hojecomibolinho:
flashback
“Você aí doente e querendo ficar sozinho?” Perguntou, em um tom que deixava claro que a ideia dele era absurda. “Eu disse que sentia saudades de dançar e não é como se esse baile fosse o único, sabe? Com certeza teremos outras oportunidades."
Seus instintos estavam gritando duas informações completamente distintas em sua mente. Uma queria vê-lo bem e se preocupava em renovar o gelo na bacia de água ao lado de sua cama e a outra queria tocá-lo, sorrir enquanto o calava com um beijo. Teve que chacoalhar a cabeça para se ater ao que estava fazendo. "Vou lhe tratar como o homem que precisa de cuidados e de umas aulas de como lidar com abelhas.” Agora podia rir, já que ele estava bem e se recuperando sem maiores atribulações. “Sebastian, você subestima o quanto eu me interesso por você––o que tem a dizer, pelo que você tem a dizer,” se corrigiu com um embolar na língua, “me ajudaria te conhecer melhor se eu soubesse um pouco mais do que você gosta e o que te manteve tão ocupado que não aprendeu a dançar ainda.
"Eu posso ensinar, te fazer levantar da cama um pouco, mover o sangue e aí tomar um banho. Que tal? Um banho para poder dormir e amanhã acordar bem. Como se nada tivesse acontecido.” Sua voz era doce e ela lhe fazia carinho nos cabelos, o admirando enquanto se perdia em doces pensamentos.
ele sorriu ao ouvir a pergunta da outra e se ela o conhecesse um pouco mais ela saberia a resposta, crescer como irmão mais velho havia vindo com suas responsabilidades, e com esta responsabilidade havia vindo estar bem mesmo quando não tivesse, a verdade era que ele ainda era uma criança quando havia começado a criar os irmãos e estar com febre com as crianças numa noite não lhe assustava nem de longe. “sozinho não, com as crianças uai, não tem motivo pra amarrar dois jegue no tronco se só um é fujão...” começou e depois percebeu o que havia falo e então tentou explicar o que queria dizer. “o que eu quero dizer é que não é por eu estar doente que você precisa estar aqui, então se for te fazer feliz, eu ficaria muito bem por aqui, com as crianças, e você pode ir.” eram raras as vezes que sebastian pensava em si em primeiro lugar, mas bem talvez uma vida de sacrifícios fizesse isso com uma pessoa. “eu só não quero que você perca nada sabe? pra ficar aqui cuidando de mim, vaso ruim não quebra então eu sei que amanhã eu tô de pé de novo.” disse com seu sorriso largo e usual nós lábios, era comum especialmente quando liliane estava ao se lado. “mas sou muito grato que cê cuidou d'eu.”
embora gostasse de se considerar um cavalheiro e normalmente não tivesse intenções com ninguém, ele se sentia levemente culpado por se pegar pensando se talvez a loira pensasse nele como mais que um amigo, assim como ele pensava dela, se pegava desejando-a, nem que tudo que lhe estivesse destinado fosse um beijo, ou um minuto de sua atenção, embora sempre sedento por mais, bash tentava apreciar cada minuto que passava com ela. “a culpa não é minha que as abelhas tavam endemoniadas.” murmurou, a verdade era que um de seus defeitos era ser bem cabeça dura, o errado não era ele e sim as abelhas, claro. ele instantaneamente sorriu bobo ao ouvir as palavras escaparem do lábio da loira, se perguntava se talvez aquela fosse sua forma de lhe dar a entender que ela o via a mais do que o vizinho faz tudo, e embora tivesse muito a dizer sobre seu passado a última pessoa que ele queria que o visse como um pobre coitado e sofrido era ela. “minha mãe não era presente na figura, meu pai...” coçou a garganta pensando em como podia descrever o homem que havia marcado sua pele como a de um animal, na mão de quem tanto havia sofrido. “ele estava passando por uma época difícil, crianças vão crescer sendo tempos fáceis ou difíceis, e meus irmãos precisavam de mim, naturalmente como irmão mais velho eu não tive tempo pra ir pra festa... curtir, estudar, alguém tinha que por comida na mesa.” deu de ombros ono se não fosse muito mas o fato de não ter terminado o ensino médio ainda o feira, tanto quanto ter perdido sua infância e adolescência para preservar a inocência de seus irmãos. ele sentia o carinho dela e quase se derretia, podia ficar estacionado ali naquele momento por séculos e então finalmente tomou coragem para se levantar e por seu braço ao redor da cintura da mesma, a puxando para mais perto. “eu sei fazer muita coisa lili, de laçar boi até costurar e remendar roupa, mas o cabra aqui não sabe nada de dança.”













