cheguei ao ponto na vida que comecei a ter inveja de criança porque a única coisa que elas precisam fazer é existir

Janaina Medeiros
ojovivo

❣ Chile in a Photography ❣
noise dept.
Three Goblin Art
YOU ARE THE REASON

Product Placement
TVSTRANGERTHINGS
occasionally subtle
Mike Driver

Xuebing Du
almost home
Cosimo Galluzzi
trying on a metaphor
Today's Document

pixel skylines
cherry valley forever
d e v o n

Andulka

seen from United States
seen from United States

seen from Italy
seen from United States

seen from Malaysia
seen from United States
seen from United States
seen from United States
seen from United States
seen from United States
seen from United States
seen from United States

seen from United States

seen from United States
seen from United States
seen from South Africa

seen from Malaysia

seen from Ireland
seen from Singapore

seen from Switzerland
@7777l7l
cheguei ao ponto na vida que comecei a ter inveja de criança porque a única coisa que elas precisam fazer é existir

Anya is live and ready to show you everything. Watch her strip, dance, and perform exclusive shows just for you. Interact in real-time and make your fantasies come true.
Free to watch • No registration required • HD streaming
Em 1915, Franz Kafka publicou o livro "A Metamorfose", um livro que conta a histĂłria onde Gregor Sansa, o personagem central da histĂłria, acorda um dia no corpo de um inseto. Kafka nunca definiu que espĂ©cie de inseto, ele sĂł descrevia as caracterĂsticas do corpo animalesco. Kafka sempre criticou a sociedade e sua relação com o campo empregatĂcio da coisa. E esse livro Ă© basicamente sobre isso porque Gregor, Ă© a pessoa que provĂ©m para sua famĂlia e, quando ele se encontra no corpo de um inseto, e nĂŁo pode ir trabalhar por conta dessa situação, a maior polĂŞmica e indagação levantada pelo famĂlia Ă©: "Quem vai prover agora?" a preocupação no momento nĂŁo seria Gregor e sua situação adversa que desafia o universo nĂŁo fantasioso, nĂŁo se Ă© levantado como que o personagem ficou daquela forma ou como vĂŁo reverter a situação. A Ăşnica preocupação Ă©: "De onde o dinheiro virá?"
E é sobre isso o livro, a desumanização, a alta importância para o papel do personagem enquanto ele é útil para trazer o dinheiro, e como sem essa validação, ele é literalmente rebaixado a sua situação: um inseto.
E ultimamente eu venho pensando muito sobre isso, sobre como eu me sinto a respeito do meu trabalho e a validação excessiva que sinto precisar. Há 1 ano estou num trabalho onde ganho bem, tenho o privilĂ©gio de poder trabalhar numa sala sozinha a maior parte do dia - o que Ă© bom porque particularmente, me concentro e sei que faço um trabalho melhor quando nĂŁo tenho outra pessoa para conversar - e tenho a sorte de me dar bem com meus colegas de trabalhos e meus chefes. É um ambiente calmo, onde me sinto confortável, mas que em dias especĂficos, consegue me desestabilizar. Antes desse trabalho nĂŁo achei que alguĂ©m gostaria o suficiente no meu serviço para me pagarem o que pagam - mesmo minha mĂŁe diariamente me dizendo que eu tenho capacidade e um bom diploma para esse ser sĂł o começo - e agora que tenho esse trabalho, esse fantasma hora ou outra aparece arranhando uma parece espessa que eu criei para me privar desse auto-sabotamento inevitavel, mas que mesmo estando isolado nessa redoma, eu consigo ouvir esse sussurrar "vocĂŞ nunca vai conseguir algo melhor, esse Ă© o ponto alto da sua vida, vocĂŞ sĂł esta onde esta por ter pessoas que gostam de vocĂŞ ali, tudo isso Ă© pura sorte".
Mesmo sabendo que consigo ser muito boa no que faço, ainda assim sou assombrada por essa sensação terrĂvel. Vai existir um depois melhor do que esse? Esse Ă© o meu ápice? e tambĂ©m, quem eu sou sem esse trabalho? Se um dia isso acabar e meu medo nĂŁo for sĂł a minha ansiedade e sim um pressagio, vou voltar a ser um inseto?
Com carinho,
B.
Eu escrevo desde que me entendo por gente. Desabafos, cartas para o futuro, cartas para os outros, confissões, histórias nunca acabadas, ideias de histórias que nunca nem começaram. Uma memória boa que tenho é de uma versão minha bem pitica que estava sentada sobre um banco no lado de fora da casa em que morávamos quando eu não tinha nem seis anos e, eu estava usando nossa secadora como mesa enquanto tinha lápis e folhas espalhadas por toda ela e, minha mãe estava por perto e, enquanto eu riscava linhas aleatórias entre as linhas da folha pautada, eu falava "mãe, finge que eu sei escreve". E ficava horas e horas fazendo aquilo. Eu daria muito coisa para ter aquelas folhas guardadas porque ela foram o meu primeiro impulso em direção a escrita.
Aos 22 anos, perdida, um pouco depre com as decepções da vida e completamente desesperada para ser algo alĂ©m daquilo, eu escolhi fazer o curso de letras numa faculdade particular da cidade onde morava. Porque eu amava ler, gostava de escrever e na minha cabeça ingĂŞnua que acreditava que tudo era possĂvel, eu pensei "claramente eu vou conseguir trabalhar numa editora, eu nasci para isso". E assim eu fiz. Terminei a faculdade com 25 anos, tirei Ăłtimas notas em todas as matĂ©rias e no meu tcc onde pesquisei sobre as escolhas tradutĂłrias de Fernando Pessoa sobre o poema "Annabel Lee" de Edgar Allan Poe sob a luz do conceito de isomorfismo de Haroldo de Campos, tive que fazer o que eu e meu orientador - um antropĂłlogo poliglota gente boa que cozinha bem - chamamos de "enxugar" muita coisa. O curso que eu fiz era bacharel e como tinha sĂł trĂŞs anos de duração, o tcc precisa ter no máximo 30 páginas já contando com toda a ABNT nele inclusa - capa, sumário, resumo, abstract, referĂŞncias e blábláblá - e foi decepcionante porque, mesmo sendo alguĂ©m insegura que se autossabota, eu acredito no meu potencial quando estou dedicada a fazer algo que realmente gosto, e aquela pesquisa tinha muito mais de 30 páginas e eu ainda estava apenas introduzindo a literatura gĂłtica, cara, eu falei sobre Emilly Bronte, Mary Shelley, Horace Walpole e muitos outros, e eu ainda tinha tanto para falar. Mas infelizmente nĂŁo Ă© o aluno quem dita as regras. EntĂŁo eu apaguei tudo o que julgariam "desnecessário" e entreguei minha pesquisa. Lembro que na semana da apresentação eu tinha várias crises de choros, me topei de remĂ©dios para ansiedade porque eu ainda precisava trabalhar das 9h atĂ© as 19h antes de ir apresentar meu trabalho. Eu estava insegura, mesmo tendo ido treinar a apresentação com meu orientador dois dias antes na sala de aula dele, quando eu, suando de nervoso, descalcei meus sapatos e repeti mais de 5x vezes cada slide e cada pequeno trecho. Eu estava insegura mesmo meu orientador me assegurando que estava Ăłtimo e que a banca havia gostado do tema. Estava insegura mesmo tendo certeza que minha análise estava boa. Porque Ă© assim que as coisas funcionam no meu cĂ©rebro. Eu preciso ter plena certeza e aceitação externa para acreditar que o eu faço Ă© realmente bom.
Eu comecei a escrever isso com o intuito de chegar a pauta "eu envelheci, tenho 25 anos agora e nĂŁo consigo mais escrever como antes" mas acabei falando do meu tcc.
Talvez outro dia essa pauta volte novamente.
Com amor,
B.
Li em "little life" uma frase que Willem fala sobre ser sempre o convidado, e nunca o anfitrião. O contexto é basicamente ele falando que sempre acaba sendo um convidado entre as pessoas de uma classe mais rica do que a sua, e sobre ele nunca ser o anfitrião. Willem é um recém formado em artes cênicas, tentando incansavelmente se tornar um ator principal em algo, mas que trabalha como garçom em um restaurante e divide apê com o amigo recém formado advogado, que também tem uma vida financeira tão precária quanto a dele. "Sou sempre o convidado, nunca o anfitrião" Isso alugou um apartamento mobiliado na minha cabeça, porque quando se tem 25 anos e você está lutando diariamente para conseguir seu lugar no mundo ao mesmo tempo que tenta ganhar um bom dinheiro pra tenta viver e ter suas coisas, e você olha ao redor e vê pessoas que não precisam se esforçar da mesma forma que você e possuem tudo o que você mais sonha, você começa a pensar muito se tudo vale a pena.
pensar demais

Anya is live and ready to show you everything. Watch her strip, dance, and perform exclusive shows just for you. Interact in real-time and make your fantasies come true.
Free to watch • No registration required • HD streaming
— Arundhati Roy, The God of Small Things: A Novel
[text: If you're happy in a dream, does that count?]
Wale Ayinla, from “Portrait of a Boy with Grief”
The Diary of Anaïs Nin, 1944–1947
carta aberta para eu mesma.
passei minha vida inteira com a minha boa e velha companhia. criei hábitos e gostos que faziam com que a minha Ăşnica presença me fizesse bem e sempre que eu pensava no futuro, nĂŁo fantasiava nada a dois, era sempre eu comigo mesma. os sonhos em sair do paĂs, viajar para campos dos jordao, comprar meu apartamento e todas essas pequena coisas que sonhamos quando começamos a levar a vida a sĂ©rio. e sempre era sĂł eu. depois que eu o conheci e me permitir experienciar a vida com alguĂ©m, me tirei da minha zona de conforto e por muito tempo o senti como um invasor, porque eu e minha mente solitária estamos acostumada sĂł com o som da nossa voz e ter alguĂ©m ali, mesmo sendo a voz calma dele, era tudo muito estranho. mesmo nĂŁo tendo motivos alguns, sempre pensei em afasta-lo porque nĂŁo era o que eu queria, eu nĂŁo queria gostar de alguĂ©m e construir uma vida a dois, eu queria ser sĂł eu. mas a companhia dele mostrou-se ser boa tambĂ©m, e que estar sozinha com ele tambĂ©m era bom. e eu ainda estou aprendendo lidar porque como uma boa solitária, eu preciso regularmente de um tempo comigo mesma, de muito tempo na verdade, porque mesmo ele sendo intensamente bom para mim, deixar ele fazer parte da minha vida, Ă© um desafio diário a mim e meus costumes de uma vida toda. mas mesmo adorando o silĂŞncio e o conforto do meu quarto, o barulho dele tambĂ©m Ă© bom.
— Van Gogh, The Letters of Vincent van Gogh

Anya is live and ready to show you everything. Watch her strip, dance, and perform exclusive shows just for you. Interact in real-time and make your fantasies come true.
Free to watch • No registration required • HD streaming
Em um sonho, vi meu pai. O cenário nĂŁo era como ele costumava contar nos almoços de famĂlia ou quando em uma rodinha, todos comentavam sobre a infância. Nesse sonho ele nĂŁo estava acompanhando sua mĂŁe nas grandes casas onde ela fazia faxina pelas ruas de SĂŁo Paulo. Nesse sonho ele nĂŁo estava chorando e amedrontado porque seu pai bĂŞbado gritava e batia em sua mĂŁe. Nesse sonho ele nĂŁo era a criança que teve que crescer rápido demais e tomar conta da mĂŁe porque o pai moribundo morreu em uma briga de bar. Nesse sonho ele nĂŁo era um adulto machucado que teve que esconder todos seus traumas porque ele era um homem e homens nĂŁo choravam. Nesse sonho ele nĂŁo parecia tĂŁo exausto de tanto trabalho. Nesse sonho, ele parece mais jovem e feliz. Nesse sonho ele nĂŁo tinha filhos e tinha um relacionamento saudável com uma mulher que parecia amar. Nesse sonho, foi a primeira vez que o vi genuinamente feliz. Sinto muito por tudo que o senhor passou.
—Haruki Murakami, 1Q84
[That’s what the world is, after all: an endless battle of contrasting memories.]
Carta aberta para o amor da minha vida.
VocĂŞ sempre será como uma cicatriz, e de forma nenhuma eu algum dia vou te romantizar. Entenda que tudo que eu escrever aqui será da forma mais unilateral possĂvel, mesmo que entre uma virgula ou outra meu eufemismo de as caras. Olhando para cima já estando aqui em baixo, eu vejo que tentar foi o primeiro dos nossos erros, do meu pelo menos. E nĂŁo se preocupa, eu nunca vou colocar a culpa disso em vocĂŞ, porque se eu fizesse, tornaria vocĂŞ o responsável por tudo, e contrapartida, eu sĂł seria irresponsável comigo mesma, porque quem que põe seu bem mais precioso sobre o cuidado dos outros? EntĂŁo nĂŁo, tudo o aconteceu foi porque eu em algum momento, mesmo sabendo das circunstância, queria ver atĂ© onde isso daria. Porque vocĂŞ era tentador. Era como aquela curiosidade crescente sempre que lemos um bom livro e nĂŁo conseguimos ler sĂł um capĂtulo. Falar com vocĂŞ me passava a mesma sensação de estar tomando um cafĂ© recĂ©m passado em uma manhĂŁ fria. NĂŁo vou mentir, meu coração batia mais forte quando falava com vocĂŞ. Mas como o amor da minha vida, vocĂŞ nunca seria o amor que eu precisava. EfĂŞmero, inconstante, incerto. VocĂŞ nunca foi uma certeza, e mesmo sendo instigante, aprendemos com o passar dos anos que esse tipo de amor Ă© fofinho e atĂ© aceitável apenas quando somos novos e inexperientes, porque a vida exige tanto de nĂłs, mas tanto, que ao final do dia, o que precisamos Ă© de alguĂ©m que nos ofereça conforto emocional, leveza. VocĂŞ nunca seria esse alguĂ©m. Querido amor da minha vida, te conhecer foi Ăşnico. Mas honestamente, obrigado por ficar no meu passado.Â
— Vladimir Nabokov, Letters to Véra

Anya is live and ready to show you everything. Watch her strip, dance, and perform exclusive shows just for you. Interact in real-time and make your fantasies come true.
Free to watch • No registration required • HD streaming
⠀⠀ â €Acho que Ă© uma experiĂŞncia compartilhada quando se trata de professores que mudaram nossa vida com alguma frase de efeito clichĂŞ que na Ă©poca achamos o máximo, ou com histĂłria e didáticas interessantes o suficientes para nos fazer focar em outra coisa a nĂŁo ser conversar com a pessoa ao nosso lado. No meu caso, esse professor se chamava Carlo Eduardo, ou Cadu, como todos o chamavam, e ele nos cativava com literatura. Entendeu? Cativar, muito alĂ©m do ato de escrever alguns conceitos numa lousa e nos mandar copiar. Muito alĂ©m do que nos mandar ler alguns livros e perguntar se estava em segunda ou terceira pessoa, ou quem era o personagem principal. Ele nos mostrou como seu cĂ©rebro interpretava as coisas, como seus olhos enxergava alĂ©m da superfĂcie e como ele conseguia ver as entrelinhas escondidas. Cadu nos ensinava nas noites entre as 19h e 22h como entender as coisas da forma que elas querem ser entendidas. Em uma dessas noites, Cadu nos falou que, quando entendemos o contexto de onde aquilo surgiu, sua interpretação se expande, isso ele nos ensinou enquanto estávamos fazendo um estudo de caso do livro “MemĂłrias PĂłstumas de Brás Cubas” do Machado de Assis, e ficou mais fácil de entender porque Brás Cubas era Brás Cubas e porque Machado de Assis o fez assim. O contexto histĂłrico.
⠀⠀ ⠀Provável que ele sua didática era voltada unicamente para a literatura, mas isso se instalou em alguma parte do meu consciente e me fez ser mais paciente. Compreensiva. Com tudo, inclusive comigo mesmo.