Segunda temporada - Capítulo 6: I smell blood
O avião demorou uma infinidade de horas para chegar até nova york, principalmente devido a dificuldade de Lexie em se concentrar para não matar todas as pessoas que estavam dentro daquele avião. Ou no aeroporto. Ou nas ruas. Ou na pousada barata que Joe arrumou para que eles pudessem se hospedar.
Lexie ficou deitada na cama, roendo, dessa vez, todas as suas unhas de tão nervosa que estava. Joe havia passado praticamente o dia todo no celular, gritando com pessoas, reclamando em línguas que ela não entendia, e quase o jogando na parede cada vez que o desligava. Ela queria poder pedir para ele parar, para ele olhar para ela, mas se sentia fraca e faminta de mais para isso. Até que algumas horas depois, o ruivo ordenou rispidamente que ela tomasse um banho e se vestisse, e 15 minutos depois estavam na porta de um galpão abandonado.
Joe bateu na porta por alguns segundos, e uma fresta se abriu, na qual um homem murmurou alguma coisa em uma língua que Lexie nunca ouviu na vida, e Joe respondeu fazendo o homem abrir a porta para que eles pudessem passar. No fundo do galpão havia uma mulher em uma mesa, escrevendo alguma coisa.
— Foi a única, literalmente, a única vez que eu lhe fiz esse favor. Você sabe que não pode transformar ninguém, Joe. — A mulher disse sem sequer levantar os olhos. — Acha que é fácil conseguir todas essas pessoas?
— Não acho, mas foi caso de urgência, me desculpe. Não pretendo transformar mais ninguém de qualquer forma. — Foi quando a mulher ergueu os olhos.
— Pode se retirar agora. Patrick e Jason, venham prender a garota.
Joe saiu rapidamente do local, passando por uma porta, sem sequer olhar para Lexie, que estava tão ocupada vendo ele sair, que não percebeu os dois grandalhões se aproximando e amarrando ela em uma corda que estava pendurada ao teto. Ela ficou suspensa no ar, sentindo extrema dificuldade dificuldade de respirar. A mulher que estava sentada se levantou, e a encarou se aproximando.
— Isso vai ser um pouco desconfortável. — Ela sorriu — Se você unir toda a força que conseguir vai acabar se soltando. — Ela sorriu mais grandiosamente ainda. — Boa sorte, você tem 24 horas.
Duas pessoas entraram na sala, Lexie percebeu pela quantidade de batimentos cardíacos que era humanas. Elas pareciam com medo, mas ao mesmo tempo confiantes. A mulher foi até sua mesa e pegou uma espada, passando no pescoço dos dois humanos que estavam ali. Primeiro Lexie ficou espantada, e se sentiu realmente muito mal. Se aquilo era seu treinamento, aqueles dois haviam morrido por causa dela, mas não foi nada comparado ao que ela sentiu quando o cheiro do sangue daqueles dois penetrou suas narinas. Ela sentiu seus caninos alongando, e pode sentir um formigamento nos olhos. Ela sabia que isso acontecia quando eles ficavam pretos. Pretos de sede. Seus músculos se enrijeceram e tudo que ela mais queria no mundo era se livrar daquela corda e se jogar em cima dos dois corpos para sugar todo o sangue deles. Foi quando ela se lembrou de que a mulher havia dito que ao puxar a corda com força, Lexie conseguiria se libertar, e ela puxou, por sorte sem sucesso, mas quando ia tentar novamente (e ela sabia que dessa vez conseguiria) o seu lado humano falou mais alto e ela percebeu que não poderia beber todo aquele sangue, não importava o quanto ela quisesse, ou clamasse por ele. Então fechou os olhos e se concentrou em respirar, e ignorar o cheiro que entrava em sua narina toda vez que ela o fazia.
Quando Lexie abriu os olhos novamente, percebeu que mais cinco pessoas haviam entrado na sala para seu horror e total quebra de concentração. E todas aquelas pessoas estavam morrendo, e era sua culpa. E ela teria que matar mais pessoas quando estivesse solta daquele lugar para sobreviver, isso é claro se sobrevivesse aquilo. Ela havia percebido também que, se ela se soltasse, e sugasse todo aquele sangue, seria morta. Mas no momento, morrer não parecia uma opção tão ruim.
Mais algumas pessoas foram entrado e Lexie não conseguia nem manter os olhos abertos. O cheiro era tão insuportável que estava sendo agoniante, ela começou a se balançar, tentou agarrar a corda para subir um pouco mais, usando sua força para se segurar, mas não conseguiu. Ela havia começado a tremer e todo o seu corpo clamava por aquele sangue. Ela podia sentir o gosto na sua boca. Prendeu a respiração, e sabia que se parasse de respirar não iria morrer, mas estava tão habituada a respirar que acabava o fazendo por alguns instantes.
Quando ela abriu os olhos haviam muitas pessoas mortas, terrivelmente cortadas, de todas as formas, empilhadas ali. Lexie havia sido responsável pela morte de vários humanos, e de uma forma ruim, eles estavam morrendo de uma forma horrível. Ela observou a cara de horror presente em um grupo que entrava novamente ali. Já haviam 30 pessoas, pela sua conta. Se um dia ela fosse imaginar sua morte, definitivamente não seria entrando em uma sala e vendo varias outras pessoas mortas ali.
Lexie suspirou fundo e sentiu o cheiro penetrar suas narinas, dessa vez sentindo vontade de vomitar. Seu corpo parava de tremer lentamente e ela foi se acalmando e conseguindo se controlar. Toda a raiva estava se transformando em algo diferente. Ela suspirou novamente e abriu os olhos, olhando fixamente para a mulher. E percebeu que Jason e Patrick haviam se juntado a turma, segurando dois baldes nas mãos.
Pouco após ela ter fixado o olhar, eles caminharam através dos corpos até ela, e jogaram seu conteúdo na sua direção. O sangue bateu em sua barriga, perna, braços, e até mesmo boca. Fazendo a menina balançar e voltar a tremer. Tudo que ela havia conseguido controlar estava de volta, a vontade de se soltar, a vontade de pular naqueles corpos e principalmente a vontade de morrer. Os três presentes na sala já haviam saído e ela continuava ali em completa e infinita agonia.
Abriu os olhos e observou seu corpo, para Lexie humana aquilo era como estar em uma piscina de nutella, mas sem poder comer nada. Lembrou que iria permanecer ali 24 horas, e resolveu abrir os olhos. Observou cada rosto, cada traço. Todos ali pareciam dormir, exceto pelo fato de que nunca mais iriam acordar. A raiva voltou para o corpo de Lexie, e permaneceu ali durante horas a fio. Após vinte e quatro intermináveis horas, os três retornaram, e a soltaram.
— Pode comer agora. Atrás daquela porta fica o banheiro, tem roupas e tudo o que você precisar lá. — Disse a mulher.
Lexie se aproximou de um dos corpos, que mesmo estando já entrando em estado de decomposição ainda possuíam um sangue relativamente bom no organismo, e o limpou, repetindo a mesma coisa com outro corpo. Ela sabia que eles virariam vampiros, mas quem os alimentaria para que eles pudessem sobreviver já não cabia a ela. A menina, sem apresentar nenhum sinal de alteração, segiu até o banheiro, tomou seu banho vestindo o vestido que haviam posto ali, retornou e observou Joseph com um sorriso no rosto, mas não conseguiu sorrir de volta.
— Você foi muito bem, uma das melhores. - Jason (ou Patrick?) disse, quando ela se aproximou.
— Meus parabéns — A mulher repetiu. — Você foi adicionada ao cadastro de vampiro, e irá receber uma nova identidade daqui a 5 anos e terá que retornar até mim com mais cinco anos para uma nova identidade. Boa sorte.
Friamente ela entregou os documentos a Joe e voltou a rabiscar sua mesa, ele a abraçou, e ao sentir seu toque Lexie se lembrou das ultimas 24hrs e sentiu vontade de reprimi-lo e afasta-lo, mas lembrou: “A raiva me mantem controlada.”












