Às vezes me pergunto se o problema está em mim. Não porque eu ame pouco, mas porque amo muito. Porque me importo. Porque guardo detalhes, lembro conversas, percebo mudanças no tom de voz e silêncios que ninguém parece notar. E, por muito tempo, achei que isso fosse apenas uma forma bonita de existir. Hoje, às vezes, parece um peso.Carrego a constante sensação de sentir mais do que as pessoas ao meu redor. Como se eu estivesse sempre alguns passos à frente no afeto, na preocupação, na lealdade. Enquanto me esforço para cuidar dos vínculos, frequentemente me vejo questionando se alguém faria o mesmo por mim.Talvez seja por isso que algumas decepções doam tanto. Não pelo acontecimento em si, mas pelo que ele desperta. Pela dúvida antiga que sempre encontra uma maneira de voltar: será que eu importo para as pessoas tanto quanto elas importam para mim? É uma pergunta silenciosa, daquelas que não costumam ser feitas em voz alta. Porque existe o medo da resposta. Então sigo fingindo que certas coisas não machucam. Diminuo a dor, digo que foi só um incômodo, que não é nada demais. Mas, no fundo, é. Porque quando alguém que amo me decepciona, não sinto apenas tristeza. Sinto a quebra de uma confiança que eu nem sabia que estava depositando ali. E talvez seja isso que mais doa: descobrir que o cuidado que ofereço naturalmente nem sempre é o cuidado que recebo de volta.Ainda assim, continuo me perguntando se sentir tanto é um erro.Talvez não seja.Talvez o problema nunca tenha sido a intensidade do que sinto, mas a solidão que surge quando essa intensidade não encontra abrigo do outro lado.E há dias em que tudo o que eu queria era descansar dessa dúvida. Não precisar medir espaços, interpretar ausências ou procurar sinais de que também sou importante.Só queria ter a certeza de que, em algum lugar, existe alguém que me escolhe com a mesma facilidade com que eu escolho permanecer.