when she loved me.
Os espelhos de Hogwarts eram sufocantes. Estava próxima de seu quinto ano e já não aguentava mais as dores por conta de faixas usadas em sua íntimidade, sem nem falar das assaduras. E ainda assim, toda vez que ela olhava ela não se enxergava. Aquela imagem não era ela. As lágrimas começaram a brotar em seus olhos. Ela só queria ser como suas amigas. Os corpos elegantes e macios. A suavidade. Por mais que ela tivesse deixado seu cabelo crescer e usasse inúmeros cremes sempre se sentia como uma impostora ao olhar no espelho.
Já era grata pelo fato do dormitório nunca a ter rejeitado como fazia com o gênero masculino e era isso que ela amava na magia. Não via o gênero que ela era. Magia sentia seu coração e a recebia como nenhum lugar a recebeu. Como nascida trouxa e vendo a diferença de tratamento, ela abraçava o mundo bruxo sem pensar duas vezes. O mundo humano era cruel, e a tratava como uma doença. A magia, a magia era mais que seu segredo havia sido sua salvação.
Os olhos mareados a encararam de volta, e não sabia o que era essa dor que sentia toda vez que se olhava. O que anos mais tarde descreveriam como disforia. Ela somente olhava de volta para seu reflexo querendo ser qualquer outra pessoa. Aquele espelho em específico era, na verdade, um vidro que a refletia pelo corredor. Um reflexo da janela da alta torre. Sentia o vento batendo em seu suor por ter voltado do quadribol. Ela quis entrar no time, mas havia se arrependido dois dias depois. Só não havia desistido, pois gostava de seus colegas e não queria deixa-los na mão.
Sentou nas escadas com os tremores abraçando o próprio joelhos e fazendo o sangue fluir na cabeça e respirando descompensadamente. Não sabia se conseguiria parar, e foi aí que ela apareceu.
Muitas pessoas acham que professores são apenas passageiros na vida de seus alunos. Que não há envolvimento, e que eles só querem fazer as coisas deles. Minerva Mcgonagall não havia sido esse tipo de professora. Desde o começo ela sempre tentou ajudar Taylor. Se entender como mulher, a conquistar seu lugar e não deixar ninguém colocá-la para baixo e naquele dia, Minerva levou Taylor para seu escritório.
Havia sido Minerva que havia a ensinado sobre Transfiguração Corporal e as poções para estabilizar seus hormônios. Ela sempre falou que estudava as pessoas e estava ali para ajudar seus alunos. Nunca ninguém havia cuidado tanto dela. Seus pais sempre a entenderam, mas não havia muito do que eles poderiam fazer, Minerva não, ela sempre ia além.
Minerva havia sido a primeira pessoa a amá-la como mulher, e não necessáriamente um amor carnal ou um amor paterno e materno. Era um amor de alguém que amava seu trabalho, amava ajudar os alunos e queria fazer o melhor por eles. Aquilo, era aquilo, que Taylor queria ser. Ela queria ser aquela pessoa. Queria fazer para pessoas como ela, alunos, o que Minerva havia feito por ela.
E fez.
Quando se formou ela entrou no Departamento de Educação sobre a tutela de Hugo Villela. E ela queria fazer ainda mais. Colocar em Hogwarts tudo que fosse necessário para que nenhum estudante sofresse mais. Ela lutaria por eles assim como seus amigos e professora a ajudou.


















