Por tanto tempo, achei que minhas palavras poderiam ser a ponte para aliviar a dor de alguĂ©m, trazer algum conforto ou atĂ© mesmo fazer um coração sorrir de novo. Achei que o simples ato de me oferecer para escutar, para dizer algo que acreditava ser bonito ou reconfortante, seria suficiente. Mas aĂ me dei conta, que, por mais bem-intencionadas que fossem, as minhas palavras nĂŁo tinham o impacto que eu esperava. NĂŁo porque faltasse sinceridade ou vontade de ajudar, mas porque, na maioria das vezes, Ă© o que elas querem ouvir, mas, de outra pessoa. De alguĂ©m que faz o coração delas bater mais forte, de quem ela carrega no peito com carinho, de quem ela confia sem medidas, ou simplesmente de quem ela busca validação incessantemente. Por mais que a gente queira tanto ser Ăștil, ser aquela mĂŁo amiga, a voz que consola, no fim das contas, o consolo nĂŁo Ă© uma questĂŁo de palavras certas, mas de quem as diz. Ă um tipo de cura que sĂł se alcança quando vem da pessoa de quem elas esperam. Foi libertador, de certa forma atĂ© um alĂvio, entender que, nem sempre cabe a mim preencher vazios.
interpreta-me.













