002 — love will tell us where to go.
Querido diário,
Mais uma vez eu desse lado e você do outro. Ainda não estou acostumado em te chamar de querido, mas, se a gente quiser fazer isso dar certo, talvez eu me acostume com o tempo e você realmente vire querido. Na última vez, você era um estranho para mim, mas agora as coisas meio que estão se ajeitando aos pouquinhos e eu não me sinto tão estranho desabrochando meus sentimentos nessas páginas de caderno. Eu suponho que seja normal, né? Enfim, eu realmente estou ansioso para falar um pouco sobre o meu problema de hoje.
Não, na verdade, os vários problemas que eu acabei arranjando ao longo do tempo. A forma que me sinto agora não é ocasionada por algo que aconteceu ontem ou na semana passada, mas ocasionada pela minha própria repreensão de anos. Você deve estar ansioso para saber a verdade, eh? A verdade é que eu tenho me escondido em uma casca e fingido ser quem eu não sou de verdade para agradar os outros e não desapontá-los. Fiz isso com meus amigos mais próximos. Com o Haru, com Ulli, com meus pais e com meus avós… Eu só não fiz isso com o Chaemin, e consequentemente, a Chaerin veio junto. Não que essas outras pessoas importantes da minha vida não mereçam saber sobre quem sou eu. Muito pelo contrário! Essas pessoas são as que mais merecem saber, mas quando penso na possibilidade, fico nervoso. Será que algum dia eu conseguirei ser eu mesmo? O amor meio que me faz fazer coisas que eu não faria em um estado de mente mais estável. Eu constantemente sinto vontade de chorar quando lembro que ele me ama… E que talvez tudo fique bem porque estamos juntos.
Eu realmente o amo. Ele me faz feliz, ele me faz bem. Foi tão inesperada a forma em que a gente se aproximou, mas não é como se eu pudesse reclamar, me apaixonar de uma forma tão repentina tem me amolecido e me feito querer ser uma pessoa melhor pra ele. Um alicerce. Alguém com quem ele pode contar quando estiver se sentindo mal, os braços quais ele sempre pode correr pra abraçar, não importa a ocasião. Os lábios que ele pode beijar o tempo inteiro, as mãos que ele pode tocar quando quiser… Estou sentindo uma pontada no peito só de escrever isso… E, honestamente falando, diário, não tenho palavras pra descrever como Song Junho anda me fazendo bem e como eu quero ficar perto dele o tempo inteiro. Não brinquei quando disse que queria ser o manager dele. Ele me faz querer ser melhor. Eu quero ser menos desastrado perto dele, mais maduro, mais forte… Quero ser o namorado dele. E vou te contar, diário, isso de quase-namorados anda batucando muito na minha cabeça. É óbvio que não estou satisfeito. Eu sempre sinto que eu quero ter um pouquinho mais dele toda vez que a gente se vê, eu realmente gosto dele, eu amo ele.
Posso ficar falando mais um pouquinho do Junho-ya, diário? Estou supondo que sim. Mas parando pra pensar, você meio que não tem muita decisão, diário. Eu sinto muito por isso… Mas pensa bem, pelo menos você tem um propósito de vida, muita gente não tem. Enfim, voltando ao assunto: eu ainda fico muito chocado como a gente chegou a esse ponto. Eu realmente não acredito até agora que eu consegui a façanha de conquistar e alumbrar alguém como o Chaemin. Vamos ser honestos, diário. Eu não sou grandes coisas. Acho que a única coisa muito grande em mim é o fato de que eu sou um ser muito estranho. Mas que bom que minha estranhice de alguma forma foi suficiente para cativar ele. Eu só ando pensando nele também. Em todas as ocasiões. Desde o momento em que eu acordo e me pergunto se ele acordou bem, se as cachorras deixaram ele dormir confortável, quando o Burst está ensaiando as músicas todos os dias, quando estou comendo e até mesmo quando eu estou com ele. Eu nunca fui uma pessoa muito triste, diário, a maior parte da minha vida foi composta de momentos nos quais eu estive bem feliz, mas aquele final de semana em que a gente viajou deve ter sido um dos finais de semana no qual eu mais fui feliz, apesar dele ter passado mal. (Essa é uma das coisas pelas quais eu ainda me culpo constantemente, apesar de ter conversado com outras pessoas sobre isso e elas me falarem pra não me culpar tanto.)
Eu realmente amo ele. Eu já me peguei chorando algumas vezes porque esse sentimento dói, mas é bom. Eu tenho muito medo de perdê-lo.
É por isso que ando pensando em me assumir pros meus pais. Ele foi tão atencioso me levando pra conhecer a família dele, que eu devia fazer o mesmo. Mas eu não gostaria que as duas pessoas que mais me conhecem bem no mundo não soubessem desse meu lado e só o vissem como um amigo do Wooseok. Eu nunca apresentei um namorado ou namorada pra eles, e, honestamente, não consigo imaginar qual seria a reação dos meus pais diante de tais palavras. Eu espero que sejam positivas, porque honestamente, eu tenho medo pra caralho disso. O medo de estragar tudo e afastar todo mundo que algum dia se importou. Medo de afastá-los por preconceito… Se o mundo fosse um lugar bom, essa palavra não existiria, diário. Mas eu nasci no planeta Terra. Infelizmente.
Talvez eu devesse contar agora? Por telefone mesmo? E depois falar pro Chaemin tudo? Ou esperar e falar isso de frente para eles?
Eu tenho medo de mudanças. Tenho medo de conflitos. Tenho medo de perder tudo e que as coisas não sejam como elas costumavam ser. O medo de crescer me assola constantemente, é por isso que eu digo pra Chaerin-ah não crescer. Ser adulto não é fácil e eu constantemente me pego chorando em algum canto ou fumando muitos cigarros de uma vez só por não saber o que fazer. São esses momentos de introspecção que me assustam muito. Ver esse lado meu que eu ando guardando e descontando em outras coisas. Não quero ser assim pro Chaemin. Quero ser uma pessoa feliz.
E basicamente é isso, diário. Eu estou apaixonado e estou com medo.
But love will tell us where to go.
Eu acho? Meu inglês anda melhorando um pouco, né?













