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Virei pro lado, fechei os olhos ⊠E me deu saudade. Puta merda, me deu muita saudade.
Sorry, Iâm not Chuck Bass. (via allaxg)
Carta aberta pro moço que deixou saudade
Moço, sinto tua falta. Pensei em te escrever uma carta, mas vocĂȘ sabe como eu sou e acabei perdendo o pedacinho de papel em que tinha anotado o seu endereço. Pensei em ir te entregar um bilhete, mas cinco horas de ansiedade sĂŁo mais difĂceis do que eu poderia imaginar e provavelmente eu pararia no meio do caminho. Covardia? Eu sinto muito por isso. Pensei em deixar uma mensagem dizendo um "oi", perguntando como vocĂȘ estava ao mesmo tempo que eu queria sumir da sua vida inteira, como se nĂłs nunca tivĂ©ssemos acontecido. NĂŁo consegui, nem um e nem o outro. Senti o gosto do seus lĂĄbios nos meus, mesmo sabendo que existem quilĂŽmetros de distĂąncia entre eles. Senti seu cheiro, mesmo sabendo que meu nariz jĂĄ nĂŁo encosta mais no teu pescoço. Passei os dias tentando me convencer de que foi melhor pros dois, dizendo que nĂŁo me importo olhando pra sua foto e...e me importando. As coisas jĂĄ foram mais fĂĄceis, eu jĂĄ te desconheci antes, mas agora vocĂȘ parece uma cicatriz funda em um espaço visĂvel do meu corpo, que jĂĄ nĂŁo chega mais perto do seu. Me desculpa o inconveniente, moço, eu sei que Ă© tarde pra minhas letras tortas, mas eu ainda sinto e sinto muito. Os dias tem sido assim, tĂŁo vazios quanto nossas Ășltimas conversas, onde nada parece importar muito, mas quando escurece o que me sobra sou eu mesma, que transbordo saudade. Ao deitar na cama, sĂł o que eu sei Ă© virar pro lado onde vocĂȘ costumava estar e abraçar a sua sombra.
Queria poder te dar carinho beijos amassos selinho e um laço feito com meus braços em volta do seu colarinho

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Ă madrugada. Na verdade, quase de manhĂŁ. Meus olhos pesam e ardem, mas nĂŁo Ă© de sono ou cansaço, Ă© sĂł o resultado de um choro que nĂŁo durou mais que alguns minutos. Ou que durou um pouco mais do que algumas horas, eu nĂŁo estou bem certa. O motivo? NĂŁo tem. Talvez eu nĂŁo me sinta normal vestindo meu prĂłprio corpo. Talvez eu nĂŁo me sinta bem dentro da minha prĂłpria pele. Como se eu fosse revestida de etiquetas e todas elas resolvessem coçar e incomodar de uma sĂł vez, e eu simplesmente nĂŁo pudesse arrancĂĄ-las. Talvez eu nĂŁo me sinta equilibrada o suficiente sobre meus dois pĂ©s. Ou os problemas podem ser com as minhas mĂŁos, que escrevem incessantemente sobre coisas que eu nĂŁo gostaria de pensar, que me expĂ”e e me desnuda na frente de milhares - e cruĂ©is - olhos invisĂveis. Talvez o problema seja com a minha boca, que se cala, que absorve, que sufoca tudo o que eu gostaria de ter dito, tudo o que eu ainda poderia dizer. Pode ser que o problema em si seja minha mente, que trabalha sem descanso pra me boicotar, pra me fazer pensar e repensar sobre coisas que nem aconteceram. Que me confunde nas madrugadas entre fantasia e realidade. Que Ă© maliciosa, promĂscua e me faz suja e desprezĂvel. Talvez seja eu, que em essĂȘncia sou sĂĄdica e imoral. Uma pessoa ruim, ou talvez mais do que isso. Talvez seja meu corpo que se isola e sofre, por meia dĂșzia de palavras bonitas escritas em um papel. E os outros? Os outros olham e aplaudem. Se incomodam com as suas prĂłprias etiquetas, e se silenciam. Me iludem. Sorriem. Se levantam e vĂŁo embora.
Depressive, Amanda.
Sucesso Ă© ter um emprego, uma vida tranquila, meia dĂșzia de amigos fiĂ©is, um pouco de lazer, algum estudo e a cabeça no lugar. Sonhar Ă© bom e saudĂĄvel, ler revistas Ă© uma delĂcia,imaginar cenas de novela acontecendo conosco Ă© permitido e indolor, mas nada nos deixa mais vulnerĂĄveis do que cruzar a fronteira do imaginĂĄrio. Do outro lado, ninguĂ©m sabe o que hĂĄ.
Caio Fernando AbreuÂ
Passei sozinha por ruas abarrotadas de gente. Senti cheiro de fumaça, senti cheiro de comida, senti perfume, senti calor humano e ainda assim, me senti sozinha. Entrei num restaurante, vi pratos cheios, duas ou trĂȘs mesas juntas, ouvi risadas, ouvi vozes, ouvi toques de telefones e me sentei sozinha. E me senti sozinha. Era tarde pra um almoço, mas esperei o restaurante ficar, assim como eu, vazio. Paguei a conta e me retirei, pelas mesmas ruas, agora cada vez mais como eu, vazias. Choveu. Choveu pouco e ventou muito no começo, e começou a chover mais e fazer frio, como todo mĂȘs de julho, e as ruas escureceram e eu, a princĂpio senti medo, senti a pele esfriar, senti os cabelos da nuca se arrepiarem e os lĂĄbios estremecerem. Senti o corpo estremecer. Me senti sozinha. Minhas roupas pesavam de tĂŁo molhadas, mechas do meu cabelo preenchiam partes do meu rosto, meus pĂ©s estavam no automĂĄtico e eu via a rua preenchida com lajotas, as lojas abarrotadas de objetos, minha bolsa pendia pelo ombro e o celular tocava incessantemente cheio de mensagens que eu nĂŁo li, cheio de vozes que eu nunca ouvi. Mas eu me senti sozinha. Empurrei a porta de madeira pesada do meu prĂ©dio, vi o porteiro cheio de mau humor que fez questĂŁo de nĂŁo me cumprimentar, observei os quadros cheios de cores, e as cores cheias de vidas, penduradas e enfileiradas numa parede branca de um saguĂŁo velho. Encarei as escadas cheias de degraus. Me sentei em um deles. Me senti vazia. Deixei minha cabeça ceder com a certeza de que minhas duas mĂŁos estavam ali para segurĂĄ-las. Ouvi uma porta bater com força, gritos de um casal que estavam cheios de amargura, cheios de Ăłdio. Ouvi passos pesados passando apressadamente por mim. Me senti invisĂvel...e Ă© claro, me senti sozinha. Me obriguei a colocar uma perna atrĂĄs da outra, e subi os trĂȘs lances de escada. Girei a chave duas vezes. Entrei na minha casa e nada havia mudado, mais uma vez. Toda a bagunça estava no seu devido lugar. Joguei a chave no vaso que deveria estar cheio de flores, caminhei atĂ© o banheiro e me despi. Fitei o chĂŁo preenchido por roupas e me senti sozinha. E nua. Deixei que a ĂĄgua quente ocupasse cada centĂmetro do meu corpo, tentei nĂŁo pensar sobre nada, e meu cĂ©rebro me contrariou pensando em todas as coisas que eu tinha evitado o dia inteiro. De cabelos molhados, corpo quente e camisa larga, acendi um cigarro. Me joguei na cama. Me arrepiei. Me arrependi. Me senti calma. Lembrei dos tempos em que me senti sozinha e achei que nunca ia passar. NĂŁo me senti sozinha ao lembrar disso. Me senti certa.
SĂł. Amanda.
Hoje nĂŁo Ă© nenhum dia importante pra nĂłs. NĂŁo Ă© nosso aniversĂĄrio. NĂŁo Ă© nosso primeiro dia juntas e hoje, certamente, nĂŁo Ă© o dia do nosso primeiro beijo. Pra nĂŁo dizer que Ă© sĂł mais um dia impresso na folha de calendĂĄrio, hoje Ă© halloween. De novo, nĂŁo tem por quĂȘ relacionar o dia com os nossos fatos. Acontece que jĂĄ faz um tempo, que todos os dias parecem ser bem nossos - o dia primeiro de janeiro, o dia quatro de outubro e tambĂ©m o Ășltimo dia de dezembro - simplesmente porque acontecemos todos os dias. Porque a saudade tua arde em mim em tons cruĂ©is de vermelho e corre por entre meu corpo o dia todo, num fluxo incessante e tem sido assim desde que eu soube teu nome. Agora eu que jurei nĂŁo escrever mais, estou aqui, juntando palavras como se fossem pequenos cacos de vidro, tentando descrever tudo o que vocĂȘ me faz sentir, tentando pela primeira vez escrever pra me expĂŽr, me demonstrar, me deixar ser pra vocĂȘ e por vocĂȘ. Te descrever por linhas me parece tĂŁo pouco, porque o que eu tenho pra dizer, sĂł sobre os teus olhos, gastam as pĂĄginas brancas dum livro inteiro. E aĂ vem o nariz, as bochechas, a tua boca, meus desejos, teus beijos, nossos corpos, suas pernas sobre as minhas em uma noite de insĂŽnia provocada pelo teu gosto, pelo teu rosto. E pela manhĂŁ eu estaria te vendo vestida com teu melhor sorriso e apesar da janela fechada o lugar pequeno estaria todo iluminado, de novo pra vocĂȘ e por vocĂȘ. Deixaria escapar um pouco de amor perto do teu ouvido, e teu riso baixo acordaria a cidade toda. Me pego sonhando de olhos abertos, porque depois que nĂłs acontecemos, isso Ă© tudo o que eu sei fazer de melhor. Posso ser boa com o inglĂȘs, ter verdadeira adoração por gramĂĄtica, e gostar de fĂsica, mas nĂŁo tem nada que eu faça melhor do que imaginar, onde quer que eu esteja, que vocĂȘ estĂĄ ao meu lado porque esse Ă© o desejo que mais me consome. Hoje Ă© mais um daqueles dias que acordei sentindo sua falta no espaço vazio da cama, no espaço nĂŁo preenchido do cobertor, no espaço entre meus braços. Ă um daqueles dias meio cinza onde o cĂ©u Ă© bem azul e o sol brilha forte pra todo mundo, mas eu me recuso a tirar meu Ăłculos escuro. Daqueles em que chove por dentro, chove de ausĂȘncia bem preenchida. Ă aquele dia que segue ao som ritmado da tua voz me dizendo que eu sou chata e me pedindo a tua lista de volta, que eu tanto amo escutar. Que ri, que chora de rir, que tem mau-humor no meio de tanto amor, que tem conversa e tem silĂȘncio, tem brabeza e nĂŁo se cansa de brincar. Mas no final do dia Ă© sempre a mesma certeza que me vem, junto com o barulho da tua respiração. Mas no final do dia, Ă© tudo sempre o mesmo, eu te chamo, eu te clamo, eu te amo.
How I wish you were here, texto com endereço.
"E eu quero brincar de esconde-esconde, te emprestar minhas roupas, dizer que amo seus sapatos, sentar na escada enquanto vocĂȘ toma banho, e massagear seu pescoço. E beijar seu rosto, segurar sua mĂŁo e sair para andar. NĂŁo ligar quando vocĂȘ comer minha comida, e te encontrar numa lanchonete para falar sobre o dia. Falar sobre o seu dia e rir da sua, sua paranoia. E te dar fitas que vocĂȘ nĂŁo ouve, ver filmes Ăłtimos, ver filmes horrĂveis. E te contar sobre o programa de TV que assisti na noite anterior e nĂŁo rir das suas piadas. Te querer pela manhĂŁ, mas deixar vocĂȘ dormir mais um pouco. Te dizer o quanto adoro seus olhos, seus lĂĄbios, seu pescoço, seus seios, sua bunda. Sentar na escada, fumando, atĂ© seus vizinhos chegarem em casa, sentar na escada, fumando, atĂ© vocĂȘ chegar em casa. Me preocupar quando vocĂȘ estĂĄ atrasado, e contente quando vocĂȘ chega cedo. E te dar girassĂłis e ir Ă sua festa e dançar. Me arrepender quando estou errado e ficar feliz quando vocĂȘ me perdoa. Olhar suas fotos e querer ter te conhecido desde sempre. Ouvir sua voz no meu ouvido, sentir sua pele na minha pele, e ficar assustada quando vocĂȘ se irrita. E te dizer que vocĂȘ estĂĄ linda, e te abraçar quando vocĂȘ estiver aflito, e te apoiar quando vocĂȘ estiver magoada, te querer quando sentir cheiro, e te irritar quando te toco e choramingar quando estou ao seu lado. E choramingar quando nĂŁo estou. Debruçar-me no seu peito, te sufocar de noite e sentir frio quando vocĂȘ puxa o cobertor e sentir calor quando vocĂȘ nĂŁo puxa. Me derreter quando vocĂȘ sorri, me desarmar quando vocĂȘ ri. Mas nĂŁo entender como vocĂȘ pode achar que estou rejeitando vocĂȘ quando eu nĂŁo estou te rejeitando, e pensar como vocĂȘ pĂŽde pensar que alguma vez eu te rejeitaria. E me perguntar quem vocĂȘ Ă©, mas te aceitar do mesmo jeito. E te contar sobre o "tree angel", "o menino da floresta encantada" que voou todo o oceano porque ele te amava. Comprar presentes que vocĂȘ nĂŁo quer e devolvĂȘ-los de novo. E te pedir em casamento, e vocĂȘ dizer "nĂŁo" de novo mas continuar pedindo, porque embora vocĂȘ ache que nĂŁo era de verdade, sempre foi sĂ©rio, desde a primeira vez que pedi. Andei pela cidade pensando. Ă vazio sem vocĂȘ mas eu quero o que vocĂȘ quiser e penso: estou me perdendo, mas vou contar o pior de mim e tentar dar o melhor de mim porque vocĂȘ nĂŁo merece nada menos que isso. Responder suas perguntas quando prefiro nĂŁo responder, e dizer a verdade mesmo que eu nĂŁo queira, e tentar ser honesto porque sei que vocĂȘ prefere. E achar que tudo acabou, espere sĂł mais dez minutos antes de me tirar da sua vida. Esquecer quem eu sou e me deixar tentar chegar mais perto de vocĂȘ. E de alguma forma, de alguma forma⊠de alguma forma compartilhar um pouco do irresistĂvel, imortal, poderoso, incondicional, envolvente, enriquecedor, agregador, contĂnuo, infinito amor que eu tenho por vocĂȘ."
Reflections Of a Skyline

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Ele sempre foi bom com matemĂĄtica, e eu sempre fui boa em gramĂĄtica. Escrevia "eu te amo", numa caligrafia perfeita, em pelo menos trĂȘs lĂnguas. Ele somava um + um e falava de nĂłs dois com fluĂȘncia invejĂĄvel. Sempre foi o mais bonito do nosso par, mesmo que dissesse o contrĂĄrio. Eu, em contra mĂŁo, era a mais baixa, mas sempre preferi rasteirinhas do que salto alto. Eu era de aries e ele escorpiĂŁo e, consequentemente, brigĂĄvamos mais do que qualquer outra coisa. No fim, o que valia a pena, era ele sussurrando no meu ouvido um "minha pequena" com aquela manha toda. Mas no fim, ele somou errado.
Qualquer coisa escrita num guardanapo.Â
Eu queria escrever-te uma carta Amor, Uma carta que dissesse Deste anseio De te ver Deste receio de te perder Deste mais que bem querer que sinto.
âSei lĂĄ, acho que ninguĂ©m nunca fez nada de bom por mim a vida toda, nada parecido com o que vocĂȘ conseguiu em dois dias. Meio abrupto, reconheço. VocĂȘ me faz viver fora da minha linha e Ă© isso que eu gosto em vocĂȘ. DĂĄ medo, mas Ă© um medo gostoso de ter.â
Gabito Nunes.Â
Se fosse pra eu dar um conselho pra todo mundo hoje seria: demonstrem o amor de vocĂȘs. NĂŁo percam nenhuma oportunidade de ficar perto de quem vocĂȘs amam. NĂŁo deixem distĂąncia nenhuma se tornar obstĂĄculo. Hoje eu sei que a gente realmente nĂŁo sabe o que o amanhĂŁ nos reserva, e a Ășnica coisa que a gente pode fazer Ă© aproveitar tudo e todos como se hoje fosse o seu Ășltimo dia.
Caio Fernando Abreu.

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Ela simplesmente estava ali, parada e pronta para segurar os problemas de todos. Mas a questĂŁo era: quem segurava os dela? Ela estava um caco.
Os porquĂȘs de AmĂ©lia Roswell.Â