Pense n'uma lembrança doce, na qual sua lÃngua envenenada de momentos a faça se contorcer. Passamos por todas as etapas e lugares. Você não vai ser a mesma, e mesmo assim quis isso. Ainda muito sóbria nas madrugadas, um gelado pensamento recorrente, acaba me flagrando no pesar de suas pálpebras. Museus, shows, a escola, a faculdade, restaurantes, ruas e esquinas, quando conheci seus pais e você os meus. Por todos os lugares que andar, as pegadas vão aparecer, corra, transborde de dores. Não me esqueças, ou me esqueça se me quiseres, eu ligo, mas não vou ligar-te. Um porta-retrato nublado de esperança já desiludida. Se ainda me quiseres, vai vir atrás? Passará pela rua em que nos conhecemos? Baterá na porta que tanto abri para você? E deitar-se na cama em que passamos noites em claro as escondidas nos paquerando? Não, as sombras vão te seguir, a angústia na sua alma. Remarque as rotas de seu coração, apague seus cigarros, jogue as cinzas fora. Mas lembre-se: Se for p'ra me esqueceres, que me esqueças lentamente.










