"Eis que o salário dos trabalhadores que ceifaram os vossos campos e que vós, desonestamente, deixastes de pagar está clamando por justiça; e tais clamores chegaram aos ouvidos do Senhor dos Exércitos” Tiago 5:4. A Câmara Episcopal da IEAB, em meio aos grandes desafios de enfrentamento da pandemia do COVID-19, tem buscado manter nosso povo unido e consciente da necessidade de praticar com responsabilidade o isolamento social e elevar orações e súplicas para os efeitos sejam mitigados da melhor maneira possível. Já fomos alertados que o país sofrerá uma difícil conjuntura para além da questão de saúde. Aumento da pobreza, da vulnerabilidade, do desemprego, entre outras terríveis consequências que já estão visíveis no nosso horizonte. Para o enfrentamento desse enorme desafio temos um governo que claramente defende os interesses de uma elite mesquinha, burra e que se escora no Estado como uma muleta para manter os seus privilégios. O sacrifício, nesta lógica perversa, atinge especialmente os mais pobres, a classe trabalhadora e os informais. Dentre as medidas concretas tomadas pelo Governo e Congresso, até o momento, se destaca um auxílio emergencial que é vergonhosamente pequeno e vergonhosamente curto. E ainda caminha a passos lentos devidos aos entraves da exigência de conectividade e de situação fiscal sem restrições, punindo mais ainda os mais vulneráveis. Ao mesmo tempo, sob a justificativa de evitar a quebra do sistema financeiro, o governo destina quase 200 bilhões de reais a fim de garantir liquidez aos bancos, exatamente o segmento que mais ganhou com a crise dos últimos anos. Esta é uma enorme vergonha para um país onde 206 bilionários, que detém uma riqueza de 8 trilhões de reais. Para se ter uma idéia, bastava taxar este patrimônio em apenas 1% e teríamos uma arrecadação de 80 bilhões de reais. Diante do desafio que o sistema de saúde está enfrentando, este valor poderia garantir o enfrentamento da pandemia, sem precisar retirar o salário e o emprego de tanta gente. Outro ponto a considerar nesta conjuntura difícil é a necessidade de repensar o nosso modelo concentrador e injusto. Esta pandemia é uma oportunidade única de construirmos novas relações tanto na política como na economia! A lógica que está colocada hoje é perversa e não pode receber como reação o nosso silêncio. Trabalhadores e trabalhadoras perderão seus empregos e isso não pode ser debitado mais uma vez na conta das pessoas pobres, das desempregadas e das que vivem na informalidade econômica. Levantemos nossa voz contra essa injustiça. Pela garantia de renda mínima já, taxação das fortunas e tributação dos lucros do sistema financeiro. Esta pandemia está expondo as contradições de um modelo que só tem aprofundado desigualdades. Ainda há tempo de se fazer uma repactuação que gere justiça e dignidade para todas as pessoas! Este é pilar explicito de uma sociedade que queria se inspirar no modelo do reino de Deus o qual aspiramos e oramos ardentemente!