hell-sanz:
Helena crescera numa natural competição com seus sete irmãos. A maioria acabou por se tornar tão fútil quanto a própria, mas nenhum deles conseguira ser tão implacável e cruel como ela. Sabia exatamente o que falar e como falar para conseguir o que queria, como se tivesse sido treinada para aquilo sua vida inteira, talvez porque inconscientemente fora. Talvez por isso também muitos a consideravam uma boa atriz, tinha um corpo expressivo e sabia exatamente como usá-lo, pois sua vida era uma constante atuação. Tão expressiva que não conseguiu esconder seu tédio quando Zane mais uma vez se mostrou desacreditado e riu diante de sua ideia. Revirou os olhos e suspirou, mordendo a bochecha enquanto o ouvia falar. Ao fim, quando escutou ele indagar sua desconfiança, ela sorriu. Um sorriso tão largo que beirava a estranheza. - Look. Zane darling. - Ela curvou a cabeça num movimento calculado para lhe deixar adorável diante dos olhares, enquanto a mão que segurava o drink passou a descansar por cima do braço de Zane, num gesto de intimidade. - See what I’m doing right now? I’m drawing attention, cause I know how to do it. - Sua fala não condizia com o contexto da imagem que passava aos olhares curiosos. Pois enquanto proferia um discurso metódico, sua face era só sorrisos, como se eles conversassem algo hilário e íntimo. Por fim, ainda curvou o corpo sobre o banco e passou a falar com os lábios colados ao ouvido de Zane. - Do you see that guy behind us with the cell phone held up? Well… He is not taking a selfie - ela gargalhou e se afastou, como se contasse a melhor de suas piadas para ele. - Now… Where is your cell phone? - Estendeu a mão esperando que ele lhe entregasse o aparelho. E quando o fez, ela apenas o colocou junto ao seu, com as telas viradas para cima no balcão entre eles. Seus olhos estavam vidrados em Zane quando alguns minutos depois as incontáveis notificações começaram a chegar, Instagram, Twitter, até mesmo Whatsapp. Rapidamente poucas fotos recém tiradas deles já eram fonte de comentários e especulações, visto que para a mídia Helena ainda estava em um relacionamento. Agora tinha um sorriso extremamente satisfeito nos lábios. - See? Do you still think I’m kidding? Still think I can’t handle it? I know how to do my job, Zane. - O sorriso permanecia junto a postura impecável e a forma como o encarava. Odiava que as pessoas duvidassem de si, mas amava ver suas caras quando conseguia lhes provar. Então ela riu ao ouvir a sugestão seguinte, de forma leve dessa vez, sem tanta atuação. - Okay, think I can ask for a second opinion then. What you need? A contract guaranteeing that I won’t kill you? Or maybe make you fall in love with me? You’re afraid of that happening, aren’t you? - Entortou os lábios num bico de compaixão como se entendesse aquela - suposta - preocupação dele e então riu. Gostava de se divertir as custas da naturalidade de Zane, e tinha que admitir, olhar para ele não era nenhum sacrifício.
Ele não gostava do som de seu nome na voz dela, muito menos quando acompanhado de um querido. Também não gostava do toque em seu braço. Entretanto, já ciente do que Helena estava querendo provar, seu corpo relaxou apenas um pouco e adquiriu um aspecto de leveza que acontecia em momentos confortáveis; aquele, de longe, era um. Escutava com cautela, ignorando o calafrio que sentiu com os lábios dela tão próximos do seu ouvido, ignorando a respiração morna que sua gargalhada tinha deixado bem perto de seu pescoço. Ele não ignorou, no entanto, a risada que devolveu, metade pela ironia da situação de estarem sendo ‘flagrados’, metade pelo nervosismo que não estava esperando vivenciar. Em outros olhos, estava rindo de sua aparente piada. Era essa a graça de atuar, supôs. Transferir a mentira para a realidade, ainda que a verdade estivesse entrelaçada também. Com um bom humor que não chegava aos seus olhos, tirou o celular do bolso e a entregou, um pouco desconfiado com o que ela faria. Mas, percebendo as notificações subindo e crescendo, brilhando na tela de seu celular, Zane apenas virou o rosto para Helena e a encarou em silêncio. Então, depois de alguns segundos, ele riu e balançou a cabeça, cruzando os braços, como se não acreditasse naquela cena que se desenrolava diante de seus olhos. “Obviously you’re not kidding. I’m not sure if that’s a good or a bad thing, though,” murmurou, fazendo uma leve careta. “But now that you mentioned it, yeah, not dying by your hands would be nice.” Afirmou com a cabeça, mas ficou estático por um segundo, incrédulo com a possibilidade que Helena tinha sugerido. Como se aliviado por um choque, Zane gargalhou alto, pondo a mão na barriga para acabar não se descontrolando. “Me? Fall in love with you? God, that’s the biggest joke you’ve ever told. Didn’t know you could be a comedian too.” Fingindo limpar uma lágrima inexistente, ele sorriu. “Don’t take it personally, by the way. Or do, I don’t care. But why don’t you think this through first? Are you truly willing to fake a relationship with me for buzz?” Parecia uma ideia convidativa, uma parte admitia a fundo. Mas os cons aparentavam ser maiores do que os pros, e ele não estava apaixonado pela possibilidade de perder a cabeça antes da série se tornar algo grande de fato.



















