimidade. Que todo ouvido sabe distinguir segredo de espetáculo. E, de repente, aquilo que nasceu do mais fundo, um tremor, uma confissão, uma verdade, é colocado diante de olhares que não pedimos. No fim, resta a cicatriz e a lição gravada nela: abrir a guarda exige coragem e nem todo mundo sabe honrar o que lhe é entregue. Talvez seja por isso que, com o tempo, a gente aprende a dosar a entrega, a escolher com mais rigor o altar onde deposita suas confissões. Mas ainda assim, em algum recanto secreto da alma, permanece o desejo de ser visto sem armaduras, de encontrar alguém que entenda que vulnerabilidade é oferenda e que toda oferenda exige respeito.
— Diego e Laís em Encontro dos poetas.

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As pessoas são portais para diferentes realidades, escolha com sabedoria.
Eu vou de momentos de alegrias ao de tristeza em questões de segundos e sem nenhuma explicação. Posso estar feliz conversando com alguém e em instantes de silêncio ser tomado por uma tristeza esmagadora. Estar feliz desejando ficar mais triste e triste desejando ser feliz… se é que isso faz algum sentido. Como se apenas os meus dois divertidamente estivessem brigando pelo controle sem ter a noção de que pode existir um meio termo. Talvez minha mente não funcione direito? Quem sabe eu não tenha um painel de comando que controle minhas emoções. Me levando de uma fase de alegria e felicidade, a tristeza e cansaço em questões de segundos. Um interruptor que com certeza está com defeito, onde não consigo controlar em qual fase ele está. Gostaria de fazer igual aquelas crianças que tentam deixar o interruptor no meio, equilibrando-os entre as fases. Queria que ficassem nesse meio, sem causar um curto-circuito dentro de mim, sem me fazer olhar para todos esses momentos e sentir minhas forças se dissipando no ar. Me disseram que eu deveria tentar olhar ao redor e me manter feliz, mas como é que faço isso se tudo aqui dentro colapsa entre o caos do simples ânimo pelas pequenas coisas e a tristeza que me engole até que não seja capaz de dizer uma palavra sequer.
Desonestos e Borboleteca; equilíbrio
Certas coisas deixam de nos abalar para que novas as substituam. Aprendemos a lidar com emoções e situações. Prioridades mudam e dores também. Não sei dizer se crescemos certos, sei apenas que crescemos. Evoluímos, passamos a ver situações e pessoas de maneira diferentes. Sentimos novas dores e novas alegrias. Nos enxergamos melhores. Mesmo sabendo identificar novas dores, fazemos questões de cutucar as feridas. Afinal nós crescemos, não vai doer como antigamente. E as vezes a dor é pior. Nos tornamos adultos dando voltas e voltas na mesma montanha-russa... Com pessoas e sentimentos diferentes. Seguimos encontrando maneiras de sentir o joelho ralado enquanto fugindo das consequências das nossas buscas por respostas, seguimos esperando que a dor nos torne mais fortes, mais calejados, mais resistentes, mas isso tudo não é sobre resistência, mas sim sobre insistência, de ver esperança em pessoas, situações e desejar que tudo possa, finalmente, se tornar aceitável, suportável. Mesmo com a maturidade que o tempo traz, ainda assim, depositamos a esperança de ter o que sempre desejamos, mesmo sabendo que ainda não é o bastante para ser completamente nosso.
Não é sobre resistência;
@desonestos e @dramaticadora

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Oulanka National Park in Finland. - Author: WanderPollen
As vezes me sinto como um livro nunca lido numa prateleira, que tinha um único propósito e mesmo assim não conseguiu realizar
{ eu preciso ser lida por inteiro }
- f.p.

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