Aquela era uma das poucas ocasiões em que Moo não se via diante de uma prancheta fazendo pedidos e encomendas para o restaurante de algum dos fornecedores. Geralmente pedia alguns itens a mais para uso pessoal pelo simples fato de não gostar muito de frequentar mercados. Mas naquele caso se viu obrigado a ir em um lugar bem específico. Nos próximos dias, receberia visita de alguns amigos da universidade que estariam na Coréia por motivos óbvios: todos buscando novas receitas para seus negócios, fossem eles restaurantes de luxo ou aqueles com um ambiente mais familiar. Moosong se lembrava bem daquele sujeito de Bangladesh que sempre se recusava a consumir produtos derivados de animais. O miserável sempre surpreendia a todos com um prato mais esquisito que o outro e indescritivelmente saboroso. Por culpa dele, Moo adicionou muitos pratos veganos em seu restaurante, embora não fossem muito… ousados. Aquela era uma área da gastronomia a qual nunca explorava tão a fundo mas, agora, via-se na obrigação de fazê-lo. Queria deixar os amigos impressionados e aquele mais ainda. Por esse motivo estava ali àquela hora da noite… como era mesmo o nome da loja? Não tinha ideia! Por outro lado, o ambiente era bem agradável e ficou impressionado por ver tantos legumes frescos num só lugar. No entanto, ele procurava por soja. Caminhava lentamente entre os corredores, os olhos atentos aos diversos potes de vitaminas e shakes à disposição, até que o encontrou. Havia um pacote solitário na prateleira, provavelmente o último do estoque daquele dia. Moosong o pegou despreocupadamente, sem perceber o indivíduo (@wcngwei) ao seu lado que estava por fazê-lo, acabando com seus sonhos e esperanças.
fazer compras era seu passatempo favorito. seus avós, mesmo ele insistindo que não deveriam, costumavam mandar uma quantia em dinheiro todo mês para que ele comprasse as coisas que gostava e seus mantimentos, como diziam. ele já podia imaginar a cara do avó ao pensar nos biscoitos veganos que shuwei costumava comer. sua família quase toda era carnívora, e eduo era muito pequena para definir o que gostava de comer, mas mesmo antes de descobrir a forma de vida vegana, shuwei decidiu que nunca comeria nada que viesse dos animais. seus avós tiveram muita dificuldade em sempre ajudar com sua alimentação, porém shuwei fazia sua lição de casa e estudava sobre todas as coisas que podia fazer. não era um expert naquilo, mas estava feliz em poder ter um estilo de vida saudável daquela forma. havia demorado um pouco para que ele achasse um supermercado que vendesse as coisas que precisava, mas sempre que fazia suas compras, era pra lá que ia. seu carrinho já estava cheio de vegetais e frutas, além do seu favorito, grão-de-bico, que sempre usava para fazer seus bolos e tortas. a próxima coisa de sua lista era algo que ele achava essencial, mas que tinha que parar de comer. soja era algo que seu avô cultivava na fazenda onde moravam, mas assim que se mudou para a coréia e conversou com algumas pessoas que também escolheram ser veganas, ele acabou descobrindo que não podia exagerar. então ele precisava apenas de um pacote, já que o feijão e a lentilha tomaram o primeiro lugar em sua vida. quendo contou para sua vó sobre isso, ela disse que ele deveria tomar cuidado e quem seria shuwei para desobedecer sua nana? então foi até o corredor onde sabia que estava a soja e assim que viu o pacote, o único, quase saltitou até lá, mas quando notou uma mão já estendida para pegar o pacote, shuwei exclamou. “oh não...” nem tinha sido tão alto, mas o outro, um homem bem mais velho, já estava o encarando. percebendo a situação em que estavam, ele rapidamente se afastou, se curvando e pedindo desculpas. “não não. me desculpe! pode pegar! não se preocupe, me desculpe!”