Qualquer forma de amor.
@worteinmir
"Escrever, muitas vezes, é uma viagem perigosa para dentro de nós mesmos, que nos faz enfrentar as profundezas de nossas almas na tentativa de trazer de volta o elixir da experiência – ou seja, uma boa história. [...] Porém, não perca as esperanças, porque escrever é uma coisa mágica. Mesmo o simples ato físico da escrita é quase sobrenatural, na fronteira com a telepatia. Imagine só: fazemos algumas marquinhas abstratas num pedaço de papel, as marcas ficam ali dispostas numa certa ordem, e alguém do outro lado do mundo (ou dali a centenas de anos) poderá conhecer os nossos pensamentos mais profundos. Os limites do espaço e do tempo, e mesmo as limitações da morte, podem ser superados. [...] Podemos menosprezar algo dizendo que “são só palavras”, ou dizer que “palavras o vento leva”, mas sabemos muito bem que não é tão simples assim, que as palavras têm o poder de ferir ou de curar. [...] O poder de cura das palavras é seu aspecto mais mágico. Os escritores, assim como os xamãs ou curandeiros das culturas antigas, têm em potencial o poder de tratar de feridas e de curar. [...] Nós, escritores, de certa forma compartimos esse poder divino dos xamãs. Não apenas viajamos para outros mundos, mas os criamos, em outro tempo e espaço. Quando escrevemos, realmente viajamos a esses mundos de nossa imaginação. Qualquer pessoa que tenha tentado escrever a sério sabe que é por isso que precisamos de solidão e concentração. Na verdade, estamos viajando a outro tempo, outro lugar. Como escritores, essas viagens não são apenas um ato de sonharmos acordados, e sim o de viajarmos como xamãs, com o poder mágico de engarrafar esses mundos e os trazermos de volta sob a forma de histórias, para compartilhar com os outros. Nossas histórias também têm o poder de curar, de fechar feridas, de fazer o mundo ficar novo outra vez e de oferecer metáforas às pessoas por meio das quais elas podem compreender melhor a si mesmas e a suas vidas."