Um corpo vazio
Estava imóvel o corpo, um jovem cerca de 23 anos, ali caído no chão, ao lado de moradores de rua que brindavam outra vez, por si, sua vergonha, sua propria autoria de vida. Eu o virei, o cadaver, rapidamente.. e de olhos arregalados, imoveis, sem piscar.. como que se tivesse levado um susto, um susto da propria morte antes de enfim, desperdir-se, ou.. como se ja soubesse que não havia tempo. a multidão por outro lado passava, aos bandos, todos com pressa, com pressa de que? pensei. Até que um bando de miseráveis, começou a olhar o corpo. e eu olhei para eles, esqueci totalmente o corpo, mas não o caso. - VEJAM! ESTÁ MORTO -gritavam. eu continuava a fixas aqueles olhares, de curiosidade, que aparentemente, realmente, estavam mais mortos que o necessário, mais mortos que o pobre corpo já deixado, enfim por sua sorte.. desse monte de nada, desse monte de pessoas vazias que agora contemplavam seu corpo. foi a primeira vez que chorei.. e as lagrimas corriam tanto quanto aqueles passos, largos, pequenos, finos.. porém todos depressa.. chorei como se fosse um filho jogado a margem.






















