❛ 𝕋ℍ𝕀𝕊 ℂ𝕆𝕌ℕ𝕋𝕊 𝔸𝕊 𝔹𝕃𝔸ℂ𝕂𝕄𝔸𝕀𝕃? — mitre&shiro.
Atrevimento não era de seu feitio, uma vez que a privacidade jazia como um dos conceitos mais importantes na visão do japonês. Ele não estava atrás de portas ou “metia o bedelho” onde não era chamado, como diriam seus colegas ocidentais. Costumava ficar em seu canto e ignorar as cenas curiosas, por mais chamativas que fossem, e ficar quieto quando lhe falavam sobre algo furo de fofoca. É claro que isso não era algo natural; Shiro precisara de longos períodos de treinamento para que sua paciência se desenvolvesse e conseguisse diminuir aquela mordaz vontade de saber da vida alheia, inerente a quase todos os seres humanos. Mas ao apanhar um caderno perdido no salão comunal e, ao fazê-lo, despejar seu conteúdo no chão, não pôde deixar de ler as páginas caídas. De repente, a curiosidade que tanto reprimira havia lhe recompensado. Todavia, Shiro decidiu preocupar-se com a matéria no dia seguinte, empurrando os papéis de volta ao encadernado e indo deitar-se.
Assim como se orgulhava de respeitar a privacidade alheia, também se orgulhava em dizer que não possuía laços estreitos com muitos sonserinos, exceto um ou dois que lhe apeteciam. Certo que @xkarkaroff não era um deles, mas Shiro não hesitou em procurá-lo após o término das aulas, encontrando-o no mesmo salão comunal onde o caderno especial estivera. ❛ ——— Boa noite, Karkaroff. Presumo que seja o dono deste caderno? ❜ Estendeu o objeto citado ao outro rapaz, sem mostrar sorrisos, fazendo da situação algo desnecessariamente sério… E certamente um tanto quanto desconfortável. Com alguns segundos de silêncio instaurado, resolveu então romper o tratamento tácito. Embora houvesse estendido o objeto ao outro, não o soltara, mantendo-o preso entre os próprios dedos enquanto falava. ❛ ——— Eu… Gostaria de falar com você sobre algo, no entanto. É… um tanto quanto particular. Você teria tempo para me acompanhar até outro lugar? ❜
Estaria irritado se não estivesse tão preocupado com quem poderia encontrar seu diário, ou se aquela droga havia sido roubada. Não tinha bem cara de um diário, na verdade, se pareceria com um caderno de estudos se não fosse pela capa rabiscada e preenchida por rabiscos de desenhos bem ruins dos professores, de maneira bem ridicularizada e nada habilidosa. Algo que o deixava um pouco mais calmo era pelo fato dele estar todo escrito em russo, e bom, isso por si só já tiraria algum tempo da pessoa que o encontrasse e fosse querer compreender o que estava escrito. Muito provavelmente tentaria buscar uma magia linguística, mas isso dependeria muito do ano em que a pessoa estaria e bem, talvez desse alguma sorte.
Buscava se controlar pensando nisso, e em partes se xingava de tudo que era nome por ter a ideia tão brilhante de colocar coisas tão delicadas e pessoais lá. Suas mãos tremiam um pouco e seus nervos davam algum sinal de alteração, conforme o tempo passava e não encontrava nada. Refez todos os seus passos, e aquele ебать de caderno não estava em nenhum lugar. Havia dentro dele algumas folhas desprendidas que eram inerentes a uma poção específica e outras de matérias que achara interessantes. Haviam coisas em inglês também, apesar de serem poucas coisas, e quando enfim começou a analisar aquilo como um todo, viu que se parasse nas mãos erradas estaria fodido, fodido pra caralho. Sentou-se no sofá do salão comunal, e quando cogitou buscar a ajuda de algum elfo doméstico, o caderno apareceu na sua frente, e por um instante se sentiu aliviado, antes de se perguntar se o japonês havia lido. O fato dele querer conversar consigo lhe fez pensar na hipótese dele ter lido e pior, de querer algo em troca de seus segredos. Lhe enervou, e sua TEI já prestes a eclodir ficou realmente a beira de lhe dominar. Quando fora pegar, o outro não o soltara e aquilo fez o russo o olhar, aquela tensão desconfortável sendo densa e quase palpável. — Sim. Pode ir na frente. — Completou, tomando o diário pra si e o colando em sua bolsa, ainda trêmulo, almejando algo para beber como se sua vida dependesse disso, mas até mesmo seu cantil fora confiscado.














