foi muito lindo te ver saindo da minha vida, desconstruindo toda a imagem romântica que eu havia criado em minha cabeça durante todos estes meses. foi muito lindo perceber que finalmente a máscara tinha caído e o baile estava acabando e consequentemente as crises de ansiedade as inseguranças a vontade de fugir de mim mesmo. foi muito lindo perceber que ao ir embora nenhuma grande dor ousou se sentar comigo e me pedir por respostas. que a minha força foi o meu segundo travesseiro e que por semanas eu dormi um sono profundo, leve, de quem havia sido leal e honesto; íntegro e exemplar. eu fui exemplar pra você. foi lindo perceber que todas as paranóias, na verdade, eram sussurros das minhas versões antigas avisando-me que você não era a pessoa pela qual havia me apaixonado. que não era pra mim. e que o personagem, afinal, não duraria por muito tempo: uma hora ou outra a vida, o destino e o mundo dariam conta de revelar o verdadeiro você. e todos veriam quem machucou e quem foi machucado, quem brincou de amar e quem amou como se fosse o movimento mais importante para continuar vivendo. foi lindo perceber que depois de você tristeza alguma quis se achegar. que solidão, uma palavra tão presente no nosso relacionamento, finalmente também estava indo embora, amarrada ao teu corpo. descobri, depois, que solidão foi o tipo de abraço que você me deu; o tipo de sentimento que compartilhou comigo no lugar de presença. foi lindo perceber que eu não era o problema, enfim. e que minha sensibilidade tampouco precisava ter se espremido tanto para tentar caber. que depois de você ela cresceu e se expandiu e hoje vive comigo: grande, forte, cada dia mais bonita e saudável. tem sido muito lindo perceber que a vida não apenas caminhou depois que você partiu. ela continuou dançando e eu fui junto.











