Jornalista apaixonada de marca maior pela cultura trancer, figura de personalidade forte e sorriso fácil, Stéphanie Christie nunca soube precisar cronologicamente muito bem quando a paixão pela arte fotográfica despertou, algo que se confunde facilmente com suas memórias mais primitivas.
É apontada como referência na região norte do país quando se trata de registros em imagem estática e vídeo das festas e festivais de cultura alternativa, não somente da região como mundo afora.
Burn In Noise & Swarup por Stéphanie Christie
Stéphanie carrega sua própria marca fotográfica cobrindo eventos sociais diversos há uma década. Com o tempo, percebeu a necessidade de separar uma coisa da outra, reportando os trabalhos sociais à Stéphanie Christie, deixando o maravilhoso mundo visual explorador e (tantas vezes) instigantemente antropológico do trance psicodélico a cargo da Lilac Pic.
Boom Festival por Lilac Pic
Boom Festival por Lilac Pic
Quando falamos de inspiração, a resposta é direta:
“Cartier Bresson sempre vem em primeiro lugar pelas belas fotografias utilizando com maestria as técnicas muito bem pensadas, apesar dos momentos espontâneos. É a ‘contínua disponibilidade do olhar que se estabelece a cumplicidade entre ele e o mundo’. Dentro da esfera trance eu me alimento muito das fotos do Murilo Ganesh, que inclusive lembro bem quando o conheci no FFT08 e Rodrigo Fávera. Sem sombra de dúvida eles trazem muitaaaaaa inspiração.”
“Profissionalmente eu gosto de estar sempre às escondidas e teve um fato que ocorreu na segunda edição da Quântica em novembro de 2015 que eu levo comigo e perpetuo com muito carinho. Já havia observado um rapaz dançando livremente, alegre e sorridente, mas como ele estava de óculos escuros eu não sabia se ele iria me ver ou se iria se incomodar com a câmera. Observei por mais ou menos 2 DJ Sets e quando me posicionei pra fotografar, eis que em sequência me viu e sorriu largamente, continuando sem interferir na sensação da dança, da entrega. Isso é sincronismo.”
O tempo fecha quando lembramos o que não é tão mágico assim:
“Com relação à minha profissão e à fotografia em si nada me irrita. O que me irrita são as pessoas não compreenderem ou fingirem que não compreendem que você é profissional e aquela profissão é o que te sustenta. Por exemplo, ao cobrir uma festa, eu não estou só “fazendo” as fotos mas tô levando comigo todo meu conhecimento e como também estudo comunicação, acabo agregando esse fator à prestação do serviço, gerando conteúdos nas minhas redes sociais atreladas às pages e aos perfis das festas. O meu trabalho não começa quando inicia a festa e não termina no final dela, mas se inicia muito antes e continua por pelo menos duas semanas depois com as edições e as prévias que instigam o público a falar do evento e passar adiante compartilhando algo substancial sobre aquilo… O não reconhecimento disso me irrita profundamente.”
Com relação à autossatisfação:
Sempre [me cobro]! A cada trabalho nunca saio 100% satisfeita, sempre acho que poderia fazer mais e melhor. Acredito que se me apaixonar pelo trabalho que faço acabo entrando na zona de conformo e estagno, nem pra frente nem para trás… Fico ali naquela ilusão de que está bom assim e o mundo pede transformação, ideias novas para poder se destacar num meio onde muita gente acha que fotografia é fácil, rápida e barata. E não é.
Ritual Kirtan por Lilac Pic
Lilac sabe lidar muito bem com a relação sombra/iluminação direta, o que garante registros de qualidade em um campo muito vasto de possibilidades (e horários). Nem sempre as condições físicas proporcionadas pelos eventos favorecem uma boa fotografia, exigindo muito além dum olhar “de bom gosto” do profissional que só vai conseguir transmitir logicamente aquele instante se contar com acervo intelectual-técnico suficiente; o que ela tem de sobra.
As edições de suas fotos costumam ser mínimas, apontadas para o realce de cores e contraste, sem interferir demais nem saturar a visão; tudo costuma ser milimetricamente dosado e em total consonância com a abordagem realista característica da artista.
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Em Luz, Contraste e Lilás Jornalista apaixonada de marca maior pela cultura trancer, figura de personalidade forte e sorriso fácil, Stéphanie Christie nunca soube precisar cronologicamente muito bem quando a paixão pela arte fotográfica despertou, algo que se confunde facilmente com suas memórias mais primitivas.