(10.04.26)
eu nunca me senti tão sozinho antes
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(10.04.26)
eu nunca me senti tão sozinho antes

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Machado (12.03.26)
“a ausência diminui as paixões medíocres e aumenta as grandes, como o vento apaga as velas e atiça as fogueiras”
Borboletas (28.02.26)
All this feels strange and untrue / And I won't waste a minute without you (Open Your Eyes)
i knew you in another life / you had the same look in your eyes / I love you, dont act so surprised (BIRDS OF A FEATHER)
Pior, Pior e Pior (25.02.26)
Eu passo o dia inteiro pensando em você. Acho que é algum tipo de transferência. Penso que talvez isso seja o menos complicado de tudo que tem acontecido, então minha mente insiste nisso pra me poupar. Meu coração diz que definitivamente não é o menos complicado, já que eu passo dia e noite agonizando sobre.
Pior de tudo é que eu me iludo achando que tô vendo sinais. Como aquela música que você marcou no app de exercícios uma semana atrás. Era pra mim? Mas se era, pq não me apoiou no término do meu namoro? Pq se isentou?
Eu precisava e preciso da sua ajuda, não como estepe ou qualquer coisa do tipo, mas como meu amigo. Na sexta você mandou aquela figurinha dizendo que "quem não tem problema, caça" sendo que na segunda, depois que eu contei como estava sendo em casa, você concordou que ele estava tentando manipular a situação toda. Você realmente acha que meu relacionamento não era problemático? Você se esqueceu das milhares de conversas que tivemos onde eu me abri sobre minhas insatisfações? Como estava infeliz e me sentia perdendo o tempo todo?
Nesses tempos, só você me fez duvidar da minha força de vontade e convicções. Quem eu mais precisava...
E sabe o que é pior? Você não toma lados em uma guerra em que o outro lado te odeia. Não faz ideia das coisas que foram ditas ao longo dos anos. Eu te defendi milhões de vezes! Só eu. E quando eu precisei, você não está aqui.
Aliás, você deixou a entender que não estaria aqui muito tempo atrás. Minha mãe tinha morrido e você "inocentemente" dias depois deu a entender que ia embora. E eu sei!!! Eu sei que você nunca me prometeu nada. Que não é sua responsabilidade estar aqui pra ajudar ninguém. O que me dói é que eu teria estado do seu lado. Como estive antes. Como sempre estive. Essa é a pior das traições.
Eu não fiz essas coisas pra que você fizesse de volta, eu fiz pq te amava e acreditava em você, na sua dor. Será que é pedir muito, desejar reciprocidade na amizade? Eu realmente precisava disso, contava com isso...
Às vezes eu penso que só estou desesperado assim pq você ameaçou ir embora, como se nada fosse real, simplesmente apenas um impulso inconciente. De certw forma eu desejo isso, mas se isso é verdade, pq eu sinto como se estivesse perdendo tudo? Pq dói tanto?
Pq você me beijou no carnaval? Eu não estava bem. Em nenhum momento eu pensei em nada disso e do absoluto nada, você estava lá... Comigo, eu e você. Só pra confundir mais minha mente. Você brinca com meu coração como se ele não fosse nada. Resvala pelo mundo como se suas ações não tivessem consequência, como se não se importasse. Se diverte, quebra e tenta jogar fora. Que bosta.
E sabe o que é ainda pior? Depois de tudo isso, se você dissesse "vem", eu iria. Completamente, descaradamente e vergonhosamente sem amor próprio algum, eu iria. Definitivamente incapaz de aprender com as próprias experiências, eu sei que você ainda vai se aproveitar muito mais de mim.
Tudo que eu desejo fazer, tudo que eu desejo falar pra você vem com mil alertas de "cuidado" na minha mente. Eu jamais falaria essas coisas que estou falando aqui pra você por simples medo de você nunca mais querer falar comigo. Por medo de você simplesmente ignorar tudo e ir embora. Como posso realmente desejar dividir minha vida com você quando é assim que você age no menor dos empecilhos? Quantas vezes eu terei que ser rejeitado pra eu finalmente aprender? E eu nem me importo tanto por estar sendo feito de besta. Infelizmente.
Maior que essa insatisfação é a dor da rejeição. Mas eu vou aprender um dia. Eu sei que vou. Só preciso lidar com uma coisa de cada vez. Até pq... Se você não quer e seu coração está fechado pra mim, o que eu posso fazer além de te amar de longe?
Mares de Vida e Morte (24.02.26)
Um mês da sua partida, mãe. E eu esqueci disso quase todos os dias. Não sei como isso é possível, mas acontece. Às vezes eu tiro foto de alguma coisa e penso em mandar pra você como fazia, ou penso em te contar alguma coisa aleatória do meu dia... Aí a ficha cai simplesmente. De novo e de novo e de novo, sem fim.
Eu nunca esperei que isso acontecesse, então eu não me acostumei ainda. Acho que é compreensível. Honestamente é como se você tivesse morrendo o tempo todo na minha mente e isso é difícil de aguentar. Mas às vezes penso que pode ser uma coisa boa, pois por momentos ínfimos, eu ainda vivo em um lugar onde você vive, e ele é bom.
Quando estou consciente, desde então, eu olhei o céu muitas noites procurando uma estrela nova que eu nunca tivesse notado antes, imaginando que é você. Ou de dia, se por um acaso você tivesse olhando pra mim atrás em alguma nuvem, eu podia encontrá-la antes de você se esconder de novo. Mas você é mais rápida nesse jogo.
Eu dormi todas as noites desejando ver você em meus sonhos, ir pra um mundo onde tudo é mentira; metade do meu cérebro criando a ilusão pra outra metade viver sem saber que aquilo acaba logo. E todos os abraços que eu recebi desde então, eu fingi que era seu. Nenhum foi parecido, mas eu fecho meus olhos com força e às vezes parece.
Esses exercícios é como chorar o mar em que a gente se afoga. E temos estado em tempestade como nenhuma outra desde então. Não faz ideia do tamanho que esse oceano é... Implorei pro céu pra você voltar. Ou desejei voltar eu no tempo. Só uma vez, pra tomar decisões diferentes e ficar com você. Não é assim que funciona.
E tentar ficar bem é como tentar consertar um coração quebrado e você acaba se cortando no caminho. E eu tô tentando tomar boas decisões e te lembrar bem, mas o processo é aterrorizante e muitas vezes, frustrante. É cíclico. É um redemoinho, um furacão. E eu não sei fazer, eu não sei nadar. Mas tô tentando. Por você.
Tento lembrar da sua gargalhada. Tão alta! Tento lembrar dos seus olhos nos meus, como eles me liam como ninguém. Ou quando você me ligava quando sonhava comigo. Quando a gente ficava conversando bobagem. Como você entendia meu senso de humor por ter um parecido. Como eu sabia que podia te contar todas as coisas possíveis, pois você ficava feliz por eu escolher confiar em você.
O luto parece, por vezes, ser uma honra, pois é reflexo vívido, palpável de que amamos e fomos amados mesmo sendo algo pesado de se carregar. E eu nunca vou te esquecer. E de amor você nunca terá falta. Vive pra sempre, constante, em na minha mente.
Decidi com a minha irmã sempre imaginar que agora você está em um bom lugar. Finalmente. Na praia, como sempre amou, sendo beijada pelo sol, com os ventos cantando melodias nos seus ouvidos e seu corpo sendo embalado mansamente, tranquilamente pelo mar raso, quentinho e calmo. Sem dor, sem preocupação. Pra sempre.
Que meus bons pensamentos nadem nesse mar até você e te encontrem, deusa. Tenho saudades. Descanse.

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Mosaico De Cacos de Vidro (23.02.26)
Queria saber se é normal ter esses pensamentos. Eu obviamente não quero, tipo, fazer isso, mas às vezes parece uma boa forma de terminar tudo. Ta tudo distante ou morto. Fico nessa de pensar demais em fazer alguma coisa sobre. Pensei em subir no alto do hotel e dar uma boa olhada no céu. Olhar as nuvens e sentir o abraço delas. Será que eu esticasse o braço ela me tocaria? Será que eu teria medo? Será que eu desistiria enquanto subia as escadas ou me arrependeria na queda? Fico pensando no que eu pensaria na hora. Será que eu me reconfortaria dizendo que acabaria logo? Fecharia meus olhos e esperaria paciente calmo ou me desesperaria. Será que meu grito chegaria onde eu desejo? Ou seria em silencio como agora, morrendo sozinho. Será se eu sentiria algo ou seria instantâneo? Pensando bem, teria que ser assim, não gostaria de falhar nisso. Não faria algo que alguém pudesse intervir, me carregar pro hospital e me trazer de volta. Se bem que eu gostaria que fosse mais gentil. Em casa, rodeado das minhas coisas e memorias, a familiaridade seria um acalento, mas tem mais chances de não dar certo. De não ser rápido o suficiente. De falarem que eu estou chamando atenção. Esse tumor gigante vivendo dentro de mim não merecia esse desrespeito. Só queria que percebessem agora sem eu precisar pedir ajuda pq é tão vergonhoso dizer que deixou um demônio se criar dentro de si. Eu não queria que me olhassem com outros olhos ou que tivessem medo de mim. Queria que entendessem a gravidade antes do fim pq eu não sei pedir ajuda. Tenho medo de estar incomodando. Perguntam se estou bem, mas será que querem mesmo saber a resposta? Será se só estão riscando outra tarefa na lista do dia pra dizer depois que fizeram o que podiam. Pra contar para os outros que tinham sentido algo estranho no dia e mandaram mensagem. Eu tô tão cansado. Eu não sei onde colocar toda essa dor e essa culpa. Eu não sei utilizar a situação da melhor maneira. Fazer valer. Eu apenas finjo que sei para que não se preocupem. Mas eu tô perdido. Perdido. Perdido. E eu não faço ideia quando isso acaba pq eu me sinto preso sob os peso das minhas decisões, as corretas e erradas e só Deus sabe quais são quais. Eu não acho que tem salvação pra mim. Eu desejo que tenha, mas não vejo saída disso. Tudo é tão definitivo e dói. Como dói. Queria mesmo decidir fazer isso amanhã antes de sentirem minha falta pq assim daria mais tempo de eu exitar e criar coragem. Só não fiz isso na adolescência por ela, mas agora, sem ela, o que sobra? Perda. Perda. Perda. Eu não fiquei com ela quando deveria. Eu não a abracei o suficiente nem dei orgulho. Ela ficou sozinha. Sozinha. Tanto tempo. Tanto tempo. Não merecia. Nunca mereceu nada disso e sofreu tanto! Só na esperança de permanecer viva e não conseguiu. Ficou fraquinha demais. Eu não sei como consertar meu coração e toda vez que eu tento em me corto nos cacos. Não tem outra alternativa.
Por Favor (22.02.26)
Mãe, eu estou no meio de um furacão hoje. Eu me coloquei nele. Minhas decisões erradas e corretas me trouxeram ao mar aberto. É uma tempestade como nenhuma outra antes e é o mar inteiro, tinha que ver. As ondas são tão altas quanto o céu. Nenhum sinal do sol, ou da lua, ou das estrelas, elas fora embora. Hoje não tem sonho, ou descanso, apenas pesadelo.
To com saudades. Eu tiro fotos de coisas bobinhas e penso em mandar pra você... Só pra lembrar que você não vai receber. É como se você fosse morrendo o tempo todo na minha mente. Eu recebo essa notícia diversas vezes no dia, o suficiente pra mandar qualquer um pro hospício.
Eu quero o seu colo. Seu amor incondicional, que não via meus defeitos, apenas a mim. Que me ouvia e me apoiava. Que me dava esperança e acreditava em mim. Pq a vida é cruel, mas você nunca foi. Sua voz era gentil, seu toque suave, sua sabedoria sem fim. E eu só queria descansar com a certeza que tudo vai ficar bem um dia que só você me dava.
Eu não sei se eu consigo sair dessa situação que estou, mãe. Tô perdendo tudo. Estou colocando fogo em todos os aspectos da minha vida desde que você se foi e não faço ideia pq. Minha mente está incontrolável, perdida e cansada. Como a um ser pequeno em uma floresta em chamas.
Queria você aqui pra me guiar ou só pra me abraçar enquanto tudo desmorona. Nem precisava falar nada, só precisava saber que você está aqui e então eu descansaria nisso.
Mas você não volta, e eu chorei o mar em que me afogo hoje. A única coisa que eu posso fazer é olhar o céu e desejar:
Por favor, Por favor;
Não me deixe aqui;
Me leve com você.
Eu Não Sei Fazer Isso (20.02.26)
Eu não consigo nem lembrar quando foi a primeira vez que eu desejei terminar o nosso relacionamento. Eu lembro de escrever aqui sobre estar infeliz com algumas coisas específicas dezenas de vezes. Eu nunca leio eles, pois fazer isso é perceber que as insatisfações são as mesmas há centenas de anos. Também fiz as confissões mais vergonhosas, das que eu nunca falaria para quem quer que fosse.
É tudo sobre você me parece. Tem sido sobre você há muito tempo. Tantas palavras, tanto sofrimento, angústia. Traições, vergonha, culpa. Altos e baixos. Dor em cima de dor em cima de dor em cima de dor... Não acaba.
E eu não tive coragem, eu nunca tive coragem. É simplesmente muito difícil fazer alguma coisa. É a coisa mais difícil da minha vida. E eu nunca fiz isso antes então, 28 anos e sem repertório algum. Só deixando passar, acontecer. Perder e perder.
Até que agora eu tive. Em um momento específico, onde as angústias e as histórias e quase oito anos de relacionamento se alinharam quase perfeitamente... Eu tive coragem. Eu disse o que eu queria. Eu terminei com você. E eu to completamente aterrorizado com a ideia.
Eu ainda te amo. E eu percebo isso quando meu coração dói quando olho em seus olhos e vejo sua expressão agoniada. Enquanto você implora pra eu mudar de ideia e chora de dor em meus braços. Quando você me diz que não consegue fazer isso, que quer ficar comigo pra sempre, que não se vê mais longe de mim. Enquanto você repete de novo e de novo que não quer me perder. Que eu sou sua família... É uma tortura.
Te ver assim me faz duvidar de tudo, me faz acreditar que estou apenas sendo exagerado, que essa é outra crise nossa, a pior delas. Eu não quero te ver sofrer, não quero fazer você se sentir sozinho, confuso, perdido. Eu me importo demais pra isso. Você é um alicerce na minha vida. O começo, meio, sem fim. Você diz que me quer pra sempre, me lembra que eu disse pra morrermos juntos e nos encontrarmos depois disso. Eu disse isso quando você sentiu medo de ficar sozinho depois da morte e eu quis acreditar que estaria lá pra você.
Mas então eu percebo que você nunca me chamou de família antes. E que nunca quis casar, ou fazer um plano de futuro comigo. E eu desejei isso, tanto, que doía. A sua inércia corroeu meu coração e a confiança que eu tinha em você. O alicerce era de areia; as intempéries, os meus próprios desejos. E houve tantas palavras duras, tantas, que não caberiam aqui.
Meu amor por você não pode me impedir de ir atrás do amor pra mim. Não é justo se manter aos pedaços só pra manter o outro inteiro.
Se eu mudar de ideia, como você deseja, não seria por mim, seria por você. E eu escolhi você 2847 vezes. Muito orgulhosamente muitas vezes, mas extremamente magoado e ferida aberta em muitas outras.
Foi uma longa jornada, muitas memórias boas, sorrisos, amor e companheirismo, mas agora nosso relacionamento amoroso chegou ao fim, no entanto sem nunca precisar terminar a amizade. E o que sustenta essa decisão é única e exclusivamente a certeza que reside no coração de meu coração.
Tudo Em Minha Mente (18.02.26)
Eu fico imaginando cenários. Você me perguntando das nuances que não sabe, você me escolhendo em detrimento do que já tem, se arrependendo em voz alta por pensar que é tarde demais. Nada disso é real, mas inventar é melhor que encarar a verdade seca. Um jogo perigoso, sim, mas mesmo assim, automático em mim.
Todas as vezes que me peguei imaginando qualquer uma dessas situações e planejando o que eu te diria eu tive que me impedir em voz alta como se eu fosse algum louco esquisiofrenico. Talvez eu esteja um pouco louco sim e sinto que me coloquei nessa situação, mas é do meu feitio lidar pobremente com meus problemas.
Eu fico esperando notificações suas. Qualquer coisa. Qualquer contato seu diretamente a mim. Chequei mil vezes se você visualizou meus stories hoje, você nunca viu... Será que você sabe que eu me arrumei todo só pra você ver?
Queria que você fosse mais verbal, que me perguntasse mais, o pq, o pra quem, o quando, o onde. Eu ia amar fazer você entender tudo, mesmo que o desfecho não fosse o que eu desejo. Pois do jeito que está, eu sinto que falta tanto. Será que você tá tomando suas decisões sabendo de tudo? Será que sabe o quão grande é o que eu tenho por você? Será que seria diferente se soubesse?
Será que você sabe que meu coração doeu quando te perguntei aquelas coisas ontem no whatsapp? Será que você sabe que chorei pra tomar coragem de mandá-las e chorei ainda mais com as respostas?
Desde que nos envolvemos, eu tento colocar meus sentimentos ordenadamente no meu coração. Eu fiquei chateado com você na época, pq de alguma forma eu sentia que não conseguia confiar em você de verdade. Eu tava apaixonado por você e sei que você sentia o mesmo, mas pq então você se envolveu com outras pessoas? Pq tentou esconder de mim? Eu me senti de algumas maneiras, usado. Como se eu fosse só uma oportunidade que você enxergou de sair de uma situação ruim.
Eu observei você ir embora do emprego, voltar, terminar o que queria, voltar atrás disso, namorar outras pessoas, se envolver com todo mundo que você teve oportunidade e eu achei que o sentimento dentro de você tinha morrido, sem nunca deixar morrer dentro de mim, apenas adormecer. Eu morava com você, mas te via tão distante. Como se fosse impossível de te alcançar. Eu blindei a parte bonita em mim pra não doer mais e deixar você viver sua vida em paz.
Mas então você começou a flertar comigo uns tempos atrás, eu tentei não prestar atenção, mas era tão constante. Você perguntava "quando é que a gente vai se pegar de novo?" e me tocava. Eu sei que era brincadeira da sua parte, só que eu juro, foi como acender uma chama em mim, tremenda, avassaladora e selvagem. Nada controla os "e se's" da nossa mente. E eu tava acostumado a ignorar meus sentimentos por você, ao ponto de parecer um crime me entregar a isso, mas eu comecei a sonhar com você, desejar você, buscar você em todas coisas possíveis. Milhares de vezes eu me imaginei com você, apertado nos seus braços. Sentir sua pele na minha, beijar seus labios, seus dedos, seu corpo. Sentir seu cheiro, seu gosto. Ser seu, pra você fazer o que quisesse, eu aceitaria qualquer coisa contanto que você estivesse comigo.
Então eu comecei a flertar de volta, consciente que era tudo brincadeira, mas sempre foi real pra mim, eu nunca menti pra você. E esse ato, por mais que eu tentasse evitar, veio como um impulso e necessidade tão grande que era incontrolavel. Eu poderia fazer isso o dia todo. De ver seu sorriso meio sem graça ou o rubor nas suas bochechas era como uma brisa graciosa em meus cabelos, é como o beijo do sol, o banho do mar. Uma substância viciante, envolvente. Acho que é amor, gutinho.
Lívia às vezes ficava dizendo na nossa frente: "beija ele", como se tivesse tentando fazer a gente se envolver e eu ficava me perguntando se ela sabia de alguma coisa que eu não sabia. Se você tinha comentado algo com ela, eu acho que esperava que isso tivesse acontecido. Agora... eu acho que não, era só uma brincadeira dela, não era?
E mesmo assim, contrariando todo o bom senso, eu enlouqueci com todas essas coisas. Lembra quando eu ia viajar pra São Paulo e eu bati na sua porta pra me despedir? Eu jamais gostei de lhe incomodar, e eu normalmente não faria isso, mas eu tava com tanto medo de morrer no avião que eu só precisava te dar um último abraço. Só seu. E é tão difícil ficar longe de você. Eu não saio do meu emprego, por mais que eu odeie ele, só pq você está lá. Pq quando você foi pra longe foi uma das piores épocas da minha vida; Quando você voltou foi como respirar pela primeira vez depois de muito tempo.
E eu, de certa forma, conseguia me sentir satisfeito tendo você só assim. Não é o que meu coração deseja, pq ele quer tudo, mas eu sou acostumado a não ter tudo que desejo, e se não era pra ser, que ao menos eu possa ter o pouco. Você não, você não estava satisfeito e com razão. A situação não era boa. Você desejava ir embora da nossa casa pra viver sozinho. E toda vez que você expressava essa vontade durante quase um ano, eu sentia uma parte do meu coração quebrar só com a perspectiva de te ter longe. Não havia nada que eu pudesse fazer, estava longe da minha alçada consertar tudo então eu conversei com você pra organizarmos logo, te teria no trabalho de qualquer maneira.
E você foi de novo. Nunca prometeu ficar, né? Eu tentei não prestar muita atenção aos meus sentimentos, mas a perda era grande demais. Então quando você falou que ia passar o natal comigo, senti que era minha chance de me reconectar com você. Eu te beijei, e você retribuiu no começo, mas depois me rejeitou. Fiquei sem entender honestamente. Com todas aquelas brincadeiras... Não era o que você queria? Ou você só queria brincar?
Não quis mais pensar nessas coisas depois disso. Entrei no confecionario e nos dei por acabado. A minha mãe morreu logo depois, eu não pensei mais em nada. Quando eu voltei, você não tava mais lá. Tinha encontrado um novo rapaz que morava longe e tava indo pra onde ele tava. Deixando claro que tava procurando novos empregos pra viver longe. Passei alguns dias pensando que tinha perdido minha mãe e você.
Eu vejo você falando desse novo rapaz, e eu me sinto como se fosse vomitar a qualquer momento. Eu vi o presente que você comprou pra ele e eu quis que pegasse fogo. E vi as fotos de vocês juntos e quis me matar. Queria que fosse eu. Eu poderia ser tudo que você deseja e mais um pouco.
Então a gente foi pular Carnaval juntos. Eu e você. Eu me arrumei pra você, sabia? Eu fui pra ver você pq estava com saudade. Eu ponderei e decidi que era melhor não tentar nada pq ja tinha sido ruim o suficiente no natal, pra me proteger de mais uma decepção e também pra não destruir nosso primeiro role de carnaval. Fui pq eu realmente precisava sair e espairecer a mente. Era melhor que eu ficasse na minha com relação a você. Só beber e dançar e tentar esquecer tudo... Eu lembro de olhar pro céu, para as luzes. O som era tão alto, minha mente mais ainda, e a sensação era tão boa... Até que você tocou no meu rosto, eu abri meus olhos e o seu sorriso era tão grande. Você se inclinou e seus lábios tocaram nos meus com tanta vontade. A minha mente foi para todos os lados possíveis, o meu corpo ficou quente e eu só queria mais de você.
A gente andou entre as pessoas de mãos dadas, e foi a primeira vez que isso tinha acontecido comigo. A noite foi boa e eu me declarei pra você mil vezes. Tudo verdade. Tanto no primeiro dia como no segundo. E depois disso eu decidi que ia largar tudo por você, se você quisesse e me aceitasse, eu aceitaria você. Por isso te perguntei aquelas coisas na terça.
E sinceramente foi como um balde de água fria. Você comparou nosso beijo como qualquer outro que você dá aleatoriamente. Eu me senti humilhado, tão pouco diante de tudo. O que você quer de mim?
Fico pensando se eu só nao faço seu tipo. Ou se tem algo tão inerente a mim que te afasta. Pq pensa tão pouco de mim? Eu te fiz alguma coisa que te chateou tão profundamente que você não consegue mais me olhar com bons olhos?
Pq você se sente tão culpado por me beijar quando são meus sonhos que se tornam realidade? Você me disse que estava com ansiedade pra ir pro carnaval por causa de mim. O que isso significa? Que você gosta de mim ou que não quer lidar? Eu não quero te perder de novo. Não quero que você vá pra longe pq eu sei que eu nunca mais vou te ver. Se eu errei, eu posso consertar. Eu juro. Eu posso remediar todas as coisas. Você não faz ideia de tudo que eu sonhei pra nós dois. Eu posso preencher todos os espaços que você desejar, ser o que você precisar. Eu beberia todas as suas lágrimas... eu te amo por tanto tempo.
Ultimamente você tem me tratado com tanto desprezo. Eu não sei se eu não entendi o tom das suas mensagens ou se é verdade, mas você tá tão longe... quando no início dessa semana você tava tão perto. Me desculpa se estou te chateando, se esse não era um drama que você queria agora. Eu não estou sabendo ser simples e sucinto e minha vida está virando de cabeça pra baixo. Eu sei que é minha culpa.
Queria que você fosse mais verbal, você é tudo na minha mente pq eu tenho milhões de perguntas sem respostas.
Você Não Tem Tanto Tempo Assim (15.02.26)
Acho que talvez essa seja a primeira real chance de eu endoidar ou de regredir minha saúde mental uns dez anos em muito tempo.
Minha mãe morreu no começo desse ano. Ela vinha batalhando contra um câncer há uns dez meses. Muito agressivo, tirou tudo dela. Era na região da boca/garganta então você pode imaginar a dificuldade que era de se alimentar.
Antes de descobrir, ela estava na melhor época dela. Tinha, há anos, vencido o alcoolismo, estava treinando na academia, fazia aeróbica, dança, tudo. Ela era a mais saudável de todos nós. Uma piada o presente do universo a isso. Tinha que ver meu pai falando como foi os últimos dias dela. Tanta dor...
Eu viajei pra ver ela no fim do ano passado, fiquei umas três semanas em um momento que foi bem difícil, fim da primeira fase de radioterapia e quimioterapia. Eu passava horas do lado dela tentando fazê-la tomar um mísero copo de vitamina ou sopa. Eu vi ela estremecer de dor por causa de um gole, múltiplas vezes no dia. Ela não dormia bem pq o corpo dela ficava expelindo saliva demais o tempo todo. Sabe quando você está com uma afta e sua boca saliva mais quando machuca ela? Imagina ter 20/30 ao mesmo tempo. Não exageradamente era a quantidade de aftas que ela tinha. Tava sempre exausta e muito magrinha.
Mas nem por um momento eu duvidei que ela ia vencer. Era mais que fé, era certeza como o ontem que passou. Não podia acontecer, entende? Que absurdo, que blasfêmia pensar que aconteceria! Era certo os dias de sol que viriam pra ela.
Então eu fui embora. Eu voltei pra casa, "pra resolver minhas coisas" foi o que eu disse pra mim mesmo. Eu ia pra casa, organizaria minhas dívidas rapidamente, resolveria a questão do apartamento que eu estava morando e então eu voltaria pra São Paulo pra ficar com ela mais alguns meses ou até o fim do tratamento.
Só que a gente nunca tem o tempo que a gente acha que tem...
E ela se foi.
Tava fazendo uma segunda fase de quimioterapia que era muito mais forte que a primeira. Na primeira o cabelo dela nem caiu pra você ter uma ideia, mas nessa nova fase começou a cair na segunda sessão. Ela faria seis sessões, cada sessão com uns cinco ou seis de dias de químio. Cada dia demorava umas cinco horas. Muito forte. Ela tinha acabado de terminar a segunda sessão.
A última vez que eu falei com ela foi por mensagem, perguntei como ela estava, ela respondeu: "Oi filho,não estou nada bem,essas reações da quimio ta acabando comigo,estão muito fortes". Mandei outras mensagens, mas ela nunca respondeu. Isso foi dia 22, ela faleceu dia 24.
Meu pai me contou que passou dias querendo levar ela pro hospital pq estava passando muito mal. Ela não queria pq sabia que iria ficar internada e odiava ficar sozinha. Quando foram ja era tarde, uma infecção se espalhou pelo corpo dela. Ela estava necrosando viva.
Meu pai disse que ela urrava de dor no hospital, que teve uma convulsão, que não reconheceu ele depois. Ele me ligou na sexta à noite dizendo que a mãe tava mal, mas que os médicos iam investigar qual seria os próximos passos possíveis. Sábado à noite eu tava trabalhando, às 18h ele me liga pra dizer que o medico falou que era gravíssimo. Às 20h ele ligou novamente pra dar a notícia de morte.
Quando ele chegou aqui em Pernambuco no domingo, ele urrava de dor. Dizia "ela estava bem na segunda. ELA ESTAVA BEM". Indignado com o desdobrar de tudo, com quão rápido a vida se esvai, como dói perder alguém, como é perder tudo.
O corpo dela chegou na segunda de manhã, eu que recebi. E eu esperava que fosse ter uma reação muito grande ao ver o corpo dela, mas não. Não parecia ela pra ser sincero, mas parecia estar apenas dormindo. Em paz. Depois de tanto tempo de dor e força e garra... Ela tava dormindo e a morte de algum jeito me trouxe certo conforto.
Mas como que alguém supera uma coisa dessas? Saber que a pessoa que mais te amou no mundo, que era sua luz, guia, modelo, sofreu tanto no último ano da sua vida. Que partiu sem realizar seus sonhos, que não viveu o melhor...
Quando eu estava lá, e via ela batalhando tanto contra o próprio corpo, os próprios sentidos, eu tinha um pensamento intrusivo que soava como um insulto, uma blasfêmia. Eu pensava "eu acho que é a última vez que estou vendo a minha mãe viva" e quando eu me despedi dela no aeroporto esse mesmo pensamento continuava martelando a minha mente. Eu não chorei na frente dela, mas chorei o caminho todo de volta. Tolo, devia ter ficado. Devia ter abraçado mais, beijado mais, demonstrado mais.
Agora acabou, e eu perdi os últimos 13 anos com minha mãe. Sinto que escolhi tão errado. Escolhi tão pouco pra mim e agora tenho que viver com isso.

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Promessas (29.01.26)
"dorme com os anjos e sonha comigo pq quando ficarmos juntos você dorme comigo e sonha com os anjos"
Adeus, deusa (24.01.26)
Quando me deram a notícia que ninguém jamais gostaria de ouvir, eu fui pra casa e a primeira coisa que eu fiz foi procurar alguma foto física que eu tivesse de você. Eu tenho tantas na galeria, mas eu precisava tocar em algo real, algo que eu soubesse ou sentisse que tinha você de alguma maneira.
Conosco, eu só achei uma. E o detalhe que mais me chamou atenção foi o seu sorriso. Tão lindo, tão majestoso, tão vivo. Fiquei por um momento arrebatado pela sua beleza.
Eu lembro que quando eu era criança, eu sentia um carinho e amor tão intenso por você, que eu te adorava. Minha mente de criança não sabia processar tanto sentimento então eu fiz de você o mais próximo possível de uma deusa.
E eu acho que isso aconteceu pq foi você que me mostrou o que era amor, de um jeito que eu nunca pude dizer na vida que esse me era um sentimento estranho. Foi você que me ensinou como ser gentil, de uma forma que toda vez que eu vejo gentileza no mundo, eu lembro de você. Foi você que me ensinou a ter paciência, pois teve paciência descomunal para me ensinar tudo, o tempo parecia pertencer a você. Eu nunca esqueço dos pequenos detalhes que você nunca deixou passar, o quão atenciosa você foi ao me criar. Eu nunca esqueço.
E eu sinto muito. Muito muito muito muito muito mesmo, que você teve que passar por tudo isso. De todas as pessoas do mundo, você era a que menos merecia. Não que alguém mereça, mas essas coisas acontecem e é tão injusto e sem sentido algum. A gente nunca entende.
E eu tenho medo, pq o tempo trai a gente. A gente esquece das coisas, e eu morro de medo de esquecer o som da sua risada. Esquecer a sua voz. Esquecer como é o toque dos seus cabelos nos meus dedos. Ou de o amor perder sentido pq você não vai estar mais aqui, ou de a gentileza não tocar mais meu coração pq o destino não foi gentil conosco.
Eu perdi todo o futuro que eu sonhei em ter com você. E eu sinto carregando a dor e os arrependimentos de uma vida inteira que eu passei distante. Se eu te fiz chorar, eu juro, não foi por mal. Se eu demorei, é pq a gente sempre acha que tem mais tempo, mas eu não sou um deus, e nunca temos. Me perdoe por isso.
Você lutou fortemente, bravamente, verdadeiramente como uma ser humana poderia, mas agora acabou, e você vai descansar. Mas eu só quero que você saiba que eu nunca vou deixar de te adorar. Como nunca deixei. E a sua memoria nunca vai morrer enquanto eu respirar. Eu prometo.
Procurando uma foto sua, eu achei dezenas minhas quando criança: Sorrindo, fazendo careta, dançando... E quase nunca olhando para câmera pq eu sei que tava olhando pra você. Minha alma te olha da mesma maneira agora, pois dentro de mim ainda existe a mesma criança, parada no tempo. Você consegue ver, mamãe?
Resolução (30.12.25)
Sair dessa merda pra Ele não achar que pode ser escroto comigo e se sentir superior só pq é o gerente.
Confecionário (26.12.25)
É um pensamento. Torturante. Que resvala em minha mente há meses. Desde de o grande confronto, eu me resguardei de meus próprios desejos e súplicas. Me puni com o proteção da minha sanidade. Repetidamente sequei com uma toalha frígida as minhas fantasias. Em carne viva, a química do meu corpo criou morfina e me sedou. E secando ao sol, vieram as cicatrizes, indolores, mas presentes ao mero soslaio.
Como sempre, eu tentei justificar tudo com palavras. O pensamento, é um fantasma que nunca existiu, uma memória inventada, onde eu, tão alto quanto a minha dignidade me permite, nego pedidos nunca feitos, justifico e respondo a perguntas nunca questionadas...
Eu cito com coragem, convicção e sem hesitar, todos os motivos que me fizeram não embarcar em uma possível tragédia depois de outra. Eu falo, olhando em seus paeudos olhos tímidos e ligeiramente vagos, que eu nunca poderia confiar nele. Que me senti traído. Abandonado. Que tudo remonta de uma única pergunta que fiz aleatoriamente em um momento desemportante que ele provavelmente nunca se lembraria, mas que a compreensão da resposta cravou ervas daninhas profundas demais na minha mente e no meu coração.
Eu perguntei - e isso é factual -: "Se a gente namorasse, você me trairia?". Dada as circunstâncias, esse pergunta era tão importante, tão em contexto. A resposta mudaria tudo. E de fato poderia ter sido respondida de qualquer maneira. Qualquer coisa... Mas foi: "Com quem? Eu estou com você o tempo todo.".
Eu entendi ali que eu era uma oportunidade, e não um fato. Poderia ser algo monumental como uma força da natureza, mas vergonhosamente passageiro. Eu conseguia sentir o cheiro da ferrugem, o sabor do metal e os fragmentos da folhas secas em minhas mãos. Era tão... efêmero. De alguma maneira, acho que eu sabia que não podia descansar sobre ele, ele não era real afinal.
Mas se eu estava certo ou o que veio depois é consequência da minha inércia, eu nunca vou saber. A conclusão da resposta só me recaiu anos depois. Os fatos se desenrolaram rápido demais. Eu fui traído por quem nunca havia me prometido fidelidade, fui abandonado por quem me devia absolutamente nada. Em parte esquecido, nunca celebrado. Mas eu assumo a dívida dos meus sentimentos, eu sei que são crias minhas!
E ele seguiu em frente e isso é bom, eu não suportaria o fardo de um coração quebrado. Mas nos últimos meses... Como a fantasmas, tudo me atormenta! Há momentos que não há como respirar. É uma devoção até o fim do mundo. Um sentimento que se revela em espasmos no meu corpo. Eu fecho os olhos e o canalizo, eu abro minha boca e pelas memórias eu quase consigo sentir de novo... todos os dias.
Penso que na verdade eu fui bem covarde. Digo, de não engatar no que eu queria em detrimento do que era, sinceramente, muito vagamente o "correto". Eu me perdoo eu acho. Eu nunca poderia saber o que me aguardava. E ele nunca esperou, agarrou todas as oportunidade que teve. Ele sempre quer tudo. Ou isso é o que minha visão unilateral quer acreditar.
Meses de orações me aproximaram de contatos divinos mais uma vez. Todavia, amargamente filtrados por algum motivo, me foi negado o êxtase da graça. Me prostrei ao chão, mais de uma vez, em devoção diante do sagrado e tive apenas fragmentos de sonhos. Me senti vazio depois, envergonhado até, não por culpa do pecado, mas pelos portões dos céus terem me sido fechados novamente.
Enfim, perdi e perdi. E não tem perdão pra mim.
E eu não vou pedir.
Alcançar (19.10.2025)
Tive um sonho agora pouco. Com personagens que eu tenho quase certeza, mas nao tenho certeza, que ja conheci em sonho antes. Lara e David. eles me acompanham em jornadas sem destino naquela realidade, onde objetivos nunca sao realmente alcançados.
Não me recordo exatamente como começa, mas de repente eles estão la, me levando de um canto a outro. nada faz realmente sentido e as memorias da jornada sao como uma colagem aleatoria: A minha casa esta desmoronando, eu fujo para nao ver. Eu me perco, eles me acham. Eu desejo andar de montanha russa (?), mas quando chego perto, ela não esta lá. Os objetivos deles mudam de repente. Eles aleatoriamente descem de rapel de um predio a outro, mas eu nao tenho coragem de segurar todo o meu peso apenas com a força do braço e desisto. Eles sempre me encontram novamente. Planejamos ir até o mar, mas a rota é completamente longa e desnecessaria e nunca realmente chegamos lá.
É uma jornada de sempre querer, mas também de sempre estar junto. E nisso, passamos horas, dias, meses um ao lado do outro. Viajando, rindo, implicando aleatóriamente e tendo a mais sutil sensação de pertencimento. Eu sou deles assim como são meus.
Eu chorei no fim desse sonho, para eles. E enquanto segurava suas mãos para subir um muro que eu não ia conseguir subir sozinho, eu sabia que era hora de ir. Meus olhos encheram de lágrimas e Lara sabia também. Eu disse: "Eu queria tanto conhecer vocês na realidade". E enquanto meu sonho se desfazia, a última coisa que eu vi foram seus olhos de compreensão; eles também desejavam.
Acordei com lágrimas reais em meus olhos. A único coisa que fui capaz de trazer daquele mundo para cá. E eu chorei. Pq me sentia livre com eles, assistido. Acordei para quase irreparável solidão que sinto e talvez até sabotamente construída, mas que já me acostumei. E quando a história foi perdendo sentido, eu tive que vim concretizar eles em texto.
Eles são um presente inalcançavem que meu próprio cérebro criou pra mim. E consciênte da natureza meio maluca disso tudo, agora eu lamento a perde deles para sempre.

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O Que Será? (24.12.2024)
Pensando bem, acredito que nunca me presenteei com o privilégio das decisões convictas. Minhas convicções vem depois de muitos anos, quando analiso não só a trajetória que percorri e as consequências boas que colhi, mas também como todo o resto permanece devastadoramente o mesmo. Permanecer é perpetuar, piorar.
E mesmo sabendo disso, depois de tanto tempo, o tempo me impede de ouvir a mim mesmo no ato de tomar decisões. Eu penso muito na possibilidade de um personagem que no ato de decidir "vai embora e nunca olha para trás". Clichê talvez, simplista até, mas terrivelmente quem eu almejaria ser. Será que seria possível ser assim?
Analisando esse desejo, talvez seja a ânsia de não se importar com as consequências. Em algumas situações, talvez fosse adequado não se importar, mas como eu vou saber quais devo e quais não? E se eu errar?
De fato, acredito que eu tenho errado pelo excesso.
Me parece que o futuro, ou melhor dizendo, as consequências boas de decisões que eu poderia tomar hoje me aguarda, me carrega, mas caminho até ele de costas, tropeçando, me desequilibrando, devagar, com medo.
Talvez essa seja a síntese de se ter um futuro, a incerteza do caos. Mas das decisões que tomei, as mais importantes pelo menos, eu não tinha convicção do que poderia vir, mas sentia que poderia ser algo bom, ao menos, eu trabalharia para que fossem boas, pois coloco esse poder em minhas mãos.
Mas agora, eu não faço ideia do que será se eu fizer o que eu quero. E me importar é tudo o que eu sempre fui e fui cada vez mais me enraizando e esgueirando sobre e sob a realidade que vivo hoje, criando um nó terrível, divino, perpétuo como um império, fugaz como o universo.
Por sentir que vivo esmagado pela permanência, me enveneno com tudo que eu poderia ter e ser e pelas coisas que perderia e pela vida que perdi, por quem não fui, pelo que não fiz, pelo que desperdicei. A água secou, a terra está rachada, o sol é implacável. E eu estou tão longe, tão só, tão afogado.
Nimbo Emocional (21.12.24)
Eu costumava sonhar com amor, com desejo e cuidado. Desejava um peito onde descansar minha mente, um corpo onde realizar meus desejos e um ombro onde escorrer minhas lágrimas.
Sonhava com a ideia de completude e perfeição. Por mais erradas que fossem as minhas ideias de perfeição, ainda assim, você seria perfeito pra mim e eu para você.
Em algum momento, de alguma forma, eu me despi disso tudo, de todas essas ideias e vontades. Não saberia dizer se gradualmente ou de supetão, mas me vi nu. Eu iniciei essa caminhada conhecendo o lugar onde queria chegar, mas caminhei por tanto tempo que já não sei mais o que era ou se ele de fato alguma vez já existiu. Eu questionei tudo até apenas restar perguntas sem nenhuma resposta, até o chão e o céu se desfazer e agora eu caio em direção nenhuma, com todos os meus sentidos desordenados e confusos demais, para além da compreensão.
E em queda, por me desfazer de tudo, acredito que não tenha sobrado tanto assim de mim. Pois os sonhos que construimos faz de nós quem somos. As coisas que desejamos nos impulsionam para além, nos levam para essa cidade dos sonhos ou nos embalam para sempre em agonia. E por nunca saber, nunca desejar, nunca dar um sinal, tudo desaparece em um grande mar cinzento e sem fim.
Não é atoa que você me lê errado, as palavras já não formam textos, as letras, ou hieróglifos ou ideogramas não são mais conhecidos. Você é disléxico emocionalmente, eu, um enigma sem resposta.
Mas então, repentinamente, em queda eu acordo e concretizo um desejo: eu desejo um sinal, um símbolo, um ato. Algo que materialize o mundo em ruínas ou pelo menos, o nosso mundo. Talvez um contrato, ou um anel, uma festa onde chamaremos nossos amigos e celebramos nós, uma viajem, uma foto, uma tatuagem, um ritual, um jantar, uma loucura qualquer, um experiência só nossa, uma nova primeira vez.
Vê que engraçado, eu sei de cor e tenho um milhão de respostas para todos os meus enigmas, você nem parece perceber a esfinge sobre você.