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gosto da palavra “subsequente”, indica aquilo que se segue imediatamente. talvez pelo meu imediatismo de sentir. talvez porque acredite nas reações espontâneas às ações. gosto do cru, daquilo que se segue sem pensar muito, que se sente e só. e que se faz logo.
gosto do frio na barriga subsequente às nossas ligações. gosto também do sorriso que me estampa o rosto subsequente a sua chegada. e gosto do que nos proporcionou a tecnologia, que mesmo tão longe me permite te ver.
desejo, no entanto, mais do que me parece permitido, o toque subsequente ao olhar. e o abraço que a tela clara e tecnológica não permite dar-te. e desejo que nosso amor seja subsequente de um recomeço. algum dia.
Tudo é nada, sem ti
Estou sem ar. Não pelo o estado que meu corpo se encontra. Respiro o ar e já não tenho olfato para sentir seu perfume ou paladar para degustar teu gosto afrodisíaco. O peso de adoecer, e precisar proteger os que ama, dói; machuca mais intensamente quando vejo que não fui totalmente compreendido em minhas palavras. Encosto minhas costas pelas paredes e derreto sob a sombra que a fumaça de meus pulmões exala fortemente. Cigarro após cigarro. Fragmentos de memórias nossas estão depositadas em todos os cantos por onde vou. Não há escapatória de você. Apesar que nunca quis escapar de teus braços e inconscientemente jamais conseguirei nesta vida. Diria que nem nas próximas. Meu amor por ti é algo metafísico. Podemos nos deixar pelo caminho por obra maligna do destino, mas você nunca sairá de minha lembrança um dia que seja. Pode passar quem ou coisa que for em minha vida, VOCÊ SEMPRE SERÁ MEU PONTO FRACO OU MEU PORTO FORTE. Pode haver vários plot twists, e nenhum apagará um resquício sequer do doce sabor que é estar ao seu lado. Prefiro confiar me ti, pois sem isso, não sustentaremos a relação mais linda que eu jamais pude imaginar que teria. Você supera todas as expectativas que já criei.
Tudo é nada, sem ti, Rarizi. Não quero que você se anule por mim como pensas, ou que te condeno. Senti-me sufocado por não poder te ter este final de semana, e a falta de seu texto pela madrugada como um analgésico curador, vindo genuinamente, não estava lá para confortar meu pesar. Desculpa por enfraquecer tanto. A âncora pesou mais pela manhã. Você diz que jamais te perderei para outro homem, porém tenho medo de te perder para mim mesmo; Que seu ar mude de direção e você queira viver sob liberdade mundana longe de meu peito, este, que sem teus cabelos escorrendo fio a fio por cada centímetro, é só mais um pedaço de carne sem amor. Mas não, não poderia deixar de ser transparente que me incomodei com certas coisas. Estaria sendo desonesto a mim, a ti e a nós.
Minha vontade é de largar tudo e correr para a porta da sua casa. Te admirar descendo as escadas e te abraçar até que os braços queiram arrebentar. Não posso! Por deus, não posso! Contudo, saiba que, entre um todas as outras coisas do mundo e você, eu ainda escolho você, Melissa Hajrizi, minha Grécia. Eu amo você, como amo minha própria mãe, mais que minha tia, mais que qualquer coisa neste mundo, e sempre, eu sempre amarei você além deste plano físico.
-Itália
Queria que seus olhos pudessem ler os poemas que escrevo quando meus pensamentos te rodeiam. Que eu pudesse ver seu rosto crescendo com a distância entre nós diminuindo, até se tornar um borrão bege e depois preto, quando meus olhos se fechassem. Queria que as palavras te tocassem como o arrepio que me causam os decibéis da tua voz quando atingem meu ouvido. E que segurar sua mão não mais fosse um delito-romântico-social.
Nada no mundo se equipara às nossas conversas em silêncio. Nada possui tanta radiação quanto nossos corpos que se procuram e se acham em leves toques. É o braço que encosta quando sento do seu lado e você me mostra uma imagem no seu celular e eu preciso me aproximar, como se não desejasse isso. Ou quando falo alguma coisa e você é o único que ouve, apesar da barulheira das conversas que nos rondam. Nada tem tanto sentido quanto o abraço apertado que ninguém mais vê ou sente, disfarçado de oi e tchau. É o “eu te amo” escondido e em sussurros. É doloroso, solta faísca em cada toque. E dói porque eu te amo e o nosso amor é um ato criminoso. E te amar de longe nunca vai ser o suficiente.

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Olhar para ela me fazia querer chorar. Não se tratava de sua beleza exuberante ou dos seus cabelos cor-de-pêssego bagunçados e presos em um dos coques que fazia quando se perdia nas telas que pintava. Não se limitava aos seus lábios carnudos cor-de-pitanga ou da tatuagem em seu ombro marcando a constelação do seu signo, aquário. Não era o sorriso com os dentes perfeitamente alinhados ou a maneira que seus olhos fechavam quando ela gargalhava. Era mais. Era a luz que sua pele emanava, um dourado que, se você prestasse atenção, refletia as paisagens mais graciosas. Era a maneira que ela falava e você quase conseguia sentir a grama molhada debaixo dos pés em um dia ensolarado. Era a sublimidade que sua existência terrestre trazia. O modo em que seus óculos caiam sobre a ponta do nariz e que seus dedos seguravam o pincel. Era como ela conseguia passar para a tela a emoção de todas as cores e como ela vibrava todas essas cores sem pincel nenhum. Era sobre como a arte saía de cada um de seus poros.
Any Kind of Way
I feel the dirty thoughts inside my mind,
I stare to them. They are bad, like my alterego.
Possessive and selfish, they just want to enter on you,
any kind of way.
I wanna drown on your sweat, mixing my breath with your moans.
I am dirty, more than Bukowski could ever imagine,
I’m your deepest pain, your deepest orgasm, your deepest man,
any kind of way.
I don’t share you, I won’t get out of your mouth, brain and body.
Literally or not, any kind of way.
I wanna be your everything, not only your vaccum cleaner or ford cortina,
I wanna be everything that you need, your bad boy and your preotector.
Be my woman, for the rest of your live, and I’ll give you the world.
Any kind of way.
-Italy (Raul Medeiros)
Procuro o que esconde teus olhos cheios de sentimentos inflamados, nunca nus, sempre cobertos de milhares de desvios que não me permitem te desvendar. Ainda assim, tento. Olho teus olhos que buscam meus lábios sem pestanejar, vejo o desejo e me cubro, porque me interessa teu íntimo angustiado pela minha vontade de te entrever. Puxo os lençóis, teu corpo me encosta e não me permito te deixar vencer acerca da minha libido veemente. Meus olhos deliram sobre o desejo dos olhos teus. O toque da unha que arranha minha cintura marca o desespero em tentar me distrair. Mantenho os olhos abertos penetrados nos teus. Tua sobrancelha arqueia, tua mão relaxa, tua boca fecha e se curva no mesmo movimento que faz teus ombros descerem. Todo o ar do ambiente é sugado quando tua respiração para. Segura. Mais um pouco. Solta. Olhos nos olhos. A vulnerabilidade se exibe, desfila no fundo da tua íris e o mar que se segurava dentro de ti sai pelos teus olhos profundamente exasperados. Busco. Navego nas ondas turbulentas que te habitam. Acho o que escondes: medo. O amor te inflamou.
Nunca fui boa com palavras, sempre que queria gritar, sussurrava. Era terça-feira, 1:47 AM, quando te vi na rua parado com ela, embriagados, você a acariciando o ombro em um abraço casual enquanto esperavam o táxi que os levariam embora da noite lírica que tiveram. Fiquei parada na esquina, observando como seus olhos sorriam com ela, como nunca tinham sorrido comigo. A verdade me surrou com a realidade de que na realeza que habitei do seu lado, construí todas as torres sozinha, enquanto você se sentava e apreciava a vista. Sustentei os pilares e decorei as paredes. Os cantos da sua boca se curvavam com o meu trabalho incansável na tentativa de nos manter confortáveis, quase em um sorriso. Nunca tive coragem ou jeito para dizer que precisava da sua ajuda, que relacionamento não se ergue sozinho. Não soube escolher as palavras ou as expressões faciais, nem mesmo o tom para falar que o peso das vigas estava me machucando. Mas vai ficar tudo bem, pensei. Uma vez que as torres estiverem estáveis, vai ficar mais leve. Hoje minhas costas compadecem e eu choro, manchando os estilhaços que restaram do nosso (meu) castelo quando você virou às costas sem nem olhar para trás. E tudo aquilo que havia sustentado por tanto tempo, caiu sobre mim. As lágrimas desabam e eu não tenho certeza se a expressão do meu rosto se assimila com a dor que estou sentindo. Quero gritar. Quero abrir um buraco no ar e desaparecer dentro dele, como o buraco que se abre dentro do meu peito e ocupa todo o espaço dentro do meu corpo. Quero ficar maior, porque agora eu sou pequena demais para sentir tudo isso. Quero correr ao seu encontro, quero dizer que ela não vai te amar da mesma maneira que eu te amei, que ela não seguraria tanto peso, que minha maior prova de amor foi ter levado nosso relacionamento nas minhas costas mesmo que me machucasse. Mas fico ali, parada, chorando e observando a sintonia que nunca tivemos. E dói. Com o rosto inexpressivo e molhado pela dor que escorre dos meus olhos, sussurro: fui sua como jamais fui de alguém, mas você é dela como nunca foi meu.
- Isadora de Almeida

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Durante toda a minha existência vivi o desastre de estar preso dentro desse amontoado de massa que se define como meu corpo. Meus olhos sempre foram grandes, mas nunca viram coisas grandiosas, sempre que me atentava a algo enquanto caminhava, se tratava da miséria, da abundante quantidade de moradores de rua cobertos por tralhas para se esquentar enquanto se enfiavam em becos às seis da manhã procurando por comida ou drogas. Todas as noites que parava na janela do meu apartamento e olhava para baixo, lá estavam eles: infelizes, míseros e invisíveis, bem de baixo do meu nariz. Essa imagem me fazia trancar as portas e apagar as luzes, assim deitava meu corpo em um colchão velho e encarava o teto por mais algumas horas antes de adormecer. Algumas vezes, me olhava no espelho e via o mesmo infortúnio nos quadris largos que me pertenciam, na barriga com estrias leves e nos ombros pesados que sustentavam meu pescoço longo já não tão aparente pela grande barba que o cobria. Nos últimos 27 anos, o caos e a desgraceira atraíram meus olhos muito mais do que o êxito abrupto e acidental dos casais que se buscavam e se encontravam como se fosse um imprevisto da vida. Até que te vi pela primeira vez. Você foi a única coisa bonita em que já me prendi. Beirando os 30, me apaixonar foi impremeditado. Em nossa primeira conversa, você oprimiu meu pessimismo e me fez sorrir enquanto descrevia as flores e o pôr do sol. Quando nos beijamos pela primeira vez, o gosto de cereja que tinha seus lábios grudara no meu paladar e se tornara minha maior fraqueza. Quando completamos nosso primeiro ano juntos, parei na frente da janela do apartamento que já não era mais meu sem o seu cheiro nas cobertas e não olhei para baixo, olhei para as estrelas e pedi em silêncio para que nosso imprevisto romântico não nos estraçalhasse. No nosso terceiro ano juntos, você não me beijava mais com o mesmo entusiasmo, quando te comprei flores, você me deu aquele sorriso como de quem sente pena. Você sempre teve um coração grande, Júlia, mas seu medo de me machucar me feria ainda mais. Eu sabia que havia me tornado o pilar sentimental do nosso relacionamento, mas não sabia o que acontecera para que nossa paixão se esvaísse tão rápido. Um dia você me disse que queria dormir na casa da sua irmã, que estava se sentindo sufocada e confusa. Eu concordei, porque nunca fora minha intenção te prender. Naquela noite sustentei toda a massa do meu corpo em uma cadeira na frente da janela e não sabia se deveria olhar para baixo ou para cima. Me tornei invisível quando meu coração deixou de pesar 300 gramas e passou a pesar 57 quilos. Exatamente o peso do seu corpo. Quando amanheceu, esperei ainda de frente para a janela, olhando para o beco de baixo de mim e torcendo para ver seus cabelos encaracolados e o negro da sua pele reluzindo voltando para casa, sua beleza diferindo de todo o caos. Mas você não veio. Pelo horário do almoço, seu telefone caía direto na caixa postal, então me sentei sozinho na mesa e quis gritar porque a falta da sua respiração e do som da sua voz cantando causava um silêncio pesado. Na semana que se passou, você me disse que precisava de um tempo. No mês seguinte, já quase não me ligava. Depois de onze semanas, eu não conseguia me lembrar seu cheiro e isso me torturava, porque, puta merda, como eu queria me lembrar! Aos poucos meus olhos se voltaram para os rostos sofridos e indecorosos dos pedintes deitados na calçada, mas a imagem não me causa mais o mesmo efeito. Ainda busco seus olhos castanhos. Eu a quero tanto de volta, que deixo as luzes acesas e me deito com a porta destrancada na esperança de te sentir voltando.
- Isadora de Almeida
by @ maruruna on Instagram

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