Há pessoas que passam a vida inteira com alguém a segurar-lhes a mão. Eu não tive esse privilégio.
Não tive pai. Perdi a minha mãe demasiado cedo. Cresci sem aquele porto seguro a que tantas pessoas recorrem quando a vida aperta. Nunca tive um verdadeiro apoio masculino que me dissesse "não te preocupes, eu estou aqui". Quando as dificuldades apareceram, não havia ninguém para carregar o peso comigo.
Fui eu. Sempre fui eu.
Fui eu a levantar-me quando caí. Fui eu a tomar decisões sozinha. Fui eu a enfrentar os medos, as contas, as perdas, as injustiças e as responsabilidades. Enquanto muitos tinham uma rede para os amparar, eu aprendi a sobreviver sem ela.
Mas às vezes pergunto: onde está a minha pessoa? Aquela pessoa que fica quando todos os outros vão embora. Aquela pessoa que pergunta como estou e realmente quer ouvir a resposta. Aquela pessoa que me ajuda a puxar a carroça, nem que seja por um bocadinho.
Porque ser forte o tempo todo cansa. E há dias em que a maior coragem não é continuar a carregar tudo sozinha, mas admitir que também gostava de ter alguém em quem me pudesse apoiar.
Não procuro quem faça o caminho por mim. Só gostava de saber como é caminhar ao lado de alguém.











