Sua mãe costumava dizer que Daisy parecia estar sempre a frente do seu tempo, parecia mais crescida do que deveria ser, e que isso era o suficiente para causar cabelos brancos em seus irmãos e pai, mas a mais jovem nunca vira aquilo de uma forma ruim. Pelo menos, não como um todo. Tendo três irmãos mais velhos, era muito fácil aprender coisas surpreendentes com eles. Leonard e Hal eram responsáveis por fazê-la mais forte, mais atenta aos riscos ao seu redor, alguém que seria capaz de cuidar de si mesma, ainda que seus irmãos não permitissem que ela o fizesse. Enquanto isso, Grace era responsável por lhe ensinar sobre tudo o que ela aprendia nos diversos livros que lia. Grace era sempre a mais tranquila entre todos os irmãos e parecia, na verdade, a mais velha, a mais centrada e a que tinha a maior parcela de sabedoria entre eles, por isso era sempre a ela que Daisy recorria quando precisava de alguma ajuda, principalmente se essa ajuda era relacionada a seus sentimentos por Tilden, que vinham aumentando cada vez mais a cada aula em que o garoto a ajudava com Herbologia. A verdade era que, mesmo que Daisy fosse impulsiva, a frente de seu tempo, e soubesse se cuidar, ela não entendia nada sobre relacionamentos amorosos e certamente não estava preparada para se apaixonar, porque não sabia como era se apaixonar. Qual era a sensação? Por isso, havia Grace. Grace e as inúmeras cartas que Daisy enviava a irmã mais velha com a intenção de descobrir o que estava acontecendo consigo.
Assim que o encontrou na Sala Comunal, a esperando, Daisy não pode evitar um sorriso enorme em seu rosto. Quando estavam juntos, o tempo parecia fluir de forma diferente para eles, e ela não sabia explicar a sensação de êxtase que sentia sempre que via o sorriso dele. Sentia-se nervosa, mais era um nervosismo bom, um capaz de fazê-la perder o fôlego, ou fazer sua pele se arrepiar ao menor toque dele. Ela sentia-se completamente despreparada, ou totalmente boba diante dele, mas não era como se quisesse sair correndo dali. Não, pelo contrário, ela poderia passar anos olhando para o sorriso dele, que jamais se cansaria. Ao ouvi-lo lhe assegurando de que não havia problema nenhum com a roupa que ela vestia e então lhe destinando um elogio tão simples entre as palavras enroladas, ela respondeu rapidamente: “Você é ótimo, Tilden. Sempre consegue levantar a auto estima de qualquer pessoa.” Daisy sorriu e inclinou-se para frente, na direção do garoto. Depositou um beijo de leve em sua bochecha direita, de forma tão tranquila que, quando se deu conta do que fizera, não conseguiu se impedir de seu rosto corar até atingir a cor de seus cabelos enquanto se afastava para retomarem seu caminho para fora da Sala Comunal. Não sabia como ele reagiria aquilo, mas esperava que não o deixasse desconfortável, esperava que aquela era apenas a forma espontânea com que Daisy vivia sua vida. Ela agia sem pensar e acabava fazendo coisas que poderiam assustar as pessoas, mas não era por mal.
“Oh, isso não é verdade. Nós estamos muito bem juntos, aposto que seremos o par mais incrível na festa.” Ela piscou para o garoto, novamente em seu tom de brincadeira para poder descontrair. E era verdade. Daisy não gostava de muita modéstia, por isso poderia dizer sem problema algum o quanto os dois ficavam bem juntos. Não eram apenas as roupas, mas havia algo entre eles que os faziam se dar tão bem, diferente da maior parte dos pares que ela estava vendo se destinarem a festa do professor Slughorn. Eles tinham assuntos para conversar, passavam bons momentos juntos e eram bons amigos, talvez até algo mais do que isso, se tudo desse certo, e ela realmente esperava que desse. “Slughorn pode ser complicado, é verdade. Mas se você sabe como lidar com ele as coisas se tornam bem tranquilas e ele acaba se tornando uma boa pessoa com quem conversar. Esses dias mesmo, falamos sobre o que eu faria quando me formasse, e ele realmente me apoiou a seguir a carreira de healer, apesar de ainda não ter certeza se é uma boa opção.” Daisy se desatou a falar, talvez rápido demais, mas era o que acontecia quando estava com o garoto. Muitas vezes ela simplesmente se deixava levar pela conversa entre eles. “Bem, sempre tem o coral de sapos de Hogwarts, mas ele já fez isso no ano passado, então não sei se repetiria o espetáculo. Talvez tenha contratado algo de fora, quem sabe?” Perguntou enquanto chegavam perto da sala onde eram organizadas as festas do clube. Por sorte, não precisaram andar tanto. A Sala Comunal da Hufflepuff era estrategicamente localizada no castelo.