The Bright Sessions

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let's talk about Bridgerton tea, my ask is open
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Lupita Nyong'o photographed by Peter Lindbergh for the Pirelli Calendar
A solidĂŁo Ă© um estado desgraçado de espĂrito. Eu passo as tardes de minha vida olhando para o nada, admirando a beleza da pequena flor vermelha que nasceu em meu jardim, mas que nunca tive coragem de chegar perto, simplesmente por ter medo do caos. Aquele pequeno ponto escarlate no meio da imensidĂŁo marrom da grama seca e morta de meu pequeno quintal. Eu sempre gostei da sensação de ter flores no estĂŽmago, sempre gostei de vomitar em um dia de ressaca, porque, assim, poderia ver as flores mais de perto, poderia tocĂĄ-las e acariciĂĄ-las como acaricio o meu gato Norberto. A solidĂŁo - e nĂŁo o amor - Ă© um cĂŁo dos diabos. Os dias sempre foram enfadonhos, mas os dias solitĂĄrios sempre foram piores. Somente eu, meu gato e a pequena flor de meu jardim, sempre me acompanhando nas tardes quentes e secas, enquanto, em meu fone de ouvido, ouço mĂșsicas melancĂłlicas, adivinhem: sobre solidĂŁo. Eu sempre tive medo de caminhar com um alguĂ©m do meu lado, medo de tropeçar em meu prĂłprio pĂ© e ralar o joelho naquele asfalto quente e sujo. Eu sempre tive pesadelos com bichos-papĂ”es, caiporas, mulas-sem-cabeça, mas nunca ninguĂ©m soube, porque se soubessem, milhares de braços viriam ao meu encontro, acalentando-me, abraçando-me e dizendo-me palavras reconfortantes. Eu prefiro a solidĂŁo. Eu prefiro a desgraçada. A maldita solidĂŁo. Eu gosto de chorar todos os dias, por me sentir sĂł, gosto da sensação das lĂĄgrimas lavando o meu rosto, e gosto de bebĂȘ-las, porque Ă© como se o mar estivesse em meus olhos, enquanto nado, feito um menino que conhece o mar pela primeira vez. Para falar a verdade, eu nunca gostei do mar, mas Ă© a forma mais irrefutĂĄvel de solidĂŁo, Ă© onde me sinto preso em meus prĂłprios medos, em meus prĂłprios pesadelos, Ă© onde me sinto eu. . Meu gato comeu a flor e morreu. Socorro. Estou com medo. Estou sĂł. A solidĂŁo Ă© um estado desgraçado de espĂrito. A solidĂŁo Ă© uma bĂȘnção.
Anarquismos. (via anarquismos)
Persona, Ingmar Bergman (1966).

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Nesses Ășltimos dias tenho sentido um comichĂŁo no peito que nĂŁo me deixa pensar em coisas tristes por mais de dez segundos. E ele [esse comichĂŁo] tem seu nome. Vezenquando atĂ© tento aquietar, mas vocĂȘ vagueia livre por tudo que me habita. Eu te sinto tomar cada fresta do meu peito e escorrer pelas bordas atĂ© que nĂŁo haja nenhuma parte do meu corpo sem um pouco de vocĂȘ.
G.
olĂĄ
olĂĄ, anĂŽnimo!
Jude Law as Dickie Greenleaf in âThe Talented Mr. Ripleyâ / dir. Anthony Minghella / ph: Phil Bray / 1999

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blue bird
ainda nĂŁo me foi ensinado como lidar com partidas. ainda ontem eu estava olhando para o mar e pensando que a vida Ă© muito curta para que as pessoas esqueçam do que hĂĄ de mais bonito naquilo que Ă© incompreensĂvel. nĂŁo hĂĄ o que dizer e o que sentir frente a este sentimento tĂŁo desesperadamente Ăngreme que, por vezes, nomeio de solidĂŁo.
minha analista sempre me pergunta o porquĂȘ de eu me sentir tĂŁo sozinho na maioria das vezes e eu simplesmente nĂŁo encontro palavras para descrever. sĂł me resta o silĂȘncio gritante. entĂŁo ela me pergunta âe entĂŁo?â e eu digo que nĂŁo sei. hĂĄ perguntas que respostas nĂŁo sĂŁo suficientes para serem sanadas. e, por isso, me desespero. a nĂŁo compreensĂŁo me sufoca.
Ă© difĂcil olhar para a nuca de quem te abandonou e nĂŁo sentir nada menos do que repulsa. Ă© aterrorizante aguardar uma resposta que, jĂĄ se sabe, nĂŁo vai chegar nunca. Ă© absolutamente desesperador olhar nos olhos do seu melhor amigo, que tentou se matar na noite anterior, e pensar que, por melhor que vocĂȘ seja, nĂŁo hĂĄ nada que faça sentido para ele permanecer aqui. Ă© um peso grande demais para ser carregado por um garoto de vinte e poucos anos de idade.
hĂĄ um preço muito grande a se pagar. Ă© difĂcil nĂŁo se sentir sozinho quando todo mundo parece ir embora sem que vocĂȘ perceba. por vezes, penso, Ă© um curso natural da vida, mas, por outro lado, hĂĄ um buraco que nĂŁo cessa de se aprofundar.
a solidĂŁo Ă© um estado desgraçado de espĂrito.
filipe
MĂŁe,
Isso Ă© repleto de eu e vocĂȘ, alĂ©m das palavras, os gestos. AlĂ©m de qualquer explicação, detalhes e entrelinhas. As palavras nĂŁo me cabem hĂĄ um par de semanas, mas hĂĄ quem mereça ler diariamente milhares de palavras belas, ainda que sem tradução. Me transporto para um mundo Ă parte, em que ouço seus pĂ©s de salto alto, andando de um lado para o outro antes das oito da matina, o bater de portas e a familiaridade de sons que me levam de volta Ă infĂąncia. Sinto falta de encontrar seus detalhes pela casa, a toalha ainda molhada no banheiro, as roupas que pensou em vestir e desistiu, a cama arrumada que nunca rejeitou minha preguiça. Eu entendo sua bagunça, mĂŁe, assim como vocĂȘ compreende todas as palavras que nunca digo.Â
Todos os meus dias sĂŁo seus. E todos os meus sonhos, anseios, medos e Ămpetos de fugir para longe. Sou parte sua, e vocĂȘ Ă© meu pedaço mais bonito. Eu sei que vocĂȘ chora de saudade das distĂąncias que a vida impĂ”e, e eu choro de alĂvio por saber que vocĂȘ, aonde quer que esteja, Ă© amada alĂ©m da estrada que separa os Estados. Ă impossĂvel saber das incontĂĄveis vezes que vocĂȘ chorou medos frĂvolos, mas sabes muito bem que Ă s vezes acordo sem saber o que fazer da vida. VocĂȘ me conhece sem ouvir sequer uma palavra.
MĂŁe, choro quase todos os dias, mas juro nĂŁo me importar se as lĂĄgrimas forem por saudade de vocĂȘ. Choro porque o amor transborda sem rumo e nossos olhos sĂŁo cachoeiras.Ă vocĂȘ quem merece todo o amor que houver nessa vida, nĂŁo por ser minha, mas por ser. Eu, que sempre disse que o mais importante Ă© ser, aprendi com seus passos que ser vai muito alĂ©m de se autointitular, e eu sei que quem lhe ensinou foi minha segunda mĂŁe e sua primeira, que hoje tambĂ©m nos faz chorar de saudade porque a vida Ă© feita de partidas e a dela foi a que mais doeu. Mas somos, mĂŁe. Apenas e convictamente, somos. O mundo Ă© feio, as pessoas sĂŁo cruĂ©is, mas me foi ensinado que existe sim beleza no caos, os sorrisos que damos para destruir barreiras. As coisas belas se escondem num gesto de carinho, e vocĂȘ me deu todos eles. MĂŁe, vocĂȘ nĂŁo Ă© perfeita, mas a perfeição lhe cabe como uma roupa que se molda alĂ©m dos defeitos. NĂŁo existem distĂąncias, mas passagens, e as minhas preferidas sempre serĂŁo aquelas em que vocĂȘ estĂĄ no destino final.
A vida Ă© uma eterna mĂșsica. Ă uma honra dividir os passos de dança com teus pĂ©s.
G.
Virginia Woolf in Venice

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Nina Simone by Dezo Hoffman, London 1950
Two electricians working on the Eiffel Tower, 1937.
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