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(Amita Suman) Há algo profundamente perigoso em certas histórias… especialmente naquelas protagonizadas por AKASHA NAWABDZA. Aos 26 anos, ela carrega o legado de JA’FAR (ALADDIN) e KAA (MOGLI) em cada aspecto de sua narrativa. Ligada a Casa CICUTA, tornou-se conhecida entre outros alunos por sua reputação de POSSESSIVA e MIMADA — qualidades extremamente valorizadas em Mythborne — ainda que existam rumores persistentes sobre uma natureza LEAL e BRILHANTE escondida sob toda essa deturpada perfeição.
⸻ * HISTÓRIA:
Peculiar, talvez essa seja realmente a melhor palavra para descrever um Nawabdza, pois dizem as más línguas de Agrabah, que nenhum deles funciona muito bem, são ariscos, traiçoeiros e rasteiros. Claro que não passam de boatos, mas ainda assim Akasha nasceria para provar que algumas maçãs não precisam obrigatoriamente cair perto de suas árvores, ou nem muito distante delas.
Nascida na noite mais quente daquele outono — a última noite de outono —, Akasha anunciava não só a sua chegada como a de um dos invernos mais frios que o reino passaria. Nenhuma lágrima foi derramada de seu rosto ao chegar a este mundo, nem mesmo quando levou umas palmadinhas para que o fizesse. Ela apenas respirou profundamente, mostrando que os pulmões funcionavam bem, garantindo que estava viva e nada além. Ela foi uma das crianças mais calmas que você pode imaginar, não fazia birra, não chorava, não pedia por nada. Gostava apenas de observar. Foi com cinco anos, que notou a diferença do tratamento entre ela e o irmão mais velho, ele recebendo sempre um pai rigoroso, que via no primogênito a sua imagem e semelhança, algo a ser moldado. Enquanto Akasha recebia uma versão mais calorosa e amorosa de Ja’far. Ela não tinha nada a oferecer para ele, nem mesmo seu nome iria carregar ao casar e, ainda assim, era melhor tratada do que o mais velho.
Para muitos isso poderia ser tido como algo natural, o mais velho era o sucessor e deveria ser moldado para assumir o lugar de Ja’far, enquanto Akasha não precisaria se preocupar com nada disso, poderia viver em sua liberdade, fazer o que quisesse. Para ela, esse seria apenas o primeiro dos milhões de motivos para que crescesse em revolta. Ela perguntou, argumentou, tentou. Mas nada surtia efeito, tola criança, não podia mudar a forma como Ja’Far havia definido o crescimento dos dois. De início um abismo se fez entre os irmãos. Por um longo tempo, ela tentou lutar contra isso, até que se deu por vencida e aceitou o fato: ela poderia fazer tudo que quisesse e nada mudaria em sua relação com o pai. Um erro juvenil, tanto dela, quanto do genitor. Ambos pareciam ser novos nisso, Ja’Far falhou em lhe dar tudo que pedia e Akasha falhou em pensar que ele jamais lhe negaria nada, mas ele negaria.
Isso ficou claro ao chegar à puberdade, quando Akasha começou a envolver-se com pessoas que não correspondiam nenhum pouco ao seu nível social. Ela tinha amigos em todos os campos, filhos de outros membros do conselho, filhos de vilões, filhos de mocinhos, até mesmo dentre os servos do palácio. De início, Ja’Far tentou não se envolver, tentou apenas apontar a direção certa com o mesmo cuidado e cautela que sempre teve para com a filha. Até o ponto que se tornou impossível virar a cabeça na outra direção. Os burburinhos começaram a ganhar força e se espalhar mais rápido do que ele conseguiria impedir: a filha do grande Ja’Far gostava de andar com plebeus e não demoraria para que se voltasse contra ele. Ja’Far não podia permitir, por mais que jamais tivesse considerado podar a vida de Akasha, ele precisava fazê-lo agora. Afastou-a de tudo e todos, mantendo próximos apenas aqueles de mesmo nível social. Começou a oferecer a filha para casamentos arranjados entre outros reinos, a fim de fortalecer vínculos e criar alianças diplomáticas. A dinâmica de pai e filha mudou drasticamente. De repente, começaram as aulas de etiqueta, as cobranças, as exigências, tudo que Akasha havia desconhecido por boa parte da vida.
Ja’Far começava a tentar colocar suas mãos na vida da filha, como fez com seu irmão por muitos anos. Mas Akasha nunca foi tão fácil assim. Ela sempre foi rebelde, mesmo que infundada, pois possuia o controle da própria vida desde pequena e, por isso, era tão difícil cedê-lo para outra pessoal, principalmente aquele que um dia foi seu porto seguro e lugar de afeto. Akasha começou a tentar queimar a própria imagem nos jantares diplomáticos, encenando surtos psicóticos que não existiam, aparecendo desarrumada, causando algum tipo de confusão, mandando a dama de companhia em seu lugar… ela nunca tinha ousado sujar o nome da família antes, mas ousava agora. Qualquer coisa valia para que Ja’Far voltasse a enxergá-la como sempre fez e não como mais uma extensão de si mesmo. Tudo que ela queria era o pai amoroso de volta, mas, na medida em que adentrou everafter, isso ficou cada vez mais distante de acontecer.
⸻ * DESCENDÊNCIA:
Quando a história já é vastamente conhecida, o que sobra para ser contado?
O Ja’Far que todos conhecem é completamente daqueles que Akasha chama de pai. Ao público e súditos, Ja’Far é um governante rígido e exemplar que leva Agrabah em rédeas curtas. Temido sim, respeitado também. E ele sempre preferiu desta forma, ou era assim antes que Akasha nascesse. A segunda em sua linha de sucessores, a garota de seus olhos. Aqui passamos a conhecer um Ja’Far completamente diferente daquele que achamos conhecer. Ele é afetuoso, preocupado, sensível e… estranhamente, amoroso. Não há muito além a ser dito sobre o governante, apenas que: ele faria quase tudo para manter o sorriso de Akasha, quase tudo, dentro daquilo que ele julga ser correto.
⸻ * HM - NAJA: Akasha consegue assumir características de uma serpente conforme precisa: olhos, presas, escamas, língua bifurcada, flexibilidade sobrenatural, sentidos ampliados… no início tudo parecia uma bênção, a visão era térmica e lhe possibilita enxergar calor, localizar pessoas no escuro ou perceber emoções através de simples alterações corporais. Seu olfato fica mais aguçado, ela sentia vibrações simples no solo, possuía uma flexibilidade invejável, assim como, conseguia curar ferimentos do próprio corpo com a simples troca de pete. Quanto mais usava, mais perfeita se tornava em sua forma serpentina. No entanto, com o passar dos anos, Akasha começou a perceber que as transformações não passavam tão rápido quanto no início. O que antes era tido como minutos de olhos de cobra ou uma língua bifurcada, começou a transformar-se em horas, por vezes, até um dia inteiro. Suas emoções não estavam mais tão claras, às vezes chegava a se perguntar se era mesmo humana, noutras, tinha se comportava com uma frieza inabalável. As transformações passaram a cobrar um preço que a mais nova não conseguiu perceber de imediato, mas que facilmente seria sua ruína no futuro. Em sua percepção, chegará um dia em que Akasha não conseguirá mais tornar a sua forma completamente humana e esse é um receio que aos poucos tem sumido de seu radar, cada vez mais distante, cada vez mais irrelevante — apontando sinais do quão comprometida está sua sensibilidade.
⸻ * OCUPAÇÃO: Jornalista — possui um pequeno jornal que diz ser independente, mas todos sabemos de onde vem o financiamento (daddy). A maioria das matérias são tendenciosas e vendem aquilo que Ja’Far considera adequado para vender, sendo apenas uma ou outra — escritas por Akasha — que contém um teor mais crítico e realmente investigativo. Obviamente Akasha assina com um pseudônimo e publicamente é apenas proprietária, editora e administradora do pequeno negócio.
















