Você acha que a gente se ama ?
Acha que a gente é um do outro? Um pouco?
Se não é por que é que você tá dentro ?
Por que então essa permanência?
Quantas paisagens apenas passam na janela
Quando você tá nela?
i don't do bad sauce passes
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@voandodentro
Você acha que a gente se ama ?
Acha que a gente é um do outro? Um pouco?
Se não é por que é que você tá dentro ?
Por que então essa permanência?
Quantas paisagens apenas passam na janela
Quando você tá nela?

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É tarde e você me da bom dia
Quebra a rotina da nossa não monogamia
Finge o acaso
E eu aceito sem duvidar
Correndo o risco de me sufocar
Mas é no atraso que tu me mostra cedo
Dizendo vem guria, vem sem medo
que o tempo não mede o nosso desejo
Eu me abro
E cabe tudo no nosso abraço
A distorção do tempo, os compromissos e os prazos
Uma vida despreocupada a pari passu
Tenho piscado até demorado
E quando abro já tamo colado
Você não sabe pq eu quase não digo
Finjo urgência só pra variar
O prazer que eu sinto em te esperar
Acordei te lendo
Sem querer te querendo
Desejando a sua sombra inteira
Em noite de lua meia
Bebendo as palavras, os versos, os planos
Com a tranquilidade
De quem vai ler esse livro de novo
E de novo
A cada par de toalha eu sinto
Quando coloco uma camisa de banda
Eu canto
Quando me despeço na cama
Eu finjo
E quando não me chama pelo nome
E chama
É aí que eu lembro
Ou crio
quase não aguenta o samba
E samba
misturo as minhas chaves com outras
Brinco
De amor no fim de semana
Ama
Quando crio memórias
digo
Quando fotos, vídeos, poemas
quando alguém acerta o disco
Brisa
E quando a gente se dana
Drama
uma parte de ti em mim
Deixei
eu também algo essa semana
Queria mudar a rotina
E te beijar numa terça feira
Não só pra quebrar minha semana
Mas também pq hoje é segunda
E a ansiedade de te ver me faz pular pra quinta
Queria mudar minha rotina
Trabalhar na zona sul, morar no centro
Visitar a região oceânica como turista no fim de semana
Comprar pão em mercado caro
E dormir em travesseiro fino
Sentir frio e não precisar de cobertor
Correr pro abraço
Deitar no escuro
Chorar pra aliviar o mudo
Queria mudar essa rotina
Acordar sorrindo
Amar sonhando
Viver cada dia da semana com a calma
De quem não espera a sexta

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E aí sei lá me diz por que que as pedras sempre me lembram você?
No chão, chutei doeu
No coração, guardei não deu
Na mão, joguei, valeu
Catei
Usei pra riscar o chão
e logo logo uma palavra em vão
Lancei num fio encerado
Fiz dele proteção
Se tenho pedras comigo, te levo
Então esses brilhos no asfalto são o que senão estrelas?
Tem dias que eu tenho certeza do meu pé no espaço
Se do chão não passo
E o céu o limite
Nado como se fosse burlar
o finito
Tenho escutado atentamente o que as estrelas dizem
As do mar, as do céu e as do chão
Ter calma e fé, elas dizem
E toda vez que me sentir só
Parar e olhar o redor
Atentamente
Eu disse que não toque na poesia
Que eu conto intacta, sem pausa de olhar no olho
Declamando meus segredos entrelinhas
Ele disse que também já foi artista
eu repito que o artista não morre
E entre olhares absorvo mais uma poesia
Que diz não diferenciar vivos e mortos
Faço então o caminho pensando
Em viver e morrer muito nas próximas linhas
Penso que poderíamos nós termos sido apresentados antes
Na verdade, acho que fomos
Mas não seria isso dessa forma, com tanta chuva, tanta gripe, tanto vai vem
E nisso tudo existe algo que já resiste aos dias e meses, ao carnaval, as férias e aos encontros outros fortuitos
Não tem nome, mas a cor é do seu cabelo, como também o sol que queima a nossa pele molhada de suor
Tem uma guerra acontecendo e você meio tentando fugir, mas é coisa familiar. Eu sei que pesa nas costas essa culpa pela Palestina, que como nós, resiste aos dias, aos meses e às coisas tristes.
Quero que esses dias estranhos passem logo
Pra correr o mundo contigo com o mesmo sorriso daquele dia simples que não queria acabar
Quero viver essa incerteza não monogâmica que nos leva estar juntos pra além de contratos de fins de semana
Animo tudo com você, um filme, um livro, um pagode, uma praia, uma palestra, um show, uma poesia e até mesmo essa vida inteira que pode acabar em fração de segundos.
Sabe que sabe usar as palavras, as letras, ao seu favor
Mas é tempo de fazer com que elas caibam dentro
Botar em pastas, em caixas, pra bagunçar outra vez
Enchendo dentro pra já transbordar de novo
Eu queria que você transbordasse comigo só por uma vida
Tanta água que não cabe em mim
Eu choro, de felicidade também
Esvazio, ofereço copos de água
Quero matar a sede
Que mata quem do vazio se enche
Eu aqui cheia
Aprendi a nadar
Pra nada

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Obrigada pela delícia nos dias chuvosos
Que quando chove eu me sinto semente na sua terra
Braço quente em noite fria
E aí devagarinho amanhece
E devagarinho você vai
Devagarinho volta
E devagarinho a gente fica
Molhado de chuva
Hoje eu queria falar sobre a lista de sentimentos bons que ficam
Quando a gente encontra alguém depois de se encontrar primeiro
Coisas que não tem nome
Nomes que não tem coisa
E daí eu vivo aqueles vazios cheios de muito
Eu não conheço ninguém mesmo
E isso em si seria suficiente pra um sentimento ruim ficar
Sentimentos com nome
Nomes sem sentimentos
Diante do inesperado
Reações esperadas
Eu realmente acredito que aprendi a entrar nas pessoas e lugares
Mas permanecer em mim
Agora eu sei
E-xa-ta-men-te
O que eu tenho que fazer
Mas
Tô de bruços
Na beira do mundo
Na orla do muro
Tenho dependência química
Da seratonina que aquelas trocas me causaram
Apegada demais
Ao eu limite
viciada na minha produção literária
Mãos dadas, braços alados
ao meu eu lírico
Perdidamente presa
a uma inversão de mim
Esse meu estado de rima
Esse estado de torpor
Essa vontade de me expor
São em mim
Parte a parte
De um estado de natureza
Desses momentos tais
E-ssen-ci-al-men-te
eus compromissados
Que desdenhei e desenho
Como se não fossem também
Formas de me amar
Perdoa se eu te bloqueei
Eu lido assim
Dói dói
fujo de mim
Perdoa se eu não dei nem tchau
Eu ligo sim
Mas dói dói
E assim eu me encontro enfim
No eu eu eu
Sem tu, ti, tá
Eu tum ts tum ts tum
E bla bla bla bla
Perdoa eu
Não deu pra mim
Fui demais
Fui de mim
Fui
Fim
Eu pensei que ia ter aqueles três ou quatro motivos dentro do estômago pra entrar e sair da rodoviária novo rio toda vez
uma vez por mês, duas, três
Vontade de ir, não sei
Se a estrada ia ser o lugar onde o meu coração ia querer morrer, repensei
talvez poderia odiar de vez uma cidade, agora seis
Admirar cidades grandes e curtir ser predadora em selva de pedra
Admitir cidades pequenas e curtir ser elemento decompositor
Dessa vez eu dancei
Fui deglutida pela grande pedra
E olha que chuto a maioria e algumas vezes as coleciono
Carrego umas no bolso, outras nas mãos e uma no lugar do coração
Mas minha coleção não coube nessa confusão
Na pedreira aprendi a tirar leite de pedra, tomei
Das mais diversas maneiras, lancei
Pedra preciosa na cara dos caretas
Na estrada de pedra, sou
Água mole

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Sofro vendo a foto
Daquilo que eu queria ter
Maldito fetiche da mercadoria
Sofro por aquilo que não tenho
E quero aquilo que não posso ver
Caminho pelas ruas do mundo de dentro
De olhos fechados
E imagino o caminho que desenho
Tenho tudo que quero
Quero tudo que tenho
Agradeço
Cinco anos atrás e pasme
A gente no mesmo retrato
Bendita sorte que costura com linha pura
A minha vida com a sua
Rezo pela Lapa, por Itaipu e Laranjeiras
Por Porto alegre eu rezo um terço
Ave Maria Recife, eu rezo pela Paraiba
Em Minas Gerais pra Santa Anna eu vou pedir
a intercessão do Santo Cristo
Por Goiás, ai ai Goiás
quantas preces já fiz a São Jorge
E por Brasília eu faço o ano inteiro
a oração de São Francisco
Pra que nos baixos dessas idas
Não nos reste apenas uma saída
Senão um retorno lento
Com data e local de partida